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Por que a esquerda não está pedindo boicote contra a Globo pelo caso de assédio sexual?

Sábado passado a Rede Globo transmitiu a luta de Mike Tyson, um homem condenado por estupro de uma adolescente de 18 anos. O interessante é que a mesma Globo fez um escândalo devido à contratação por parte do Santos Futebol Clube do atacante Robinho – Robson de Souza, também condenado por estupro.

Ontem saiu na Revista Piauí como a Globo acobertou os casos de assédio sexual de Marcius Melhem contra várias atrizes e funcionárias da emissora. Não é a primeira vez que a corporação se envolve em polêmicas do tipo: em 2017, a figurinista Su Tonani levou à direção da Globo um caso de assédio feito pelo ator José Mayer a ela. A empresa não tomou nenhuma providência até o caso vir a público.

O que aconteceu com a Rede Globo é muito mais grave do que o que aconteceu com Rodrigo Constantino. Porém, nem a Sleeping Giants, nem o Felipe Neto, nem aquele monte de influenciador lacrador vai pedir boicote à emissora como fizeram com a Gazeta do Povo e a Jovem Pan News – ambas empregadoras de Constantino. Neste texto vamos explicar o porquê.

Não convém financeiramente à turminha da lacração e do cancelamento “cancelar” a Globo. Alessandra Orofino é uma das “donas” da Sleeping Giants do Brasil e trabalha com Gregório Duvivier no programa GregNews. Como é sabido, Duviver trabalha para a Rede Globo e, obviamente, não tem o menor interesse em ver quem paga suas contas prejudicado. Há alguma chance de Orofino se indispor com seu chefe? Zero.

Felipe Neto também vai ficar caladinho e não vai dar um pio contra a Globo. Motivo? Ele é sócio da Play9, que, de uma maneira bem resumida, gerencia a carreira e cria conteúdo para influenciadores digitais. E quem são seus clientes? Acertou quem disse “gente da Globo”: entre eles estão, por exemplo, Fátima Bernardes (apresentadora), Carol Barcelos (repórter) e Rafa Kalimann (atriz). Há alguma chance de Felipe Neto brigar com quem paga seus clientes? Zero.

Você também não vai ver ninguém do PSOL 50 pedindo boicote à Rede Globo. Vários financiadores do partido estão nos quadros da emissora, como Mateus Solano, Fernanda Lima e Gregório Duvivier. Em 2016 foi lançada a campanha “Eu Financio Freixo”, com o objetivo de arrecadar doações para o então candidato Marcelo Freixo à prefeitura do Rio de Janeiro. Na peça publicitária estava gente de peso da emissora: Marieta Severo, Zezé Polessa e Patrycia Travassos. Há alguma chance de o PSOL 50 arrumar confusão com a empregadora de seus financiadores? Zero.

Uma das coisas que a ciência econômica nos ensinou é que as pessoas reagem a incentivos. Porque um serviço privado tende a ser melhor que um público? Grande parte da explicação passa pela falta de incentivos no segundo: o dinheiro vai cair na conta dos concursados no final do mês independente do que acontecer. Não há incentivo nenhum para a turma da lacração pedir boicote à Rede Globo, pois todos dependem dela, de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente.

Por isso a classe artística está calada: não convém a eles bater no papai Globo porque amanhã pode ser que uma porta seja fechada. Já imaginaram se fosse o Emílio Surita no lugar de Melhem? Toda a Zona Sul do RJ estaria pedindo boicote à Jovem Pan News. Esta diferença acontece porque a JP é um alvo mais fácil que a Globo.

A luta por uma causa costuma parar quando chega no bolso. Por isso, nunca leve a sério lacrador da Zona Sul do Rio de Janeiro. Quando essa turma mostra indignação com algo, 99% das vezes é da boca para fora – eles estão querendo apenas se promover em cima de uma causa para ganhar aplauso e tapinha nas costas.

*Artigo publicado originalmente na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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