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“Muito Além do Jardim”, a caverna de Platão e os russos

A caverna de Platão é a fábula mais conhecida sobre a dicotomia entre a realidade objetiva e a informação distorcida, recebida como se fosse verdade. Presos em uma caverna, observando reflexos e sombras, restava aos indivíduos ignorantes apenas imaginar o que se passava lá fora.

Os russos estão presos na caverna do Putin e tudo que sabem lhes é transmitido conforme os desejos do déspota.

Pensando em falsificação ou fabricação da realidade nada objetiva, lembrei de “Muito Além do Jardim”, filme da década de 70 que desde que foi lançado nunca mais vi.

Estrelado pelo genial Peter Sellers, o filme se baseia na novela do também genial Jerzy Kosiński, judeu polonês que sobreviveu ao holocausto passando-se por cristão com a ajuda da comunidade.

No filme, o personagem principal se chama Chance, é considerado um homem ingênuo, não sabe ler nem escrever, não possui carteira de identidade e se dedica a cuidar de um jardim e ver televisão, única forma de contato com o mundo.

Jerzy também é o autor do espetacular livro Pássaros Pintados, que narra a tragédia de uma criança percorrendo campos e vilarejos do Leste Europeu durante a II Guerra Mundial.

O filme baseado no livro é surreal. Jerzy, por esse livro, foi acusado de plágio por intelectuais esquerdistas americanos. Dizem seus defensores que as acusações foram motivadas por pura inveja, já que ele, além de ter sido premiado diversas vezes, tinha uma vida de burguês bem posicionado.

A biografia dele parece ser do mesmo nível dos seus livros de ficção, intrigante, nebulosa e cativante. Vou assistir de novo a “Muito Além do Jardim”. O título em inglês é “Being There”, o roteiro é do próprio Jerzy Kosiński, a direção de Hal Ashby, o mesmo de “No Calor da Noite” e “Amargo Regresso”.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.