fbpx

O gigante parasita

Tudo passa pela política; não adianta negar um fato inexorável da vida social. Embora sejamos muito diferentes, somos seres sociais e a esfera estatal deveria sempre buscar a convivência entre diferentes.

Seu objetivo deveria ser a garantia das liberdades, especialmente por meio de uma gestão pública voltada para o proveito dos indivíduos de uma comunidade.

Entretanto, quando as pessoas só pensam e falam extensivamente sobre homens e mulheres do meio estatal, há um evidente sintoma de alguma anomalia no funcionamento de uma sociedade (não seria mais inteligente e produtivo que o interesse maior recaísse sobre os criadores de empregos e de riqueza, aqueles que extraem “água de pedra”?).

Acho que os brasileiros só deixarão de se preocupar intensivamente com os políticos quando deixarem de se centrar nas pessoas e passarem a valorizar o poder das ideias (iluministas, factualmente), estas que são verdadeiramente as condutoras do progresso econômico e social.

A extrema polarização que o país hoje vivencia representa grotescamente um embate horroroso, estúpido e contraproducente para os interesses da população.

Evidente que as políticas públicas nacional-desenvolvimentistas, os programas sociais excludentes, alguns ilógicos ligados a grupos identitários e a corrupção desenfreada dos últimos 20 anos tinham que ser atacados com firmeza e foco.

Não há nenhuma dúvida de que a abissal corrupção endêmica e sua institucionalização pelo PT, além daquilo que alguns alegam agora, uma corruptela existente na dinastia bolsonarista, devem ser perseguidas, coibidas e punidas. A repressão à corrupção é uma condição necessária, porém não suficiente para o desenvolvimento tupiniquim.

Passados mais de um ano e meio da eleição do presidente da República, o foco do governo deveria ser o aprofundamento da agenda de redução do tamanho do Estado e uma reforma econômica liberal, vis-à-vis ao proibitivo Estado do bem-estar social edificado pela esquerda “progressista”. Não há hesitação em reconhecer que a batalha governamental é hercúlea, visto que as instituições políticas e sociais foram fortemente aparelhadas pelas forças progressistas – vide o STF ativista, as universidades doutrinadoras de mentes e corações e o ativismo do partido da mídia golpista.

Na democracia brasileira – embora totalmente disfuncional -, é natural que haja visões de mundo distintas, mas o real problema é que não se logra efetivar uma agenda mínima de temas e de projetos relevantes para o desenvolvimento brasileiro.

O centro ilusionista da diminuição das desigualdades sociais dos socialdemocratas e da esquerda nacional, mesmo que seja para a pobreza de todos, ainda povoa a mente de vários brasileiros. Esquecem-se eles de que o fundamental mesmo é compreender as bases e os direcionadores da riqueza a fim de reduzir a pobreza.

O nível de estudo e leitura dos nativos do pau brasil é realmente muito baixo… De nada adianta a experiência econômica histórica da humanidade, evidenciando que o desenvolvimento econômico e social abrangedor do todo social, especialmente dos mais necessitados, adveio de um sistema político caracterizado por um governo limitado, capaz de fornecer as fundações estáveis e seguras para que os indivíduos-empreendedores nos mercados pudessem criar riqueza por meio do incessante processo de destruição criativa.

A destruição criativa, ao mesmo tempo em que cria novos negócios inovadores, como o próprio nome revela, deve permitir a morte de negócios quando eles fracassam.

Essa história econômica demonstra cabalmente que países como a Grã-Bretanha e os EUA se tornaram economias mais ricas e justas quando os negócios nos mercados livres, e não o governo, foram a engrenagem geradora do progresso social. Mesmo a China atual só conseguiu tirar milhões de nativos da miséria e da pobreza quando o capitalismo, ainda que mitigado, deixou os chineses mais livres das amarras do plano centralizador para empreenderem e produzirem mais e maior valor.

O tão aludido modelo sueco, dito do Estado do bem-estar social, é na realidade bastante mal compreendido.

Primeiro porque para os suecos implementarem um programa de assistencialismo social, atentando para o fato de ser um país com características idiossincráticas complemente distintas das brasileiras, foi inicialmente necessário gerar riqueza por meio de uma efetiva economia de mercado, ou seja, de um verdadeiro capitalismo. Após a criação de maior prosperidade, lá se implementaram planos sociais mais robustos que, inclusive, tiveram que ser revistos mais recentemente em função da própria sustentabilidade econômica do país.

Na verdade, Grã-Bretanha e EUA são claros exemplos de países em que a pressão por programas sociais mais generosos e sua efetivação objetivamente têm sido o motivo da desaceleração do crescimento econômico nacional.

A ideia e o projeto – salvador de fato – devem ser de deixar os indivíduos mais livres e as empresas responsáveis pela geração de empregos e de maiores oportunidades, pela produção de riqueza, tirando o protagonismo do Estado e dos homens do Estado.

Seguramente, a resistência, de maneira sistemática, vem das oligarquias políticas e empresariais brasileiras, ornamentadas pelo coro e a intensa ajuda e ação das apodrecidas instituições nacionais. A grande maioria dos brasileiros não suporta mais trabalhar mais de seis meses para, com a coerção estatal via impostos, continuar bancando os privilégios e os luxos de castas estatais minoritárias. Os cidadãos trabalhadores não aguentam mais a lógica de um Estado hegeliano e sua primazia estatal, com uma burocracia inchada, ineficiente e contrária aos interesses dessa maioria popular. Não há mais tempo e saúde econômica para seguir alimentando o gigante parasita Estado, com o sangue e a pobreza da maioria da comunidade verde-amarela. Ninguém atura o pagamento de mais impostos!

O povo brasileiro acordou e quer ver implementada uma agenda econômica liberalizante que dê liberdade para que os indivíduos possam empreender e estabelecer relacionamentos colaborativos e voluntários, para, através do “mágico” processo de destruição criativa, descobrirem maneiras mais eficazes de combinar os fatores de produção a fim de inovar em melhores e úteis soluções para toda a sociedade.

A insistência na desobediência das leis de mercado no país tem sido o principal empecilho para que a grande massa dos indivíduos permaneça na pobreza, o que também acarreta uma série de efeitos colaterais perversos.

Pragmaticamente, mercado livre significa livre de verdade, livre das interferências governamentais e de suas terríveis consequências não intencionais – vale dizer, tanto dos anacrônicos monopólios estatais, como também dos adoradores do capitalismo de compadrio, em que empresários ineficientes buscam a proteção das asas estatais para interferirem no delicado equilíbrio da dinâmica corporativa.

Claro que esses pseudo-empresários não buscam o bem comum, mas seus próprios e escusos interesses.

De fato, para que o Brasil possa se desenvolver num mundo que inevitavelmente está sendo transformado pelas tecnologias digitais, provocando a disrupção de tudo e todos e, em especial, a concepção, a produção, a distribuição e a entrega de produtos e serviços, e objetivamente transformando o mundo do trabalho, é preciso ingressar em uma real economia de mercado, competitiva, deixando transparente a linha divisória entre a competição econômica e política.

Inegável que com a revolução digital, especialmente num país pobre e com uma educação de baixa qualidade, haverá uma mão-de-obra que não conseguirá ser “retreinada” para as novas competências e habilidades requeridas por essa nova economia.

Esses trabalhadores precisarão do apoio financeiro por parte do Estado… não há outra saída. Aliás, programas sociais inteligentes de redistribuição de renda, racionais, devem ser implementados para suportar as mazelas estruturais de um país que notadamente nunca adentrou num efetivo capitalismo!

O Brasil só tem um caminho a seguir que é aquele rumo às liberdades individual e econômica. Quem poderia ser contra essas duas essenciais liberdades para uma vida social mais próspera?! Verazmente, o melhor programa social a ser implementado no país deve ser o aprofundamento das reformas liberalizantes para a geração de mais empregos, mais renda e mais riqueza para todos.

Não é mais compreensível que a nação se curve às mudanças estratégicas da agenda progressista coletivista, transmutada para os interesses de uma série de minorias identitárias, cada uma delas raivosa e intolerante aos anseios e às necessidades da maioria.

O centro do debate e da ação deve ser a criação de riquezas para todos os brasileiros. A rápida mudança econômica e social característica do século XXI deixa ainda mais transparente a necessidade de o país colocar o protagonismo no indivíduo e nas empresas.

O lema é: mais indivíduo, menos Estado!

O crescimento nacional passa compulsoriamente pelo mercado livre, gerador de maior igualdade de oportunidades e embasado nos direitos humanos – com responsabilização individual – resguardados por uma justiça “justa” em relação aos direitos humanos, aos direitos de propriedade e aos direitos contratuais.

Definitivamente, como o povo escolheu democraticamente – até mesmo por uma simples questão de sobrevivência -, precisa-se reduzir o tamanho do Estado, aumentando o foco nas liberdades individual e econômica, a fim de deixar os grandes empresários salvadores, aqueles visionários que enxergam “as coisas” bem à frente e que arregaçam as mangas para fazer acontecer, gerando empregos, renda e riqueza, colocarem-nos nos trilhos do genuíno desenvolvimento econômico e social sustentável.

Enfim, aparenta não haver escolha… Ou o Brasil deixa a lógica da destruição criativa livre para ser potencializada e acontecer para o bem do todo social ou ficaremos presos às costumeiras e ilusórias demandas coletivistas e ao generoso Estado do bem-estar social tupiniquim, como sempre atravancando a prosperidade de todos os brasileiros.

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.