Pense num povo chato: modelo muito magra não pode; gordinha também não?

Foi o Reino Unido o alvo da vez da patrulha politicamente correta. Uma agência do governo britânico (a ASA, ou Autoridade de Padrões de Propaganda), a partir de denúncias formuladas por cidadãos “preocupados com o machismo e a imposição de conceitos estéticos”, considerou “ofensivo” um comercial de videogames protagonizado por três modelos plus-size. O órgão estatal optou, assim, por banir a ação de marketing da Televisão, pelo fato de que esta, supostamente, “objetifica mulheres sexualmente”.

Tratava-se de uma campanha de promoção do jogo de celular Strike, e suas cenas mostravam mulheres de trajes de banho jogando em seus smartphones. Mas a ASA viu além, por meio de sua lupa ideologicamente calibrada: “Nós constatamos que em alguns momentos o gestual das mulheres era sedutor e sensual”. Também foi alegado que as moças “não guardavam relação alguma com o objeto a ser promovido”.


Então vamos ver se dá pra entender essa joça: a ideologia de gênero nos enche os culhões diariamente (e principalmente dos estudantes em escolas) afirmando que não existe tal coisa de “diversão de homem” ou de mulher, que todos podem fazer (e ser) aquilo que sentirem como sendo mais condizente com suas aptidões e propensões (incluindo jogar futebol), e… agora vem estes tecnocratas dizerem que mulheres “não têm nada a ver” com jogos de guerra? Haja contradição!

Os desenvolvedores do comercial afirmaram que a intenção foi utilizar um modelo de mulher real, e que pretendiam remeter, quando selecionaram as garotas mais cheinhas, às amazonas guerreiras, como a Mulher Maravilha. Argumentaram ainda que a indústria de videogames tem sido atacada continuamente por fazer uso de personagens femininas com corpos “irreais” (como a famosa Lara Croft), e que, para tentar limpar sua barra com os movimentos barulhentos de plantão, adotaram a estratégia de contratar mulheres estilo “body-positive” (não pode mais falar gorda pelo jeito, né? Ops, escapou, foi mal).

Sabem a maior ironia nesta história? o mais recente polêmico caso de banimento promovido pela mesma agência foi no rumo oposto, quando um fabricante de whey protein levou ao ar (e a outdoors) um comercial onde uma linda modelo, usando biquíni, questionava as espectadoras: “você está pronta para este verão?”, dando a entender, segundo a ASA, que somente mulheres longilíneas (vai que não pode mais falar magra também, né….ops, escapou de novo) poderiam usar biquíni nas praias. E agora, quando moças “brevilíneas” (será que tá bom assim?) estrelam a peça publicitária vestindo traje de banho, também desagradam os agentes estatais e os vigilantes de redes sociais. 

Qual seria, afinal, a solução para estes publicitários? Não incluir mulheres nos comerciais? Ah, mas isso seria sexista demais. Vesti-las da cabeça aos tornozelos? Proposta tentadora nestes tempos de aliança entre esquerda feminista e Islam, mas também poderia ser visto como preconceito com os nudistas, possivelmente.

A situação é complicada mesmo para estes profissionais, especialmente levando em conta a cereja do bolo das razões apontadas para a proibição de veiculação: o fato de que alguns trejeitos das moças seriam “muito sedutores”. Que estranho: eu seria capaz de jurar que os “conservadores puritanos” é que deveriam ficar indignados com isto.

O que ocorre, todavia, é que setores da esquerda inglesa é que reagem com esta ferocidade toda. Parece que o afã de imiscuir-se na vida alheia, posar de bastião da “consciência social” e fomentar divisões entre supostas vítimas e seus opressores são fatores que falam mais alto que a própria escala de valores desta galera, não é?

Ademais, é preciso deixar claro que quem associa automaticamente qualquer movimento de quadril de uma mulher com sexo está precisando mesmo é de terapia para deixar de ser tarado…ou de mulher mesmo, quem sabe.

Estão vendo no que dá ficar criando ministérios e secretarias cuja função é zelar pelo “tratamento igualitário” e balelas da mesma espécie? Bom, seus agentes não podem ficar (o dia todo) sem fazer nada, e, ao buscar serviço, vão acabar provocando este tipo de confusão. Não quer que este tipo de conflito aconteça? Só extinguindo estas nulidades em forma de ente governamental!

A criatividade deste povo chato para encher a paciência não tem limites, e não passa nem perto de suas mentes intervencionistas permitir que os próprios consumidores decidam quais anúncios são de mau gosto – opinião que eles manifestariam deixando de comprar os bens por estes ofertados. Mas isso não demandaria mais Estado, né; ao contrário…

Ricardo Bordin

Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR.