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Qual o valor da sua liberdade?

Benjamin Franklin disse a seguinte frase: “Aqueles que se dispõem a renunciar à liberdade essencial em troca de uma pequena segurança temporária não merecem nem liberdade, nem segurança”. Proponho a você, leitor, refletir: que caminhos seguimos quando pensamos em nossa liberdade, e de quanto abrimos mão, por um pouco de segurança?

Quando pensamos sobre a segurança ou a estabilidade no trabalho, vamos citar Friedrich Hayek, em seu livro O caminho da servidão, afirma que, à medida que a quantidade de privilégios aumenta, tem-se uma escala diferente de valores sociais, em que o status lhe é dado mais por seu direito à segurança do que pela sua capacidade e liberdade. Escolher uma pequena estabilidade, uma pensão garantida ao invés do desenvolvimento e crescimento pessoal, é a escolha de ter sua liberdade sacrificada e perder grande parte das coisas boas da vida. O hiato entre a segurança de privilégios de cargos políticos e as dificuldades de empreender no Brasil é compensado, para os que escolheram a segunda opção, pela liberdade de ter voz, de ter a possibilidade de escolha, mesmo mediante as condições que são impostas, que insistem em delimitar.

Em situação de pandemia, a liberdade do empreendedor de abrir o seu comércio foi retirada por meio de decretos, feitos pelos governantes estaduais. Foram compulsórias as restrições ao comércio, fazendo-o manter-se fechado por dias, e, posteriormente, foram feitas algumas exceções de horários para abrir. Assim, fizemos uma descoberta: que a palavra “essencial” apresenta um novo sentido, um tanto quanto subjetivo, afinal, o que é não essencial para você, pode ser essencial a mim. A esses comerciantes, foi dado o direito à isenção de impostos? Para eles não houve trégua, não houve vantagens, o que houve foi a abolição do livre mercado. Para outros, a liberdade de sair, a liberdade do transporte público, a liberdade de trabalhar e outras liberdades foram compradas pela sensação de segurança de um auxílio.

Quanto à liberdade de ir e vir, será que ela foi substituída pela frase mais repetida no último ano, “fique em casa”? O que se ouviu na mídia, nos telejornais e nos meios de comunicação de massa foi a falsa liberdade prometida ao povo, que se resume em lives e mais informações negativas vinculadas pela televisão. Não se viu liberdade de escolha e decisão, de qual momento e em qual situação eu devo me privar de minha liberdade. Vimos, em reportagens, a coerção policial com aqueles que insistiam em circular pelas ruas e praias. Vimos cancelamentos digitais de pessoas públicas, por estarem agindo contra os comandos “fique em casa”, e vimos até pessoas que pronunciavam essa famosa frase, quase como uma ordem, serem vistas desrespeitando-a secretamente.

Nunca se deu tanto valor a poder encontrar os familiares, a proporcionar aos avós um abraço dos netos, estar entre entes queridos e em ter muitas pessoas reunidas para festejar. Essa falta de liberdade se potencializou à medida que as restrições de pandemia foram aumentando, e, ao mesmo tempo, só se queria, por uma parte da população, ter a liberdade de escolha. Com a responsabilidade individual, cada indivíduo adulto consegue se colocar em risco, ou não, da maneira que bem entender. Porém, só está preparado para assumir suas liberdades quem também está disposto a admitir suas responsabilidades individuais, e conclui-se que esse tem a liberdade intelectual.

A realização da liberdade do indivíduo é ser agente de mudança no meio em que vive. Quando o seu valor é reconhecido pelo mérito de sua importância no seu meio, você tem a responsabilidade individual de se apoiar em recursos próprios, para ter a felicidade em ser livre. Se não há liberdade e o indivíduo se apoia na segurança limitada que lhe é garantida pelo Estado, esse indivíduo não é merecedor, nem de liberdade, nem de segurança, nem de felicidade.

*Artigo publicado originalmente no site do Instituto Líderes do Amanhã por Samara Gnocchi Repossi.

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