Sim! A culpa é de Paulo Freire!

Comece esse texto tendo em mente este jargão muito popular na esquerda: “a educação molda a sociedade”.

Na semana passada, um professor de uma escola pública em São Paulo foi esfaqueado por seu aluno de 14 anos de idade. Em 2014, a OCDE divulgou pesquisa que registrava que 12,5% dos professores brasileiros diziam já ter sido vítimas de agressões, o que colocava – e ainda mantém − o Brasil como o país mais perigoso para se dar aula no mundo. (link no final do texto)

Em 2015, o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo apresentou uma pesquisa que apontava que 44% dos docentes já haviam sofrido algum tipo de agressão, sendo que mais da metade delas foram agressões físicas. “Entre as agressões que 84% dos professores afirmam já ter presenciado”, resume o portal G1, “74% falam em agressão verbal, 60% em bullying, 53% em vandalismo e 52% em agressão física”. (link no final do texto)

No Google, encontramos imagens de salas de aula transformadas em bailes funk. Em sites pornôs, há vídeos de alunos transando dentro das escolas. Venda e consumo de drogas nesses lugares também são do conhecimento de todos nós.

Isso tudo está acontecendo no país que já completou mais de 20 anos de implementação do “método Paulo Freire de ensino”.

Mesmo diante de tantos fatos que comprovam que tal método é uma tragédia, a esquerda ainda o mantém como um dogma sagrado. Apresentam como argumento de defesa os inúmeros títulos concedidos ao filósofo no exterior. Porém, não têm para apresentar um único país que o adotou. Não têm um único dado que mostre que, desde a sua aplicação, a qualidade da educação no Brasil melhorou – até porque, de fato, ela piorou.

Sim, muitos países desenvolvidos estudam Paulo Freire. Eles também estudam Marx, Hitler, Mussolini… Eles estudam! O que não quer dizer que aplicam o marxismo, o nazismo, o fascismo ou o método Paulo Freire de ensino.

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Vale lembrar ainda que os tantos artigos e livros elogiosos a Paulo Freire são assinados por pessoas declaradamente socialistas. Pessoas que também têm muitos elogios a Lenin e Fidel Castro. O próprio Paulo Freire reconhecia o psicopata assassino Che Guevara como um homem que semeava o amor.

Como já disse Milton Friedman: “copie o que os países ricos fizeram para se tornarem ricos, não o que eles fazem agora quando são ricos”.

Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental, Japão, Coreia do Sul e Austrália se desenvolveram porque se deram liberdade econômica, porque combateram a corrupção e a criminalidade em geral e investiram numa educação voltada para a instrução profissional e científica. A esquerda, ao longo de décadas, prega o contrário – e por isso leva à desgraça todos os países onde conseguem o poder pleno.

Paulo Freire ganhou fama por criar um método rápido de alfabetização de adultos miseráveis na Região Nordeste. Algo louvável. Porém, a esquerda converteu esse mérito em argumento inquestionável para a aplicação da “pedagogia do oprimido” em larguíssima escala para crianças e adolescentes.

O método Paulo Freire aplicado nas escolas públicas brasileiras não é apenas um conjunto de ideias equivocadas. É, fundamentalmente, uma doutrina mal-intencionada, a versão pedagógica do marxismo. A “pedagogia do oprimido” é toda baseada na teoria de “luta de classes”. Os jovens de escolas públicas, por sua condição de pobreza, representam a classe oprimida. O ensino tradicional, baseado em disciplina e na busca de resultados, representa a classe opressora, burguesa. Simplificando um pouco mais: os jovens pobres são oprimidos pelas escolas e pelos professores tradicionais. Contra isso, Paulo Freire propõe que o ensino tradicional seja substituído por um ambiente educacional que nivela escola, professores e alunos. Dessa forma, os jovens deixam sua condição de classe passiva/oprimida para se tornarem agentes de suas próprias histórias, consequentemente, reescrevendo a história da classe que representam. Suas realidades e desejos devem se sobrepor à didática e aos interesses burgueses.

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O resultado prático disso é a destruição da autoridade, da ciência, da alta cultura e da paz.

Um professor que passou vinte anos estudando para repassar seus conhecimentos a outras pessoas, passa a ser subjugado por moleques de 13 anos de idade. Qualquer repreensão ou cobrança por boas notas é vista como a continuidade do método burguês de educação. Em vez de ser instruído na língua formal portuguesa, o jovem pobre é estimulado a se manifestar por meio de gírias e abreviações. Ele também não deve ser instruído em música clássica, matemática ou ciências. Ele deve aprender a valorizar o funk, a pornografia e o grafite. A prioridade não é a formação profissional, mas a “consciência política” − eufemismo para “militância socialista”.

O que não pode acontecer de jeito nenhum numa escola pública, de acordo com o pensamento de Paulo Freire, é a repreensão do aluno.

A pesquisadora Rosemeyre de Oliveira, da PUC-SP (link abaixo), observa que a impunidade é o grande estímulo para a violência contra professores. “A maior parte (dos professores) precisa deixar de atuar nas classes porque tem estresse pós-traumático. Há docentes que foram baleados por alunos, agredidos ou ameaçados”, relata a pesquisadora. “Quando assumem outras funções, as vítimas são vistas com preconceito até pelos próprios colegas”.

Esse ambiente não foi construído ao acaso. Não é obra de alguma “conspiração estadunidense” ou de “golpistas neoliberais”. Ele é resultado direto de um método de ensino voltado para a formação de delinquentes.

Ao se destruir a autoridade do professor, impede-se que os princípios de responsabilidade sejam ensinados. Os impulsos sexuais dos jovens são estimulados. É a campanha pelo “amor livre”, que significa adolescentes transando desvairadamente uns com os outros, a despeito de quaisquer consequências indesejadas. Se algo der “errado” e o jovem pegar uma DST, leve-o ao SUS! Para as adolescentes que engravidam, a esquerda faz a campanha pelo aborto “gratuito e de qualidade” nos hospitais públicos.

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Quando a juventude passa, surge uma massa de adultos sem qualificação profissional, que é devidamente utilizada pela esquerda como argumento para a criação de bolsas, cotas e vagas de trabalho nas diversas esferas de governo, transformando-os em militantes da ideia de que o estado deve prover tudo a todos.

Como se fosse pouca tragédia, ainda estimulam o consumo de drogas. A partir disso, o jovem pobre começa a traficar para garantir seu vício. Logo, enxerga no tráfico uma mistura de estilo de vida e profissão. Uma AK-47 soviética surge em sua mão, junto com a liberdade para atirar em policiais, concorrentes e desafetos, sitiando favelas e transformando moradores em escudos humanos. Se a polícia aparece e mata alguns, a esquerda grita que “jovens negros e pobres estão sendo exterminados nas favelas”. Se a polícia alveja um inocente, a esquerda cobra mais leis de restrição ao combate ao crime, como vemos hoje, com a morte da menina Ághata, no Rio de Janeiro.

A quebra da autoridade do professor leva à quebra da autoridade dos pais, das pessoas mais velhas, dos líderes religiosos e do estado, criando assim uma massa de ladrões, assassinos, pedófilos e estupradores, que passam a ser os agentes das “reparações históricas”, criminosos devidamente protegidos pela Constituição brasileira.

“A educação molda a sociedade”. Concordo!

O método Paulo Freire de educação moldou a atual sociedade brasileira. Desde que começou a ser implantado, o Brasil se tornou um dos países mais violentos do mundo, ocupando as últimas colocações em todos os rankings de qualidade de educação.

Podemos afirmar, então, que Paulo Freire é o patrono da desgraça brasileira.

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/09/19/professor-e-esfaqueado-por-aluno-dentro-de-ceu-na-zona-leste-de-sp-diz-policia.ghtml

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/08/140822_salasocial_eleicoes_ocde_valorizacao_professores_brasil_daniela_rw

https://g1.globo.com/educacao/noticia/brasil-e-1-no-ranking-da-violencia-contra-professores-entenda-os-dados-e-o-que-se-sabe-sobre-o-tema.ghtml

https://exame.abril.com.br/brasil/brasil-esta-entre-os-8-piores-em-ciencias-em-ranking-de-educacao/

https://g1.globo.com/educacao/noticia/abandono-no-ensino-medio-alcanca-11-do-total-de-alunos-apontam-dados-do-censo-escolar.ghtml

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João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É arquiteto e artista plástico.