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Por que ficar refém da indústria local é um erro?

Boris Johnson, Trump e Benjamin Netanyahu estão entre os líderes mundiais que mais se empenharam pela vacina; não por acaso o Reino Unido, os Estados Unidos e Israel são destaques na vacinação em massa. As razões de Bolsoanaro para ter se distanciado desse trio que em outros assuntos ele toma como referência são uma questão intrigante, mal explicada e de graves consequências.

Provavelmente são muitos motivos, mas o que mais me chama atenção é o nacionalismo econômico tacanho que parece ainda estar impregnado nos meios militares. Não são poucas as declarações de Pazuello defendendo o uso de vacinas produzidas no Brasil por serem produzidas no Brasil. A resistência da Anvisa em aceitar testes realizados fora do Brasil é outro indicador que dá suporte à tese da produção local.

O governo agora está sendo corretamente criticado por não ter negociado com a Pfizer no ano passado. As críticas surgem de todos os lados e, ao contrário de outras de caráter subjetivo, constituem um ponto objetivo. É difícil negar que, se o Brasil tivesse as doses da Pfizer, mais brasileiros estariam imunizados.

Pois bem, onde estão agora os defensores da produção local? Não tenho a menor ideia. O que sei é que não é a primeira vez em que um governo prejudica a população em nome desse nacionalismo econômico de botequim e fica sozinho na hora de “pagar o pato”. Sinto pela população, da qual sou parte, mas do governo não tenho dó alguma; pelo contrário, é merecido.

Quem sabe um dia governos de esquerda e de direita aprendam que ficar refém da indústria local é um erro… Quanta miséria e agora quantas mortes serão necessárias para entendermos que quanto mais opções, melhor?

É bom que o governo finalmente tenha decido comprar vacinas da Pfizer e outras produzidas no exterior, antes tarde do que nunca; da mesma forma, vai ser excelente se a Anvisa parar de criar dificuldades para a Sputnik V. Venham de onde vierem, quanto mais vacinas, melhor!

Roberto Ellery

Roberto Ellery

Roberto Ellery, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), participa de debate sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos em longo prazo das políticas de investimento.