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Os liberais e os homens das cavernas

Há muitos liberais e libertários com uma visão romântica do homem do tempo das cavernas.

Dizem que o capitalismo não é uma ideologia, mas sim uma teoria sobre o homem convivendo com outros homens em seu estado natural.

Nada mais falso. O estado natural do homem no período pré-histórico era a anarquia, o sistema social em que o mais forte, o mais violento, impunha sua vontade aos mais fracos, aos sujeitos mais pacíficos.

Nos primórdios havia os seres humanos que criavam instrumentos para obterem da natureza o que iria lhes sustentar. No entanto, havia também aqueles que preferiam obter o que necessitavam pilhando quem tivesse produzido algo que lhe fosse interessante.

Essa relação abusiva que prescindia da cooperação espontânea e das trocas voluntárias caracteriza diversos sistemas sociais que não enxergam coerção nas relações sociais como uma imoralidade.

A anarquia, o feudalismo, o mercantilismo, o socialismo, o comunismo ou o fascismo são sistemas sociais que aceitam a iniciação do uso da coerção como um meio a ser utilizado nas relações sociais, mesmo que isso signifique injustiça, crueldade e violência.

A violência, a injustiça e a crueldade que existem nesses sistemas sociais mencionados, só pode ser minimamente contida e idealmente extraída das relações sociais, por instituições que defendam os direitos individuais. Essas instituições permitem aos indivíduos agirem livremente de acordo com seu julgamento para criarem, obterem, manterem ou disporem dos valores necessários para a manutenção da própria vida, da realização de propósitos e do florescimento pessoal e da prosperidade que levará à felicidade.

O conjunto de instituições: livre iniciativa, propriedade privada, estado de direito, são os pilares do sistema social que conhecemos por capitalismo, que, na prática, leva ao livre mercado, uma instituição onde indivíduos livres interagem formando uma ordem espontânea cujo objetivo último é satisfazer o autointeresse de cada um dos participantes de um jogo ganha-ganha.

Capitalismo exige que haja um estado de direito cuja implementação se dará através de um governo exclusivamente preocupado em prover a sociedade de segurança e justiça pelo que será pago voluntariamente conforme os serviços forem prestados.

Sem estado, voltamos aos tempos do homem como lobo do homem. Se você vê este estado de coisas acontecendo ainda hoje, significa apenas que o capitalismo e seus pilares não estão presentes e que temos não passa de um espantalho. Vivemos de fato em uma anarquia ou talvez em outro sistema social que perverte a função do estado transformando-o em uma alcateia a explorar indivíduos indefesos.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.