O Fórum da Liberdade de 2026 em Porto Alegre

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A palavra “liberal” tem um sentido diferente no Brasil em relação aos Estados Unidos. No Brasil, ela se refere à tradição articulada por John Locke, David Hume e Adam Smith: governo limitado, propriedade privada e livre comércio. Nos Estados Unidos, no entanto, a palavra foi apropriada por socialistas moderados e basicamente significa alguém favorável à intervenção econômica, um intrometido.

No Brasil, os liberais no sentido clássico têm se reunido desde 1988, no período da Páscoa, em Porto Alegre, no Fórum da Liberdade, organizado por uma associação de jovens empresários e investidores de capital de risco, o Instituto de Estudos Empresariais. Eu falei três vezes no Fórum da Liberdade, em 2007, 2013 e agora em 2026, quando ele foi realizado nos dias 9 e 10 de abril.

Em 2007, eu descrevi o capitalismo verde, ou como proteger o meio ambiente definindo direitos de propriedade privada sobre os recursos naturais. Em 2013, eu defini a principal tarefa dos liberais clássicos: tornar visível a mão invisível, explicar como a ordem pode se desenvolver sem comandos. Agora apresentei um livro que será publicado, Conservative-Liberal Thought in the Nordic Countries: An Anthology [em português, Pensamento Liberal-conservador nos Países Nórdicos: Uma Antologia], que editei e escrevi a introdução, e que é editado pelo think tank de Bruxelas New Direction.

A tradição nórdica da liberdade

Em minha palestra, afirmei que, ao lado da conhecida tradição liberal da Grã-Bretanha, desenvolveu-se nos países nórdicos uma tradição semelhante, poderosa, mas negligenciada. O cronista islandês Snorri Sturluson havia, na década de 1220, invocado os dois antigos princípios germânicos do governo pelo consentimento e do direito de rebelião. O pastor e político finlandês Anders Chydenius já havia, em 1765, antecipado o argumento de Adam Smith em favor do livre comércio. O pastor e poeta dinamarquês N. F. S. Grundtvig ensinou, no século XIX, que a transferência de poder do príncipe para o povo exigia uma disciplina social espontânea, adquirida em escolas privadas e em associações de livre formação. Dois economistas suecos, Gustav Cassel e Eli F. Heckscher, haviam, na década de 1930, utilizado argumentos semelhantes contra o planejamento econômico centralizado aos de Friedrich A. von Hayek em seu livro seminal de 1944, O Caminho da Servidão.

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Paulo Guedes e quatro candidatos à Presidência 

O Fórum da Liberdade 2026 contou com a presença de mais de cinco mil pessoas. Muitos pensadores e personalidades de destaque discursaram no evento, incluindo o economista brasileiro Paulo Guedes. Com doutorado pela Universidade de Chicago, onde estudou com Milton Friedman, Guedes foi ministro da Economia durante a presidência de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2023, implementando um ambicioso programa de liberalização, privatização e simplificação do sistema tributário. Em sua fala, Guedes destacou o fato de que, nos últimos cinquenta anos, o planeta Terra conseguiu alimentar quatro bilhões de recém-chegados. Isso só foi possível porque a humanidade se beneficiou dos enormes poderes criativos de uma ordem livre e competitiva. Guedes instou conservadores políticos e liberais econômicos no Brasil a se unirem contra o socialismo. Se assim o fizessem, ele demonstrou otimismo em relação ao futuro. “O Brasil não tem inimigos naturais. Nosso único problema somos nós mesmos”, disse ele. Quatro candidatos na próxima eleição presidencial também discursaram no Fórum da Liberdade: Romeu Zema, do Novo; Ronaldo Caiado, do PSD; Aldo Rebelo, dos Democratas Cristãos; e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (de direita). Zema e Bolsonaro concordaram que dois problemas urgentes precisavam ser resolvidos no Brasil: segurança pessoal e ativismo judicial.

O aristocrata inglês e o cowboy americano

Vi muitos rostos familiares em Porto Alegre. Tomando uma xícara de café, a economista americana Deirdre McCloskey me contou uma piada sobre um aristocrata inglês que estava viajando pelo Velho Oeste. Ele perguntou a um cowboy: “Quem é o seu senhor?” O cowboy respondeu: “Ele ainda não viu a luz do dia.” Contei a ela que isso me lembrava a história de Dudo de Saint-Quentin sobre o viking norueguês Rollo. Quando ele e seus homens chegaram à França em 885, um emissário do rei francês quis encontrar o seu chefe. Eles responderam: “Não temos chefe, porque somos todos iguais”.

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Hannes Gissurarson

Hannes Gissurarson

É professor emérito de ciência política na Universidade da Islândia e comentarista frequente sobre assuntos atuais na mídia islandesa, além de membro da Sociedade Mont Pêlerin. Ele é mais conhecido como um ferrenho porta-voz das políticas de livre mercado ou liberalismo clássico. É bacharel em Filosofia e História e mestre em História pela Universidade da Islândia, além de PHD em Política na Universidade de Oxford.

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