O duplo padrão da imprensa brasileira

Danilo Gentili foi acusado de gordofóbico ao fazer piadas com uma matéria que tratava sobre como pessoas gordas não querem mais ser vistas como “doentes”. As reações da maior parte da imprensa ao caso foram de execrar o humorista, mas na mesma semana piadas com gordos feitas pela cantora drag Queen Pabllo Vittar vieram a […]

Danilo Gentili foi acusado de gordofóbico ao fazer piadas com uma matéria que tratava sobre como pessoas gordas não querem mais ser vistas como “doentes”. As reações da maior parte da imprensa ao caso foram de execrar o humorista, mas na mesma semana piadas com gordos feitas pela cantora drag Queen Pabllo Vittar vieram a público e motivaram notícias com tratamento bastante distinto, a defendendo. Esses casos geram mais uma reflexão sobre a seletividade do tratamento dado pela imprensa em relação ao politicamente correto de acordo com as pessoas envolvidas e não com o conteúdo em questão.

Não é de hoje que a blogosfera trata Gentili com hostilidade. Por suas piadas, já foi acusado de racista, homofóbico e machista, entre outros termos. Já Vittar é bastante identificada como defensora de minorias, tendo uma relação bastante positiva com a mesma imprensa.

É verdade que o tweet da cantora a fez ser acusada por alguns internautas de gordofobia em um momento em que a hashtag #gordofobianãoépiada havia sido criada para criticar Gentili, porém o foco deste artigo é analisar a postura da imprensa frente aos dois casos.

O mesmo portal que publicou a coluna “Até quando Danilo Gentili fará humor com preconceito?” publicou que Vittar estava “sofrendo um ataque”, a despeito de ambos os comentários fazerem piadas com o mesmo tema: pessoas gordas.

Em meio a isso, o comediante Maurício Meirelles, que já defendeu em outras oportunidades a plena liberdade de expressão, mostrou coerência ao defender a artista:

Apesar de advogar pela piada feita pela cantora, Meirelles foi criticado por muitos de seus seguidores que consideraram a piada como ofensiva. Ele respondeu que “qualquer piada sempre pode ofender alguém” e, diante de tamanha repercussão, fez uma crítica bem humorada aos 2 pesos e 2 medidas dado pela imprensa: alterou a sua qualificação no Twitter se dizendo participante de várias minorias e “lacrou”: “Agora posso fazer qualquer piada!”

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Eis a reflexão: por que há um duplo padrão no tratamento pela imprensa a piadas semelhantes, mas ditas por diferentes artistas?

A mesma imprensa nacional que diz defender a liberdade de expressão e ser contrária a discursos de ódio se silenciou em 2014, quando o Partido dos Trabalhadores no auge de seu poder colocou Danilo Gentili e 8 jornalistas em uma lista negra, qualificando-os como “pitbulls”. Pelo contrário: em algumas matérias sobre, ao repercutirem o caso, deram espaço a “especialistas” que endossaram a postura do partido. Três anos após o episódio, aparentemente ninguém da mídia achou estranho quando uma Senadora da República utilizou uma moção de censura oficial contra o mesmo Gentili.

É a mesma imprensa que não condenou José de Abreu como machista após ele cuspir em uma mulher por discordar ideologicamente dela. É a mesma mídia que não criticou os termos chulos utilizados por Lula ao se referir às mulheres ao conversar com Dilma Rousseff.  

Danilo, como humorista, deveria ser criticado pela qualidade de seu trabalho, se suas piadas possuem ou não graça. Seus críticos, no entanto, o tratam como preconceituoso e o adjetivam a partir de vários “fóbicos” e “istas” pelo teor de suas piadas, e não se elas geram ou não risadas. A despeito das críticas, o The Noite, programa liderado pelo apresentador, teve o melhor ano de sua história em termos de audiência.

Boa parte do jornalismo nacional parece enxergar como sua função defender o discurso ideológico que acreditam, e não se atentarem verdadeiramente aos fatos. Fica claro que há interesses que norteiam a atuação da grande imprensa e influenciam em sua seletividade, e esses interesses não possuem qualquer relação em defender de fato a liberdade de expressão ou as minorias.

 

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