Welcome to hell: a situação do Estado do Rio de Janeiro

hell rio de janeiro

Estão assustados porque o governo do Rio não tem dinheiro para a gasolina das viaturas policiais? Com os policiais com faixas nos aeroportos? Com o atraso nos salários? Ora, eu venho dizendo aqui há uns bons anos (e vocês, assim como todos os amigos servidores, são testemunhas) que o Estado do Rio de Janeiro quebrou de forma irremediável. Não há solução.

Não adiantam empréstimos de R$ 3 bi, nem perdão de juros, nem nada do tipo quando você tem um déficit anual de R$ 20 bi. E isso já vem de algum tempo. De dois anos para cá, o Estado do Rio só não quebrou pois lançou mão de receitas extraordinárias que, se estivessem acontecido em nível federal, teriam feito as pedaladas da Dilma parecerem de velocípede.

(As contas do Estado do Rio, aliás, não seguem nenhum manual técnico orçamentário e são quase impossíveis de serem analisadas de verdade, mas isso é tema para um outro texto…)

Não, ao contrário do que dizem o RJ TV e O GLOBO, não foram as olimpíadas que quebraram o Rio. Talvez não devessemos fazer esses eventos, mas toda vez que alguém culpa as olimpíadas pela quebradeira do Estado, morre uma onça pintada economista de desgosto. Na verdade, o que ocorreu foi uma explosão sem limites do custeio do Estado. É um modelo que reinou em todas as esferas governamentais no maravilhoso porre keynesiano que o Brasil e o mundo viveram. Portanto, não se preocupem, pois a mesma coisa vai acontecer em quase todos municípios e estados da federação, mesmo sem olimpíadas para eles – é apenas uma questão de tempo. A situação do governo federal só é um pouco diferente pela sua capacidade de endividamento (graças ao momento maravilhoso e raro de liquidez internacional), mas que também está chegando ao limite.

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A tal solução? Primeiro, vão querer renegociar e empurrar o endividamento no colo de alguém (Spoiler: a União). Também virão aumentos de impostos, que não resolverão nada e rapidamente agravarão o problema. Deus perdoa, Laffer não. Alguns apelarão para enviarmos as faturas para os “MAIS RICOS”, uma solução cuja eficácia devemos questionar ao governo francês (Spoiler 2: não funciona). Virão também medidas paliativas que servem para o governante aparecer no jornal, como o corte do cafézinho da ALERJ que vai economizar 30 mil reais por ano. Virão ainda os que culparão a corrupção, que sem dúvida tem o seu papel (sim, dá bilhão, Ciro!). Mas a realidade é teimosa e vai continuar ali, perturbando…

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…E ela é bem simples: o dinheiro da sociedade acabou! O Brasil não produz o suficiente para o que o seu Estado, seus políticos e entidades de classe demandam. Não há solução senão uma revisão do papel do Estado, do modelo de funcionalismo público, dos benefícios, estabilidades, dos serviços públicos oferecidos, das responsabilidades governamentais e tudo mais que tanta gente bateu no peito estufado utilizando a palavra mais repetida no noticiário nos últimos anos: reivindicação.

Parece que UPAs, UPPs, Bilhetes Únicos (ouviu, Movimento Passe Livre?) não eram grátis de verdade. Parece que o dinheiro usado para dar aumento para todas as categorias de servidores dá votos, mas também acaba. Parece que bondinho teleférico sobrevoando favela tem um custo. Veja você, parece até que aquela instituição bacana onde você fala de Foucault e fuma uns baseados, enquanto seu professor faz campanha para o PSOL, era, na verdade, paga por alguém!

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Eu sei. É chato pagar o cartão de crédito quando volta da Disney, mas o cheque especial também já estourou o limite. E agora vai ser muito, mas muito difícil convencer a sociedade – e principalmente os servidores – a perder benefícios. No fundo, todo mundo é a favor de cortes, desde que as benesses sejam alheias. Só que no fim das contas, vai faltar para todo mundo. De novo, a França de hoje pode ensinar um pouco a respeito. Brace Yourselves: The passeatas of todas as categorias imaginárias are coming.

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Paulo Figueiredo Filho

Paulo Figueiredo Filho

Cursou Comunicação Social e Economia na PUC-Rio e é bacharel em Filosofia. Teve significativa passagem pelo setor público como assessor especial e chefe de gabinete no Governo do Estado e na Prefeitura do Rio de Janeiro. De volta à iniciativa privada, hoje atua como CEO do grupo Polaris Brazil, à frente de empreendimentos imobiliários e hoteleiros de porte internacional, incluindo o Trump Hotel do Rio de Janeiro.