Perspectivas liberais iniciais sobre o Irã

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Em 1979, o Irã deixou de ser uma monarquia politicamente autoritária, ainda que liberal e secular nos costumes e na economia, para se tornar uma teocracia autoritária que, sob a promessa de justiça social, independência e incentivadora de costumes conservadores, gerou um estado extremamente opressor.

Vou aprofundar.

A Revolução de 1979 foi estruturalmente antiliberal.

No campo econômico, uma esquerda bem socialista, defensora de uma forte redistribuição de renda, com controle de setores estratégicos e retórica anti-mercado.

Nos costumes, impôs um conservadorismo islâmico rígido, podendo ser acusada como “de direita”, transformando moral religiosa em lei estatal, regulando vestimenta, comportamento e expressão.

Entregou um regime que controla eleições, sufoca a economia, regula costumes, vigia comportamento moral de mulheres e oprime dissidentes. Uma revolução contra a liberdade em todas as suas dimensões.

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É falso, no entanto, o argumento que a revolução de 1979 foi uma ocupação estrangeira árabe na comunidade persa. Ela foi uma revolução de raiz popular, vinda de uma sociedade profundamente religiosa que vivia sob um Estado modernizador e relativamente secular ao qual o povo da época se opunha.

A ocupação árabe da Pérsia ocorreu no séc. VII, quando o império persa foi derrotado pelos exércitos árabes muçulmanos, levando à queda do Estado persa zoroastrista.

Mas os árabes foram depois embora e os persas escolheram ficar com o islã.

Os mais de 1.500 anos de islã no local mudou os persas da mesma maneira que os persas mudaram o islã. Não à toa, enquanto a maioria dos árabes são sunitas, os persas são xiitas e tem sua própria visão da religião.

Pode ser que a nova sociedade persa, em um Irã pós-regime, queira reconstruir sua identidade nacional resgatando o zoroastrismo e os símbolos persas de um passado remoto como oposição ao radicalismo que os próprios persas construíram, mas esse seria um movimento de elite, não de base popular, ainda que o regime esteja desgastado com sua própria base.

Talvez eu escreva mais sobre isso nessa semana. Hoje vou apenas comemorar o fim desse ditador que representa tudo o que o liberalismo, e eu, abominamos.

 

 

 

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Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Cientista político, advogado, mestre e doutorando em Direito, conselheiro superior do Instituto Liberal e sócio do escritório SMBM Advogados (smbmlaw.com.br).

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