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O racismo na Alemanha do III Reich

Eu sou humano, sexo masculino, caucasiano, olhos azuis, nariz reto, orelhas pequenas, calvo, altura mediana. Passaria desapercebido por qualquer tropa da SS durante o regime nazista se estivesse na Alemanha de Hitler.

Só saberiam que eu era judeu se eu carregasse no peito uma estrela amarela que denunciaria uma característica do meu ser que ninguém vê ao me olhar.

Sou judeu por parte de pai, mãe, avós e toda a linhagem que me antecedeu, mesmo não acreditando em Deus. Para os nazistas, o judaísmo não era uma religião, era uma etnia, ou, como diziam na época, uma raça que, apesar de tudo, era considerada inferior.

Existem judeus de todos os tipos. Pardos do norte da África e do sul da Europa; brancos do Canadá ou da própria Alemanha; amarelos da China e do Japão, negros da Etiópia; ou gente como eu que é descendente de avós que vieram da Bessarábia, que já foi do Império Otomano, do Império Russo, da Romênia e que agora faz parte da Ucrânia e da Moldávia.

Recentemente, a atriz Caryn Elaine Johnson, que vocês conhecem pelo pseudônimo Woopi Goldberg, sobrenome tradicionalmente yiddish, disse, num momento de deslize, que os nazistas não eram racistas. Para ela, o Holocausto não podia ser classificado como fruto do racismo, porque alemães, os algozes, e judeus, as vítimas, formavam dois grupos de gente branca.

Racismo é uma perversão que vai além da cor da pele. É uma manifestação coletivista e tribal que ataca qualquer grupo discriminado e odiado por suas características congênitas.

Aos nazistas não importavam a nacionalidade, a cor da pele, o gênero, importava se era descendente de judeus, se era cigano ou tivesse qualquer tipo de problema congênito que fosse tornar a raça ariana impura.

Certamente, negros não precisariam usar estrelas pretas na Alemanha Nazista para expor a qual raça pertenciam. Sua diferença é aparente, e isso se torna uma desvantagem competitiva na luta pela sobrevivência em sociedade racistas. Nesses lugares, os governos adotaram leis discriminatórias, perversas e desumanas, como acontecia na Alemanha do III Reich, ou no sul dos Estados Unidos da América, mesmo depois do fim da escravidão e sob a inspiração da Declaração de Independência, que dizia que todos somos iguais e detentores de direitos individuais inalienáveis.

Woopi Golberg, que é negra, mas não é judia, apesar do nome que usa, já pediu desculpas. Desculpas pelo quê? Por ser desinformada? Por falar sem pensar? Bem, todos nós erramos, então, se o pedido de desculpas é sincero, temos que aceitar.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.