Pau que dá em Chico não dá em Francisco

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Nos últimos anos, nós vimos uma crescente da chamada “cultura do cancelamento”, acompanhando o linchamento de várias figuras públicas pelos bastiões da moralidade da esquerda ou, como chamaria Thomas Sowell, os ungidos.

Lembremo-nos de um dos maiores cancelamentos que tivemos, o do influenciador Bruno Aiub, mais conhecido como Monark. Em fevereiro de 2022, Monark alegou que acreditava que os nazistas deveriam ter o direito de fundar um partido no Brasil. Na época, a declaração repercutiu em praticamente todos os meios de comunicação, chegando até ao Jornal Nacional, e ele saiu do Flow – podcast do qual era um dos apresentadores -, teve sua reputação destruída, além de ter virado alvo da justiça.

Antes de continuar a desenvolver o assunto, vamos deixar algo bem claro: Monark claramente disse uma besteira muito grande. Deixar nazistas terem legalmente um partido no Brasil seria ignorar os horrores ocorridos há menos de 100 anos. Dito isso, vamos adiante.

Em Julho deste ano, a militante de extrema-esquerda Mandi Coelho disse em um podcast que o Hamas é um PARTIDO POLÍTICO, e, não satisfeita, disse que o que aconteceu em Israel no dia 07 de outubro de 2023 foi uma OPERAÇÃO POLÍTICA. Para quem não se lembra, naquela data, o Hamas coordenou um atentado terrorista que resultou na morte de bebês, na violência sexual contra mulheres e em outras atrocidades.

Agora pergunto: após dizer algo muito mais grave que o Monark, ela foi cancelada? Apareceu no Jornal Nacional? Você viu os bastiões da moralidade defendendo os Judeus? Aí não, né; como ela faz parte da turma do “amor e da democracia”, está liberado!

Esse foi apenas um exemplo de vários, como:

  • Em julho deste ano, a Justiça acatou uma denúncia contra a vereadora de Criciúma Giovana Mondardo(PCdoB), dando conta de que a vereadora se refere ao ex-secretário de assistência social do município como “capitão do mato”. Observação importante: ela é branca.
  • Em 2021, o ator José de Abreu disse em suas redes sociais que, se encontrasse a deputada Tábata Amaral na rua, a espancaria até ser preso.

Faço as mesmas perguntas: você viu grande repercussão nesses casos? E faço mais uma indagação: se fosse alguém da direita, o tratamento seria o mesmo?

A realidade é que, para a esquerda, pouco importa o que foi dito, mas sim quem disse. A suposta defesa das minorias desaparece imediatamente quando o agressor é algum “camarada”.

Eles conseguem agir assim por um simples motivo: o controle cultural e da mídia, que hoje eles possuem. Basta ver na Globo, por exemplo, que, cada vez que o presidente Lula fala alguma besteira, ou é ignorado ou é feita uma boa e bela “passada de pano” – além de que eu não me recordo da última vez em que eu vi a Globo se referindo a algum político de direita simplesmente como “direita”, sem usar um “extrema” ou um “ultra” na frente. Quanto ao meio cultural, o leitor já reparou que nenhum artista cantou a música “salve a Amazônia” quando aumentaram as queimadas na Amazônia durante o governo do “Painho”?

No fim das contas, o que esses episódios mostram é que não vivemos uma cultura de cancelamento, mas sim uma cultura de conveniência. Indignação virou produto com etiqueta: só vale quando o alvo é o inimigo. Deixo esse final com uma frase do professor Olavo de Carvalho: “Quem domina as universidades e a mídia domina o país. Pouco importa quem é o governante nominal. E pouco importam as preferências do eleitorado”.

*Pedro Paulo Carneiro é coordenador do Instituto Atlantos.

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