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O significado do egoísmo para Ayn Rand

Fui apresentada recentemente à autora Ayn Rand, por meio da obra A Revolta de Atlas, que realmente me levou a um caminho sem volta de mudança pessoal. Entre tantas coisas que aprendi com a filosofia de Rand, o objetivismo, destaco aqui o egoísmo racional que deveria ser tema comum e básico da população brasileira. O Brasil é um país socialista, quer você queira, quer não. E eu vou te explicar o porquê.

A palavra egoísmo, ao ser consultada no dicionário da língua portuguesa, Oxford Languages, terá o seguinte significado: “amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem”. O egoísmo então é entendido como algo exagerado, que desconsidera e humilha o interesse do outro. Repare que essa palavra está relacionada a semânticas ruins – isso porque colocar os interesses próprios primeiro, em relação aos outros, é considerado errado no Brasil. Observemos um exemplo.

A criança nasce egoísta e é ensinada a ser coletivista. Quando a criança abre um pacote de biscoito e tem que dividi-lo com uma roda de amiguinhos, ela é ensinada ainda a oferecer o alimento para, em seguida, começar a comer. Entretanto, fica o questionamento: e se não sobrar para a criança no final? Parece falta de educação não oferecer primeiro, mas seria sinal de sobrevivência estar primeiro satisfeito para depois oferecer. A sociedade inverteu o papel e trouxe o todo à frente do eu, esquecendo-se de que só existem todos com uma soma de indivíduos.

Rand nos ensina que o racionalismo é o reconhecimento do fato de que a existência existe, e o fato de você ignorar isso não vai fazer com que isso se altere. Então, enquanto for aceito que o político que faz um discurso bonito, que rouba, mas faz, é melhor que aquele que se posiciona ideologicamente com clareza, ações e valores, estamos escolhendo o caminho socialista. A corrupção política é perdoada pelas obras de caridade feitas pelas tradicionais famílias de sobrenome conhecido e assim o povo aceita as migalhas, torna-se dependente e não é o autor principal da história.

Se o socialismo prega a coletivização em detrimento da propriedade privada, não seria isso o altruísmo em detrimento do egoísmo racional? Uma história bonita que defende interesses coletivos sensibiliza. No Brasil, espera-se que um salvador da pátria surja do pátio de uma siderúrgica e traga um milagre, uma libertação para o povo que é menos favorecido. Mas afinal de quem ou qual mazela esse super herói nos defenderá? Da pobreza, da fome, das injustiças, são muitas promessas que querem em troca sua liberdade, sua propriedade e suas escolhas. Assim, temos a lógica irracional de colocar os interesses coletivos à frente dos interesses individuais, pois a história que vende melhor é a que comove, e a que comove vem com altruísmo e coletivismo.

O conformismo de uma sociedade irracional pode ser confundido com a união em prol de algo, como se vestir a camisa do mesmo time tornasse todos os nossos interesses pessoais iguais, como se concordar em uma parte fosse suficiente para concordar em todos os âmbitos. A receita é simples: tenha um inimigo em comum e lute pelo bem comum, assim todas as suas peculiaridades serão banidas diante do coletivo. Até quando será aplaudido o sacrifício e os grupos serão maiores que os indivíduos?

Se o único objetivo do homem é a felicidade e eu sou o fim em mim mesmo, agora estarei pronto para poder me dedicar ao que quiser. Esse é o egoísmo racional que faz uma sociedade crescer. Estar preparado para escrever a sua história sem depender das diretrizes do Estado e ser tão forte a ponto de ajudar ou se dedicar ao outro por opção e usando de sua base racional. Quando as pessoas entenderem que, quanto mais eu sou egoísta e racional, mais preparado eu estarei para contribuir com o meu melhor, onde e quando eu quiser, com generosidade e não com altruísmo, o Brasil dará certo.

*Artigo publicado originalmente no site do Instituto Líderes do Amanhã por Samara Repossi.

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