Como a burocracia está sufocando a Alemanha
Há sete anos, a produção econômica da Alemanha está estagnada, e uma das causas é a burocracia desenfreada. É difícil encontrar um país onde empresários e cidadãos não reclamem da burocracia, mas, na Alemanha, ela atingiu uma nova dimensão. O renomado Instituto ifo, da Alemanha, estima que o país perde 146 bilhões de euros em produção econômica por ano devido ao excesso de burocracia — o equivalente a cerca de 4% do produto interno bruto. As empresas precisam contratar centenas de milhares de funcionários (325 mil somente desde 2022) simplesmente para cumprir as incontáveis regulamentações burocráticas. Em 2010, a legislação federal alemã compreendia cerca de 25 mil páginas; hoje, são quase 40 mil. A cada ano, acrescentam-se outras mil páginas — e isso sequer inclui as numerosas regulamentações da União Europeia. Esses números podem ser encontrados no excelente livro do economista Daniel Stelter, Absturz. So retten wir Deutschland (“Queda: como salvar a Alemanha”), que atualmente vem gerando considerável debate na Alemanha.
Promessas de reduzir a burocracia — acontece o contrário
Há décadas, todos os governos alemães têm declarado, em inúmeros discursos, como é importante reduzir a burocracia – e acontece exatamente o contrário. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu uma redução “sem precedentes” das regulamentações na União Europeia, mas ocorreu o oposto. Em 2025, a Comissão Europeia lançou 1.456 atos jurídicos — mais do que em qualquer ano desde 2010. “É difícil”, escreve o economista Stelter, “identificar, entre regulamentações como a Lei da Cadeia de Suprimentos, as regras de combate ao desmatamento, as exigências de transparência salarial, as medidas de combate à lavagem de dinheiro, as normas sobre emissões industriais, as leis de proteção do solo, as regulamentações sobre embalagens, as diretrizes de ecodesign e muitas outras, qual delas representa o maior ônus para a economia.”
A regulamentação da taxonomia da União Europeia provavelmente se mostrará o maior ônus: os políticos decidem quais empréstimos são “bons” e quais são “ruins”. Descrevo isso como mentalidade de planejamento central. Qual é a diferença entre uma economia de mercado e uma economia planejada? Em uma economia de mercado, milhões de empresários e consumidores decidem o que deve ser produzido. Em uma economia planejada, são os políticos que decidem. A propriedade privada está sendo esvaziada cada vez mais. Com o tempo, ela se torna uma casca vazia, porque o Estado determina o que o “proprietário” pode fazer, deve fazer ou não pode fazer com “sua” propriedade.
Por que a redução da burocracia não avança?
Segundo Stelter, reduzir a burocracia não seria, na verdade, tão difícil: “As medidas essenciais não exigem novas leis; basta abolir as leis aprovadas nos últimos dez a vinte anos. Isso é muito mais rápido do que elaborar e coordenar uma nova legislação.”
Então, por que isso não acontece? E por que a burocracia é particularmente grave na Alemanha? A maioria das regulamentações burocráticas na Alemanha é ideologia transformada em leis e regulamentos. Ela é apresentada sob rótulos atraentes, como “proteção do consumidor”, “proteção dos trabalhadores”, “proteção ambiental”, “proteção dos jovens” e assim por diante. Em sua essência, trata-se de uma ideologia de esquerda e verde que acaba sendo transformada em legislação.
3.200 cláusulas de assistência social
Mesmo com o uso de inteligência artificial e um esforço científico considerável, o Instituto ifo não conseguiu, em 2025, elaborar um levantamento completo de todos os benefícios sociais e de seus efeitos. Os pesquisadores documentaram mais de 500 programas de assistência social, mas tiveram de admitir que não era possível quantificar o objetivo, os grupos-alvo e os custos de muitos deles. Os benefícios sociais estão distribuídos por doze códigos de seguridade social, que contêm mais de 3.200 cláusulas e numerosas normas especiais. O governo federal sozinho criou mais de 300 programas diferentes, alguns dos quais se sobrepõem. Atualmente, mais de 17% de todos os funcionários do setor público na Alemanha trabalham na área da seguridade social. Somente as instituições de seguro social empregam 364 mil pessoas e geram 25 bilhões de euros em custos administrativos.
Os alemães têm uma característica positiva e uma negativa. A característica positiva é seu rigor. A negativa é sua propensão ao pensamento ideológico radical. A Alemanha quer salvar o mundo do apocalipse climático e erradicar a pobreza no mundo inteiro. Este último objetivo é buscado por meio da imigração em massa e da ajuda ao desenvolvimento: nenhum país do mundo gasta tanto com ajuda ao desenvolvimento quanto a Alemanha (29,1 bilhões de euros). Quando o pensamento ideológico é aplicado com especial rigor e perfeição, o resultado é a sufocante enxurrada de leis e regulamentações sob a qual a Alemanha sofre.
O Estado continua se expandindo
Isso vai mudar? A redução da burocracia não será bem-sucedida enquanto as causas subjacentes não forem primeiro eliminadas — sobretudo a ideologia de esquerda e verde. Embora o chanceler Friedrich Merz tenha prometido, antes das eleições, que “a esquerda acabou”, vemos todos os dias que esse não é o caso. O Estado continua se expandindo. Mais de cinco milhões de pessoas trabalham atualmente no setor público alemão, o que representa 11% da força de trabalho. Desde 2012, o número de funcionários públicos aumentou em 584 mil, ou 14%. Se incluirmos também os funcionários das instituições de seguridade social, bem como das entidades e empresas sob controle público constituídas sob o direito privado (como a Deutsche Bahn), o quadro se torna ainda mais dramático: desde 2012, outros 943 mil funcionários foram acrescentados, elevando o total para 6,7 milhões.
O Estado continua se expandindo. Mais de cinco milhões de pessoas trabalham atualmente no setor público alemão, o que representa 11% da força de trabalho. Desde 2012, o número de funcionários públicos aumentou em 584 mil, ou 14%. Se incluirmos também os funcionários das instituições de seguridade social, bem como das entidades e empresas sob controle público constituídas sob o direito privado (como a Deutsche Bahn), o quadro se torna ainda mais dramático: desde 2012, outros 943 mil funcionários foram acrescentados, elevando o total para 6,7 milhões.



