“Quem nos salvará?” Só espero que não seja o modelo sueco

Se existe algo que me impressiona, é essa sincera, obstinada e tola idolatria pelo modelo escandinavo. Os países onde os direitos humanos são respeitados, afinal, deveriam ser os mais felizes e com menos problemas, não? Não.

Se entendermos “direitos humanos” como a agenda da ONU ou dos partidos ligados ao pensamento da New Left (quase todos), a Suécia, hoje, é um verdadeiro inferno para muita gente. Ouse ser tradicionalista, ouse passar valores cristãos com seriedade para sua família, e correrá o risco de perder a guarda de seus filhos. Ouse questionar políticas de imigração na Suécia, e poderá ser preso por racismo, xenofobia… ou por islamofobia, mesmo com todos os problemas que o islã levou para a Suécia.

Mas nada disso escandalizou Afonso Borges, um articulista do jornal O Globo. Se a bandeira é a dele, se a Suécia é campeã dos ditos “direitos humanos”, já se tem uma palavra-gatilho para crer que o país escandinavo é o paraíso na Terra, a não ser por algumas coisas… como as presenças de grupos neonazistas.

Que o nazismo sobreviveu (ao menos uma casca deste) a derrota de Hitler na II Guerra Mundial, todos sabem. Grupelhos neonazistas existem mundo afora, espalhando racismo, intolerância e, nos casos mais graves, mortes. Mas os simpatizantes ao nazismo sempre foram uma minoria, após os anos quarenta do século passado; porém, não se pode negar que esses resquícios (embora bem mudados) do nazismo não sejam um mal, um prejuízo para qualquer sociedade.

A Suécia tem seus grupos nazistas também, o que sem dúvida é uma mancha para a sociedade sueca, mas nem de longe esse é o problema mais elevado do país. O islamismo crescente, a força da Sharia, o politicamente correto que está sufocando a população tradicional, a ideologia de gênero, o aborto… todos causam mais mazelas do que o nazismo.

Vejamos: o número de pessoas que, tendo “trocado” de sexo (algo incentivado na Suécia) que comete suicídio é alarmante… e o fato da “mudança” sexual é uma das fontes do suicídio; o aborto causa males para a mulher que aborta, que pode morrer no processo, pode ficar estérea, cair em depressão, cometer suicídio, além de trazer traumas psicológicos para a assassina do próprio filho (isso sem contar a criança que é morta pela vontade da própria mãe… a quantidade de crianças abortadas no mundo qualifica um verdadeiro genocídio); o número crescente de muçulmanos está mudando a cultura sueca. Os costumes, os conceitos de certo e errado e, no fim, as leis serão mudadas de acordo o crescimento da população de muçulmanos suecos. A Sharia não parecerá tão distante da lei sueca, em algumas décadas – mas isso não é um problema. O problema maior está na minoria neonazista.

E em paralelo ao problema da Suécia, o senhor Borges aponta seu dedo crítico para o Brasil, para os direitistas. A direita brasileira, claro, seria igual aos neonazistas, malgrado admire o Estado de Israel e sua bandeira, não acredite na desigualdade racial na humanidade, não tenha políticas eugenistas… O direitista que preza pela moral é próximo de um nazista. Mas… por que ele seria?

Bolsonaro, Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino, Alexandre Borges, Bruna Luiza, Bruno Garschagen, claro, devem promover leituras sobre o nortismo, racialismo, política de classes, devem ressuscitar o nacionalismo integralista em editoras… ao menos na cabeça de Afonso Borges.

Theodore Dalrymple? Roger Scruton? Thomas Sowel, Russel Kirk, Chesterton, Meira Penna, Ortega y Gasset? Não. Esses autores possivelmente devem ser desconhecidos para Afonso Borges. Ao que parece, o ato de se escandalizar com a possibilidade de uma criança tocar qualquer parte de um homem nu em um museu de “artes” é o critério para ter um parentesco de mentalidade com neonazista, segundo Borges. Não importa se a direita brasileira, por mais plural que seja, rejeite as doutrinas econômicas, ideológicas e políticas do nazismo; não interessa se, em suas leituras, os direitistas do Brasil se afastem completamente do nacional socialismo alemão do século passado, se desprezamos a imagem do regime nazista, se detestamos o legado que o nacional-socialismo de Hitler deixou para o mundo. O critério, claro, é se nós consideramos crime ou não uma possibilidade latente de abuso de menores.

Mas isso, para o senhor Borges, é sinônimo de atraso. A civilização no Brasil necessita caminhar para a civilização da Escandinávia.

Vejamos o penúltimo parágrafo de seu texto:

Hoje, até na Suécia, onde comparações se tornam inevitáveis, religião, política, arte e literatura estão em permanente divórcio civilizatório. Bom mesmo é discutir se performance artística é pedofilia ou se exposição de quadros tem ou não zoofilia. Vivemos, mesmo, é uma distopia. Quem nos salvará?”.

Quem se afastar da Suécia não estará salvo. Os que defendem os valores tradicionais, a moral, são dignos de comparação com um nazista. Já que é essa a criteriologia de Borges, vamos então aplicá-la em outras épocas de nossa História, uma vez que o autor está pouco se lixando para qualquer coisa concreta no nazismo, importando-se apenas com o fato de zelar, ou não, por uma moral que ele considera atrasada.

Aplicando a sapientíssima categoria nazista de Borges, chegaremos às conclusões: O Império Britânico vitoriano era paralelo ao nazismo, vide o puritanismo pujante que possuía – e, na realidade, a própria Grã-Bretanha de Churchill também seria próxima ao nazismo! Vide que homossexuais poderiam ser presos coercitivamente, apenas por serem homossexuais –; o calvinismo renascentista também seria quase que um fenômeno nazista, uma vez que este também era puritano, onde as pessoas tinham um código de vestimentas rigoroso, a moral sexual era fortíssima, os comportamentos eram tolhidos, moldados e recortados segundo uma moral superior; ainda na renascença: a Espanha do século XV também seria estupendamente próxima ao nazismo. O Édito de Granada simplesmente expulsou todos os judeus do reino espanhol, na época; A República de Florença era quase uma Berlim de 1940, já que homossexuais eram perseguidos e presos, por conta de sua sexualidade – a heráldica de Florença devia usar a suástica, claro, na mente de Borges –; os espartanos, famosos por sua eugenia para criar uma elite de guerreiros para a guerra deveriam ser aspirantes da SS. E os judeus? Os judeus, pelo critério progressista de Borges, são irmãos dos nazistas! Todas as leis de conduta moral e pública no livro dos Levíticos e nos Números são a cara do Mein Kampf! Todos os Juízes e levitas que propagavam e reforçavam essas morais deviam ser comparados aos ideólogos nazistas. E o que falar dos monarcas de Israel? Davi era um nazistinha chocando em sua casca. O que se fez com Saul foi uma pancada na pluralidade religiosa, já que ao menos Saul admitia as feiticeiras e feiticeiros em seu reino.

Tudo o que escrevi acima tem um único defeito que gera todo o absurdo contido no critério de Borges: anacronismo. O nazismo tem sua época, seu contexto, suas precedências e características singulares. Retirar um fenômeno e um movimento político de seu lugar exato e necessário da História e transportá-lo para fora dela, para um cenário alienígena, é justamente a irracionalidade que o senhor Borges comete.

George Orwell, em seu excelente ensaio “O que é o Fascismo?”, deu exemplos da Inglaterra dos anos quarenta sobre o modo indevido que outras pessoas eram acusadas de “fascistas”. Orwell salientava que a concretude política e econômica do fascismo era deixada de lado, e tal palavra foi sendo usada apenas como um mero palavrão, para chamar o outro de “troglodita”, ou seja: ignorava-se a realidade em prol de um xingamento político.

Talvez, se usarmos esse critério de Borges, Orwell também seja relacionado ao nazismo – o que não me impressionaria; mas só poderia ser porque tal critério é irracional, desprovido de qualquer bom-senso, de qualquer contato com a realidade. Não chega nem ser uma intuição básica, mas apenas algo vazio, sem sentido, frio e descabido. É um soluço tentando ser uma respiração.

O texto de Afonso Borges é pequeno, apenas um breve comentário sobre generalidades suecas e brasileiras, mas ele é oportuno para uma única coisa: nele conseguimos ver uma mentalidade progressista que nega enfaticamente a realidade. A Suécia, com seus abortos, consegue ter oficialmente um apoio para a eugenia (mesmo que indireto); com suas censuras para quem reclama do Islã, consegue ser oficialmente atacar a liberdade de expressão… ela é bem mais parecida com a Alemanha nazista, também eugenista e também contrária a liberdade de expressão, do que o Brasil, mas o progressismo cega a capacidade analítica de Borges.

Para ele, a Suécia é um futuro que deve servir de exemplo para todos no mundo. Fechará os olhos para os males suecos, assim como fechará para as características básicas da direita no Brasil.

Sejamos francos: graças a Deus não somos parecidos com a Suécia no quesito de Direitos Humanos. Se desligar da religião na arte e na política foi o que transformou aquele país no Inferno que é hoje… também será o que o transformará em um Inferno com base da Sharia, amanhã.

Quem nos salvará?” Só espero que não seja um sueco (se ainda existirem suecos, em algumas décadas; duvido que se passe muito tempo sem uma verdadeira guerra religiosa naquele país).

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