Pauta concreta muda o Brasil. Protesto difuso só desabafa
A política brasileira já mostrou isso na prática. As grandes manifestações de 2015 não eram genéricas. Tinham um objetivo claro e institucional: o impeachment de Dilma Rousseff. Foram essenciais para o fim do governo petista. Havia pauta, alvo e consequência.
Depois de 2018, a direita passou a ocupar as ruas apenas para protestar. Contra “tudo isso que está aí”, contra o “sistema”, contra a “injustiça”. Mobilizações emocionalmente legítimas, mas politicamente inofensivas, exatamente pela falta de objetivo definido.
A exceção foi 07 de setembro de 2021. Ali havia uma pauta objetiva: “Fora Alexandre de Moraes”. Havia nome, cargo, poder e conflito institucional claro. Foi, disparado, a manifestação pós-2018 com maior engajamento e maior potencial real de mudança, e exatamente por isso foi a oportunidade mais desperdiçada.
No dia seguinte, 08 de setembro, veio a carta de capitulação do ex-presidente Bolsonaro ao STF, redigida sob influência decisiva de Michel Temer, enterrando o único momento em que a pressão popular tinha direção, alvo e consequência possível.
Isso não é coincidência. Pautas concretas geram desgaste político, mas produzem resultados. Pautas difusas geram conforto, mas não mudam nada.
Em janeiro, ocorreu um momento decisivo para a direita nacional. De um lado, um protesto com pauta clara puxada pelo MBL: a investigação do Banco Master e a potencial queda do Regime PT-STF-Centrão, pois todos estão envolvidos nesse escândalo. De outro, um protesto difuso: a caminhada de Nikolas Ferreira por “justiça e liberdade”. Temas com que toda a direita concorda, e com lindo engajamento, mas sem nenhum potencial de mudança. Um desperdício completo de energia.
Sem pauta concreta, manifestação vira ritual. Com pauta, vira mudança social.
A direita brasileira precisa tomar uma decisão sobre o que quer ser e onde quer chegar. E isso passa pelas escolhas dos meios adequados aos fins pretendidos.
Aguardemos os próximos capítulos.



