Recuperação lenta e gradual da economia

Os dados das Contas Nacionais Trimestrais foram divulgados pelo IBGE, mostrando que, depois de doze trimestres consecutivos de queda, o PIB cresceu 0,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O número veio mais forte do que a mediana das expectativas de mercado, do boletim Focus, que previa uma estagnação nesse […]

Os dados das Contas Nacionais Trimestrais foram divulgados pelo IBGE, mostrando que, depois de doze trimestres consecutivos de queda, o PIB cresceu 0,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O número veio mais forte do que a mediana das expectativas de mercado, do boletim Focus, que previa uma estagnação nesse trimestre.

Pode se destacar, de maneira positiva, o consumo das famílias, que após nove trimestres de queda, cresceu 0,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Ainda pelo lado da demanda, as exportações também cresceram (2,5%). Já pelo lado da oferta, a agropecuária cresceu 14,9%, depois do já forte crescimento no primeiro trimestre de 15,2%. Comércio, um dos principais componentes dos serviços, também apresentou uma alta (0,9%) depois de doze trimestres de quedas consecutivas.

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Do lado negativo, os investimentos, que caíram pelo décimo terceiro trimestre consecutivo (-6,5%), e devem permanecer assim até o fim do ano. Pelo lado da oferta, a indústria caiu pela décima terceira vez seguida (-2,1%), enquanto que os serviços recuaram pela décima vez consecutiva (-0,3%), sempre comparando o primeiro trimestre de 2017 com o primeiro trimestre de 2016.

Outro dado divulgado recentemente pelo IBGE foi a Pnad Contínua. No trimestre encerrado em julho desse ano, a taxa de desemprego recuou pelo quarto mês consecutivo para 12,8%, mas permanecendo ainda muito alta, com mais de 13 milhões de desempregados. Outra questão importante, é que, entre os empregados no setor privado, aqueles sem carteira assinada estão aumentando, diferentemente dos com carteira, que estão diminuindo.

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Nos últimos tempos, a redução da inflação sempre tem sido a boa notícia da economia, o que também permite a queda dos juros. Nos últimos 12 meses terminados em julho, a inflação acumulada está em 2,7%, e a Selic em 9,25%. No fim do ano, a inflação deve fechar por volta de 3,5%, e os juros entre 7,0% / 7,5%, segundo as expectativas de mercado.

Então, estamos observando uma melhoria dos indicadores econômicos, deixando para trás a pior recessão da história do país, que começou em 2014. Porém, essa recuperação deverá ser lenta e gradual.

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Sobre o autor: Marcel Balassiano é mestre em Economia Empresarial e Finanças (EPGE/FGV), mestre em Administração (EBAPE/FGV) e bacharel em Economia (EBEF/FGV).

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