A Previdência Social Brasileira (I) – Um Esquema Fraudulento de Pirâmide

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Praticamente todas as pessoas já ouviram falar no esquema da pirâmide, mas não custa nada lembrar como funciona esse esquema fraudulento que, segundo análise, causa prejuízo em 84% dos participantes.prevfraude

A pirâmide, segundo o Wikipédia, é um modelo comercial não-sustentável que envolve basicamente a permuta de dinheiro pelo recrutamento de outras pessoas para o esquema sem que qualquer produto ou serviço seja entregue. A idéia básica por trás do golpe é que o indivíduo faz um único pagamento, mas recebe a promessa de que, de alguma forma, irá receber benefícios exponenciais de outras pessoas como recompensa. Claramente, a falha fundamental é que não há benefício final; o dinheiro simplesmente percorre a cadeia, e somente o idealizador do golpe (ou, na melhor das hipóteses, umas poucas pessoas) ganham trapaceando seus seguidores.

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Pondo esse esquema em prática, uma pessoa ganha uma certa quantia de um grupo de pessoas, e esse grupo de pessoas ganharia a mesma quantia de um segundo grupo de pessoas, que depois ganhariam a mesma quantia de um terceiro grupo de pessoas, e assim sucessivamente.

O problema óbvio desse esquema de pirâmide é que ele cresce em progressão geométrica, ou seja, se são necessárias, em tese, seis pessoas para se pagar a quantia acertada para uma pessoa, serão necessárias trinta e seis pessoas para se pagar a quantia acertada para o grupo de seis, e assim por diante.

Em um esquema de pirâmide em que seis pessoas suportam uma, o décimo-terceiro grupo já seria maior que toda a população mundial (esse grupo seria composto por pouco mais de 13 bilhões de pessoas, quase o dobro da população mundial).

Logo, é um esquema absolutamente fraudulento, posto que é insustentável.

Por conta disso, a maioria dos países do mundo editou leis que declaram esse tipo de esquema ilegal. No Brasil, a Lei Contra a Economia Popular (Lei nº 1.521/51) tipifica esse crime no seu art. 2º, inciso IX, assim disposto:

“Art. 2º. São crimes desta natureza: 

IX – obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve”, “cadeias”, “pichardismo” e quaisquer outros equivalentes);”

Mas, por incrível que pareça, enquanto particulares não podem praticar esse esquema, o governo pode sem o menor problema, através de um órgão chamado Instituto Nacional da Seguridade Social. O nome desse esquema de pirâmide é “previdência social”.

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Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Cientista político, advogado, mestre e doutorando em Direito, conselheiro superior do Instituto Liberal e sócio do escritório SMBM Advogados (smbmlaw.com.br).

2 comentários em “A Previdência Social Brasileira (I) – Um Esquema Fraudulento de Pirâmide

  • Avatar
    19/03/2014 em 8:08 pm
    Permalink

    Bernardo,

    Você explicou o que é a “pirâmide”, mas não completou a explicação de por que a Previdência Social é uma pirâmide.

    Concordo com o Hudson. O problema é a insistência em um modelo cujas premissas para funcionar adequadamente não são mais verdadeiras.

  • Avatar
    19/03/2014 em 6:10 pm
    Permalink

    Peraí!

    Há uma abissal diferença entre uma pirâmide e uma previdência pautada no Regime de Repartição Simples. O RPS é usado em diversas modalidades de seguro e vai muito além da previdência. Este regime é calcado na premissa de que os contribuintes deste ano financiam as aposentadorias deste ano. É nisso que ele se assemelha à pirâmide. E só!

    Só que este modelo, que foi adotado em praticamente todos os países do mundo que instituíram suas previdências nos séculos XVIII e XIX está superado por causa do envelhecimento populacional. Hoje, ele só teria êxito se aplicado nos países africanos, já que sua população ativa é muito maior que a inativa. Estima-se que, no Brasil, seriam necessários 5 ativos para financiar 1 inativo, em média. Parece que hoje estamos em 3 pra 1.

    O erro do governo é em insistir com este modelo, empurrando o problema com a barriga, não com o modelo em si. Acredito que só vamos ter uma reforma séria na previdência lá pra meados de 2020, pois até lá a coisa dá prejuízo mas é sustentável pelo tesouro, infelizmente. Gostaria de ver quem vai ser o estadista sacudo que vai mexer com a previdência brasileira e queimar sua vida política pra sempre. Acho que será o presidente lá pros anos de 2022 rsss

    Mas vamos separar as coisas. Regime de Repartição Simples não é pirâmide, inclusive, o INSS possui várias formas de custeio além da contribuição dos participantes. Até renda de loterias entra na jogada. Acontece que, para a configuração demográfica do Brasil e da maioria dos países do mundo, ele está ultrapassado.

    Mas continuará existindo e sendo muito usado em outras modalidades de seguro. Portanto, se alguém considera o Regime de Repartição Simples uma fraude, que cancele imediatamente também o seu seguro de vida.

    Quem adorava dizer que o INSS é uma pirâmide era o pessoal da telexfree, pra justificar a continuidade da empresa bandida.

    Com todo o respeito ao autor e concordando com a necessidade de um novo modelo previdenciário, mas faltou um pouco de estudo de ciências atuariais por parte dele antes de escrever o artigo. Quanto à crítica ao governo, concordo, mas este problema se arrasta desde os anos 80 sendo empurrado com a barriga.

    Recomendo a leitura de “Reforma da Previdência: encontro marcado” e de “Demografia: o ma invisível”, ambos de Fábio Giambiagi.

Fechado para comentários.

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