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Republicanos, Democratas e a sinalização de virtude

Não é de hoje que vemos as redes sociais sendo usadas como celeiro de sinalizadores de virtudes. Trata-se daquele pessoal do politicamente correto que, ainda que não seja maior em números, faz bastante barulho para defender suas pautas e promover o cancelamento daquilo (e de quem) não ratifica seus ideais.

A sinalização de virtude, contudo, vem cultivando outros terrenos mais férteis e eficazes na defesa de pautas ideológicas. Nos EUA, o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, tem atormentado toda a indústria de combustíveis fósseis em razão das suas próprias preocupações acerca das mudanças climáticas.

Ainda na alçada democrata, Procuradores-Gerais (os chamados Attorneys Generals) usam o Departamento de Justiça americano na perseguição às indústrias fabricantes de armas, das companhias de seguros e das próprias montadoras de automóveis, sob subterfúgios legalistas, como a alegação de que investimentos em carvão dos fundos de pensão arriscam a saúde fiscal do país a longo prazo.

Apesar das duras críticas à política de sinalização de virtude para a conquista de pautas progressistas pelos democratas, bem como a defesa da primazia de tratamento igualitário às empresas, o Partido Republicano falha na tentativa de equilibrar os engodos da esquerda e passa a reproduzir sua tática.

Nos estados controlados pelos republicanos, empresas não alinhadas com seus propósitos são punidas não apenas pela natureza dos seus negócios em si, mas pelas opiniões políticas que seus líderes expressam publicamente. O caso mais recente envolve o governador da Flórida, Ron DeSantis, que quer punir o Twitter porque o conselho de administração falhou em impedir a compra das ações por Elon Musk, o que violaria o dever fiduciário do board.

Ainda na Flórida, DeSantis prometeu alterar as regras especiais de zoneamento que dão à Disney privilégios de uso da terra. A decisão pouco tem a ver com a influência e os subsídios da Disney no estado. O ímpeto de punição se deve à oposição da corporação à legislação “Don’t SayGay”, que, basicamente, limita a discussão de orientação sexual e identidade de gênero nas escolas.

Os movimentos de DeSantis em relação à Disney estão sendo vistos como discriminatórios por boa parte da população. Em analogia, é como se, para receber determinado benefício do governo, o sujeito tivesse condicionado a assinar um compromisso de não criticar uma política ambiental, por exemplo.

Nos dois casos, Califórnia e Flórida, temos o uso do poder estatal para a perseguição de opositores corporativos. Entretanto, em meio a trocas de acusações e militância partidária, JaredPolis, o governador libertário do Colorado, trouxe um pouco de luz ao debate. Em um tuíte, Polis afirmou que os ataques socialistas autoritários da Flórida ao setor privado estão afastando as empresas e que, no Colorado, não há intromissões em assuntos de empresas como Disney ou TwitterO governador finalizou sua fala com um belíssimoHey @Disney we’re ready for Mountain Disneyland and @twitter we’re ready for Twitter HQ2, whoever your owners are.” (“Ei @Disney estamos prontos para Mountain Disneyland e @twitter nós estamos prontos para o Twitter HQ2, quem quer que sejam seus donos”, em tradução livre).

A lição que fica é aquela já ensinada por John Philpot Curran: “o preço da liberdade é a eterna vigilância.”. É preciso acompanhar de perto todo e qualquer uso de autoridade que tenha como objetivo a promoção de agendas de sinalização de virtude que, em última análise, violam a liberdade em prol de um disfarçado benefício social.

Juliana Maia Bravo Klotz – Associada Trainee do Instituto Líderes do Amanhã.

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