Sexo e política não se misturam: os políticos e o fetiche pela proibição

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Sexo e política não se misturam, pois a combinação é geralmente catastrófica. Mas parece que o deputado federal Marcelo Aguiar (DEM-SP) pensa diferente. Na verdade, para a mentalidade estatal, nada mais excitante do que a proibir algo. As categorias desse submundo são variadas: fazer com que fumantes sejam hereges; proibir o bronzeamento artificial; patrulhar a quantidade de sal consumida pelo cidadão; bloquear o Whatsapp por um dia e, como se não bastasse, criar projetos de lei para controlar a pornografia nos celulares.

Foi Marcelo Aguiar que trouxe essa novidade, pois alega estar preocupado com as pessoas que estão viciadas em pornografia e masturbação. Segundo ele:

“Estudos atualizados informam um aumento no número de viciados em conteúdo pornô e na masturbação devido ao fácil acesso pela internet e à privacidade que celular e o tablet proporcionam. Os jovens são mais suscetíveis a desenvolver dependência e já estão sendo chamados de autossexuais – pessoas para quem o prazer com sexo solitário é maior do que o proporcionado, pelo método, digamos, tradicional.”

 Consegue adivinhar qual a proposta do deputado? Pedir socorro ao Estado, apresentar um projeto propondo que as operadoras telefônicas criem uma forma de vetar “conteúdos de sexo virtual, prostituição e sites pornográficos”. Nem é preciso ser sexólogo para constatar aqui uma verdadeira atração pelas garras e músculos do Leviatã.

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 Compreendo que alguém possa se inquietar com a influência que a pornografia tem sobre o comportamento sexual daqueles que mantém um contato imoderado com ela.

Mas fazendo um trocadilho com Mises, não é porque existe a indústria pornográfica que as pessoas assistem pornografia; é porque as pessoas assistem pornografia que existe a indústria pornográfica. É evidente que o acesso a tal conteúdo pode impactar na sexualidade da geração presente, entretanto, estou certo de que a resolução do problema não passa pelas mãos do Estado. O Estado sexólogo é tão bom quanto o Estado empresário, ou seja, uma tragédia.

Se os jovens, como alega o deputado, são os mais suscetíveis a desenvolver uma dependência da pornografia, grande parte dos políticos são suscetíveis a desenvolver uma dependência do Estado. Se para Marcelo Aguiar os jovens estão sendo chamados de autossexuais, seria bom ele saber que deputados como ele estão sendo chamados de autoritários.

Talvez ele tenha esquecido, mas a pornografia, bem como o cigarro e a bebida alcoólica, já são proibidos para menores de dezoito anos. Duvido que ele tenha se esquecido disso, o que é ainda pior, afinal de contas, não está mais do que claro que vetar o conteúdo pornográfico seria tão ineficaz quanto proibir o cigarro e a bebida alcoólica? Isso para não falarmos de drogas como a cocaína e o crack. A educação dos jovens passa pelos pais, amigos, parentes, pelo “pequeno pelotão”, como diria Burke. Menores de idade que não fumam nem bebem não deixam de fazê-lo pelo fato de ser proibido, mas por questões de conduta que transcendem a legislação. Consciência nenhuma pode ser transformada por decreto.

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Mais relevante do que conter a excitação individual para com questões privadas é conter a excitação política para com questões públicas, afinal, ao passo que os excessos do primeiro afetam somente sua própria individualidade, os excessos do segundo afetam diretamente a coletividade, quer dizer, a sociedade.

Deputado federal se preocupando com a pornografia que as pessoas assistem nos celulares? Esses indivíduos realmente tem um fetiche pela proibição. Eles atuam como dominadores sexuais que, em vez da roupa de couro, usam terno e gravata, trocam o chicote pela caneta e usam os projetos de lei no lugar das algemas. Político querendo enfiar o Estado na individualidade. Isso sim é estupro! E cidadão que se excita com isso só pode ser sadomasoquista.

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Além do mais, seria interessante avisar Marcelo Aguiar que, como afirmou Freud: “Onde há proibição nasce o desejo”.

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Thiago Kistenmacher

Thiago Kistenmacher

Thiago Kistenmacher é estudante de História na Universidade Regional de Blumenau (FURB). Tem interesse por História das Ideias, Filosofia, Literatura e tradição dos livros clássicos.