Seis clássicos para entender melhor a política

A política está em nossas vidas.

Invariavelmente, ou estamos nela ou somos influenciados por ela. Não há como fugir disso. Com as redes sociais servindo como plataformas de difusão de informação, então, a coisa aumenta, pois, em se tratando de Brasil, a maioria das notícias são voltadas à política, devido ao acaloramento político dos últimos sete anos. As redes viraram mesas de debate – e embate. De fragmentos de discussões em fragmentos de discussões, grandes celeumas são formadas.

O fato é que a política se tornou o principal assunto num país em que, outrora, só se discutia sobre o último bloco do capítulo anterior da novela da oito. Isso é bom, apesar dos extremismos.

Cada vez mais, portanto, somos informados dos acontecimentos atuais e precisamos nos posicionar.

Nesse sentido, para poder discernir tanta (des)informação e separar o joio do trigo, sugiro, em meio a tantos livros importantes, a leitura de seis clássicos para trazer luz ao pensamento da ciência política. Não uso qualquer critério de estilo ou de relativa maior ou menor importância. As indicações são aleatórias. A correlação entre elas é o impacto que me causaram – e causam.

Vejamos:

1 – O Príncipe: esse clássico de Nicolau Maquiavel é leitura indispensável. Escrito em 1513, mas com a primeira edição sendo publicada somente em 1532, o livro influenciou o pensamento político a partir de então e suas teorias políticas são consideradas por muitos como das mais bem elaboradas pelo pensamento humano. Maquiavel, em O Príncipe, descreve métodos para conquistar e manter um principado. Uma – polêmica – aula de conquista e perpetuação no poder. Aplicado aos dias atuais, o livro nos ajuda a entender a mente de muitos políticos gananciosos e a compreender diversos sistemas e regimes de governo. Leitura leve e rápida.

2- Reflexões sobre a Revolução da França: Edmund Burke, considerado o pai do conservadorismo moderno, nos presenteia com um dos maiores clássicos do pensamento conservador em todos os tempos. Em forma de carta, o irlandês Burke fez suas observações sobre a Revolução Francesa a um correspondente seu na França. Não vou citar qualquer editora aqui. Uso uma versão recheada de notas de rodapé que ajudam o leitor a melhor entender o contexto no qual Burke escreve. Sugiro, também, que se use material de apoio para absorver o máximo possível. Alexis de Tocqueville é uma ótima opção, além de livros de história não ideologizados. Sobre datas, personagens, causas e consequências da revolução, também pode-se consultar alguma coisa na internet. Contudo, alerto, observe sempre a narrativa imposta. João Pereira Coutinho é um bom entendedor do tema, assina o prefácio da edição que tenho, inclusive. Ele é autor de As ideias conservadoras.

3 – A Revolução dos Bichos: entre os dois maiores livros do inglês George Orwell, o romance foi publicado no Reino Unido em 1945. É uma sátira ao comunismo soviético. Um deboche ao sistema. Stálin e Trótski são representados por dois porcos: Napoleão e Bola-de-Neve. A alegoria, que tem como enredo os bichos expulsando o Sr. Jones (ser humano) de sua fazenda mostra o que revolucionários na verdade querem: tomar o poder e nele se perpetuar de forma totalitária. Aproveito o gancho para indicar a outra grande obra de Orwell: 1984.

4 – Diplomacia: o livro escrito pelo ex-secretário de Estado americano, Henry Kissinger, nos apresenta bastidores da diplomacia de países importantes ou considerados protagonistas no cenário político nos séculos XIX e XX. Estou na metade dessa leitura, mas já aprendi um bocado com um dos maiores especialistas em relações internacionais de todos os tempos. Leia!

5 – Como ser um bom conservador: acabamos de perder nosso querido Sir Roger Scruton. Entre tantos livros, indico esse. Fala com maestria sobre vários temas, nos quais insere a posição do verdadeiro conservador. Multiculturalismo, soberania nacional, ensino, capitalismo, liberalismo, socialismo… Um livro que vale a pena ser lido.

6 – O Manifesto Comunista: sim, estou indicando essa latrina ideológica. Sinta o cheiro de sangue e entre na mente assassina de Karl Marx. O livro me ajudou a entender que essa gente não brinca em serviço. O Manifesto é uma convocação ao extermínio dos burgueses. Não indico O Capital. Volumes densos e repletos de abobrinhas contra o empregador, contra a “Mais-valia”e contra o “fetichismo capitalista”. Amigos próximos a Friedrich Engels contestaram a obra, afirmando que a mesma necessitava de uma boa revisão. Acontece que o prussiano Karl Marx não parte de uma hipótese, mas sim de uma conclusão já imposta e imutável. Ou seja, ele escreve o livro de trás para frente. Que tipo de cientificidade é essa? Mais tarde outros pensadores arrebentaram as teses famigeradas de Marx, como Ludwig von Mises, por exemplo.

Àqueles que não leram, espero que essas indicações possam contribuir. No Brasil há muitos excelentes autores e pensadores, como o nosso Paulo Francis, que já partiu, Percival Puggina, Rodrigo Constantino, Diego Casagrande, entre tantos outros. Leiam!

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer

Jornalista diplomado pela Universidade Feevale (RS). Trabalhou no Jornal NH e foi gestor de negócios da Rádio ABC. Ambos veículos do Grupo Editorial Sinos. Atualmente, é colunista do Instituto Liberal, do site Opinião & Crítica e trabalha como assessor de imprensa e comunicação.