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Uma excelente entrevista sobre o problema do capital estatizado

zoharO jornal Valor Econômico fez uma excelente entrevista com o professor israelense da Universidade de Columbia, Zohar Goshen, ex-Presidente da autoridade reguladora do mercado de valores mobiliários de Israel entre 2008 e 2011. 

Segundo o professor, o Brasil vive um sério problema de concentração de capital nas mãos do Estado, tanto através do BNDES quanto dos demais bancos públicos, que acabam ditando “campeões nacionais” e subsidiando empresas que, pela lógica, retribuem com maciços investimentos nas campanhas políticas dos atuais governantes.

Zohar explica que o governo atua tanto no lado da demanda quanto do lado da oferta. Com isso, não adianta investir em infraestrutura para desenvolver as negociações, porque não haverá demanda nem oferta para produtos de crédito privado. 

No atual cenário brasileiro, não faz sentido se investir em classificar negócios e criar uma estrutura de empréstimo para empresas se o governo emite títulos da dívida pagando 12% de juros ao ano. O capital privado vai acabar investindo nesses títulos, e se o Governo empresta a 5% ao ano, acaba bancando um subsídio de 7%, transferindo recursos públicos para esses investidores e controlando a maior parte do crédito nacional, reduzindo o rating do país e até pressionando uma alta dos juros.

Esse, obviamente, é apenas parte do problema, pois a falta de capital privado também tem muito a ver com a falta de poupança privada no Brasil. O brasileiro, por motivos que merecem melhor reflexão em texto próprio, não tem o hábito de poupar, e sem poupança privada não há investimento privado. Acabamos então tendo essa bizarra situação onde até mesmo as parcerias público-privadas no Brasil são custeados por dinheiro público.

Precisamos de uma reforma no setor que chame o setor privado para os investimentos em negócios concretos, mas isso só será possível se o ambiente de negócios no Brasil for enxuto, desburocratizado e pouco tributado. Caso contrário, continuará sendo muito melhor investir em títulos públicos do que em inovação tecnológica.

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.