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Sobre pesquisas eleitorais

Sou daqueles que acreditam em pesquisas. Estatística é uma ciência e as pesquisas, quando bem delineadas e aplicadas, são ótimas ferramentas de verificação de tendências.

Mas como qualquer atividade humana, elas dependem de metodologias corretas, principalmente da estratificação do universo pesquisado, e da boa aplicação dos questionários. Portanto, estão sujeitas a equívocos e imprevistos.

Já fui entrevistado por telefone pelo menos duas vezes neste ano. Em ambas os casos, foram questionários longuíssimos, cansativos, repletos de redundâncias e aplicados por entrevistadores que pareciam completamente despreparados para aquele serviço. A chance de haver entrevistas repletas de contradições é enorme.

Não por acaso, temos hoje institutos com resultados muito discrepantes entre eles, mesmo aqueles que apontam para resultados comuns.

Não acredito em grandes conspirações. Até porque são muitos institutos e milhares de pessoas envolvidas. Acho que existem alguns equívocos metodológicos, de estratificação e modelagem de perguntas, assim como falta de treinamento adequado para os entrevistadores e muito viés ideológico envolvido.

Não nos esqueçamos de que já se vão doze anos desde o último censo demográfico em Pindorama. Características como renda e escolaridade, entre outras, podem mudar bastante neste período.

O que importa realmente é que pesquisas não substituem o voto. Quem duvida, basta dar uma olhada no que aconteceu em 2018 no Rio de Janeiro, onde as pesquisas da véspera do pleito traziam resultados muito diferentes do resultado oficial, apenas um dia depois (algo muito semelhante aconteceu também em Minas Gerais).

Minha sugestão: fiquem de olho nas pesquisas, todas elas, mas sempre com os dois pés atrás, e não acreditem naqueles que dizem que a coisa toda já está decidida…

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.