Quem pode enfrentar os abusos do STF?
Questionado sobre as candidaturas ao Senado que vêm assumindo a bandeira do impeachment de ministros do STF que estão abusando de sua autoridade e destruindo a democracia brasileira, Gilmar Mendes garantiu não estar preocupado. Segundo ele, há uma grande diferença entre pensamento e ação.
“E um equívoco, mas é um equívoco compreensível, porque certamente algumas pesquisas indicam que isso tem um apelo eleitoral. Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme. Certamente, se alguém com essa bandeira se tornar senador, terá imensas dificuldades de implementá-la, porque o todo institucional caminhará talvez num outro sentido”, basicamente “ameaçou” Gilmar.
O impeachment é uma bandeira constitucionalmente prevista e é totalmente legítimo tentar lançar mão dela em defesa das próprias instituições brasileiras, vilipendiadas de dentro por autoritários incorrigíveis.
Diante de um cenário como esse, em que sequer uma das únicas soluções viáveis sem romper ainda mais com a legalidade do que já estamos rompidos é tratada como admissível, fica ainda mais patético ter que lidar com argumentos que ainda apelam a abstrações inférteis como “diálogo” e “conciliação”.
O “todo institucional”, na cabeça de déspotas pomposos como Gilmar, significa provavelmente “as minhas ordens”. Ele não deveria mandar no Brasil, e não há diálogo que o convença do contrário. Líderes como ele precisam ser derrotados, não objeto de interlocução. Um país não pode ser refém.



