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O Brasil e a era da “gig economy”

Na língua inglesa existe um termo chamado “gig economy”, que não existe uma tradução exata para o português (talvez uberização do trabalho?). Ele engloba as formas de emprego alternativo, que vão desde a prestação de serviços por aplicativo ou o trabalho de freelancers, por exemplo. O Cambridge Dictionary considera “gig economy” como um arranjo alternativo de emprego: “uma forma de trabalho baseada em pessoas com empregos temporários ou fazem atividades de trabalho freelancer, pagas separadamente, em vez de trabalhar para um empregador fixo”.

Alguns exemplos de “gig economy” são facilmente encontrados à nossa volta. Pelo GetNinjas é possível buscar profissionais para pequenos reparos domésticos. No Airbnb há pessoas que disponibilizam camas em suas casas para turistas. Já o 99designs permite que vários designers ao redor do mundo compitam para fazer o novo logotipo de sua empresa. Enfim, sem dúvida o leitor já conseguiu entender bem em que o termo se aplica.

Na língua inglesa existe um termo chamado “gig economy”, de que não existe uma tradução exata para o português (talvez uberização do trabalho?). Ele engloba as formas de emprego alternativo, que vão desde a prestação de serviços por aplicativo até o trabalho de freelancers, por exemplo. O Cambridge Dictionary considera “gig economy” como um arranjo alternativo de emprego: “uma forma de trabalho baseada em pessoas com empregos temporários ou que fazem atividades de trabalho freelancer, pagas separadamente, em vez de trabalhar para um empregador fixo”.

Alguns exemplos de “gig economy” são facilmente encontrados à nossa volta. Pelo GetNinjas, é possível buscar profissionais para pequenos reparos domésticos. No Airbnb, há pessoas que disponibilizam camas em suas casas para turistas. Já o 99designs permite que vários designers ao redor do mundo compitam para fazer o novo logotipo de sua empresa. Enfim, sem dúvida o leitor já conseguiu entender bem a que o termo se aplica.

E qual é o tamanho deste mercado? Entre os países da OCDE, de 3 a 4% dos trabalhadores estão neste meio. Na Alemanha, é o grande destaque: 7% de todos os adultos no país ofereceram algum tipo de serviço em plataformas digitais, porém o número pode chegar a 14%. De acordo com um estudo publicado pela University of Cambridge, a maioria de tais trabalhadores utiliza as plataformas como uma renda complementar.

Não faltam críticas à gig economy. “Jovens, negros e da periferia, entregadores ciclistas por aplicativo enfrentam a barbárie da modernidade”, escreveu Nabil Bonduki, professor da USP – Universidade de São Paulo. Jessé Souza, professor da UnB – Universidade de Brasília -, cujo salário é de R$ R$ 20.988,01, culpou a classe média pela “precarização do trabalho”. É sempre interessante ver pessoas com altos salários garantidos pelo Estado brasileiro e protegidas pela estabilidade do setor público ditando regras para o restante da sociedade que não está deitada no mesmo berço esplêndido.

Tenho razões para acreditar que o mundo real é bem diferente do que acreditam Souza e Bonduki. Uma pesquisa do IBOPE mostrou que 70% dos entregadores de aplicativos não querem carteira assinada; os motivos variam desde flexibilidade para trabalhar em várias plataformas até gente que faz as entregas como renda complementar à noite ou em fins de semana. Na Alemanha, de acordo com uma pesquisa realizada pelo conglomerado Bertelsmann, apenas uma minoria dos trabalhadores de plataformas no país sofre com condições de trabalho precárias e apenas 5% disseram trabalhar na “gig” por falta de alternativas.

Porém, a descoberta mais interessante sobre esse novo modelo de trabalho veio da Inglaterra. Uma pesquisa realizada pela economista Juliet Schor (2020) mostrou que trabalhadores não-especializados (motoristas de Uber, por exemplo) tendem a ter uma satisfação menor com o trabalho em plataformas que aqueles com um maior nível educacional (programadores, designers). Em outras palavras, se por um lado a flexibilidade da gig economy em relação ao tempo de trabalho, carga de trabalho e velocidade é valorizada por trabalhadores altamente qualificados, por outro ela pode ser problemática para trabalhadores pouco qualificados, que anseiam por horas fixas e salários por hora em vez de pagamento por serviço realizado.

Assim, o problema aqui não é uma “uberização do trabalho”, mas sim a baixa qualificação e produtividade da mão-de-obra brasileira, que não possui o conhecimento técnico e cognitivo necessário para florescer no mercado de trabalho do século XXI. Motivos? Há alguns, mas posso afirmar sem medo de errar que a péssima educação pública fornecida pelos colegas de Jessé Souza e Nabil Bonduki tem sua parcela de culpa no cartório.

Não há maneira melhor de ajudar um trabalhador do que qualificá-lo assim como não há maneira mais eficiente de prejudicá-lo do que acabar com sua fonte de renda por poder de lei. Imagine se amanhã o Congresso passe uma peça legislativa de autoria do Marcelo Freixo proibindo as plataformas de intermediação. O que vocês acreditam que iria acontecer? Seriam criadas oportunidades de emprego CLT com melhores condições de trabalho? Ou milhares de pessoas perderiam sua fonte de renda?

Nem o mais radical esquerdista pode achar que é a primeira opção.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca.

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