A falácia do voto útil no primeiro turno
No Brasil, um candidato só vence no primeiro turno se obtiver 50% +1 dos votos válidos. Isso significa que qualquer voto dado a alguém que não seja o líder reduz proporcionalmente a chance desse líder vencer de imediato.
Se Lula lidera, votar em qualquer outro candidato ajuda a empurrar a eleição para o segundo turno, mesmo na extrema esquerda. Até votar na bizarra Samara Martins, da UP, nesse cenário, significa matematicamente mais um voto válido fora do primeiro colocado.
A lógica do sistema é simples: primeiro turno é para escolher quem você considera melhor. Segundo turno é para escolher quem você rejeita menos.
Já votar branco, nulo ou não votar pode sim ajudar o líder, porque reduz o total de votos válidos necessários para ele alcançar 50% +1.
Se sua intenção é impedir uma vitória em primeiro turno, basta votar validamente no seu candidato favorito.
Voto útil de verdade só existe no segundo turno. No primeiro, o chamado “voto útil” costuma ser apenas uma ferramenta psicológica de manipulação pelo medo.
Eu vivi isso em Petrópolis, em 2024. Pesquisas internas me colocavam entre 6% e 7%, com potencial de ultrapassar 10 mil votos. Mas Hingo Hammes usou sua máquina política para espalhar a narrativa de que só ele poderia impedir a esquerda, apagando meu nome de materiais impressos e digitais onde ele publicou essa pesquisa para forçar eleitores anti-esquerda ao “voto útil”.
Resultado: minha votação caiu para pouco mais de 4 mil votos. Ainda assim, para azar dele, faltaram cerca de 1.700 votos para liquidar no primeiro turno.
A falácia funcionou parcialmente, mas revelou sua essência de manipulação eleitoral.
No segundo turno, tive especial prazer em me abster e ir para a praia para não chancelar nem o tosco Hingo ou o esquerdoso Yuri.
Democracia exige liberdade de escolha no primeiro turno. Segundo turno é contenção de danos.
Vote livre no primeiro turno e, no segundo turno, somos todos FORA LULA!



