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Por que sou contra as drogas e o seu combate como política pública?

Recentemente a Globo reprisou a novela “A Força do Querer”. A novela do Sabiá. Toda novela tem um herói e nessa o “bem de vida”, o “benevolente” e “todo poderoso” era ele, o Sabiá, chefe do tráfico de drogas do morro.

Nas novelas da Globo todo empresário é bandido, corrupto ou cretino. Sujeitos comuns com moral elevada são descritos como idiotas caricatos.

A Globo tem que dizer o que ela pretende. Glamourizar a vida no morro tem qual propósito? Indignar a sociedade para tirá-la do eterno conforto da passividade ou querer desenvolver uma nova matriz de moralidade?

Eu sou tão contra o uso de drogas como sou contra essa guerra irracional e nefasta.

Ela é um paliativo que faz a sociedade sangrar ainda mais do que se a produção e o consumo de entorpecentes estivessem submetidos às regras do livre mercado, onde, na minha opinião, a concorrência preservaria mais a saúde e o bolso dos usuários.

A Guerra às Drogas atraiu para esse mercado (falsamente tido como clandestino, mas claramente onipresente, dominado por seres que se acham onipotentes) gente sem remorso e sem limites, que não respeitam a vida, a liberdade, a propriedade e a felicidade de ninguém.

A Guerra às Drogas cria o cenário propício para a corrupção de vários agentes do Estado que se abastecem do dinheiro do tráfico e dos impostos em proporções desconhecidas.

A Guerra às Drogas muda o entendimento de qual é o papel do governo e até onde podem as instituições e corporações estatais suprimir a liberdade individual sob o pretexto da tutelar pessoas adultas como se o Estado fosse o seu responsável.

Que mensagem bacana a Globo passa para os jovens – “vejam o que o tráfico proporciona” – lucros exorbitantes que permitem pendurar no pescoço do ousado chefão um quilo de ouro. Além disso, ter uma destacada participação em alguma reportagem que transforma uma ação policial em uma guerra entre Estados.

E sou contra a Guerra às Drogas como política pública.

A guerra contra a inconsciência e a dependência é individual e ela deve ser travada contra as drogas entorpecentes tanto quanto contra os governos que nos submetem à opressão manipulando os nossos medos.

* Versão adaptada de artigo publicado originalmente em agosto de 2017.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.