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Malcolm Caldwell e o genocídio por Pol Pot

Malcolm Caldwell foi um professor universitário e ativista da Universidade de Londres, considerado um dos mais ferrenhos marxistas britânicos de seu tempo. Caldwell, escocês de nascimento, foi apenas mais um dos marxistas da década de 1970 que se encantavam com um nascente regime comunista, o regime do Khmer Vermelho.

Em 1975, o Khmer Vermelho, após mais de uma década de guerrilha, tomava o controle do Camboja e instituía no país a sua própria versão de comunismo. Essa nova possibilidade deslumbrava os marxistas ocidentais, tais como Malcolm Caldwell, que nutria cada vez mais simpatias pelo regime e principalmente por seu ditador, Pol Pot.

Malcolm foi um tremendo crítico do capitalismo e do conservadorismo britânico. O autor condenava o imperialismo ocidental sobre a região da Indochina, onde fica o Camboja, e escreveu inúmeros livros sobre o que ele considerava ser a influência positiva do comunismo sobre a região, principalmente em decorrência da recém finalizada Guerra do Vietnã.

Malcolm Caldwell, apesar disso, nunca abdicou das benesses do sistema democrático britânico, tendo sido até mesmo candidato por seu distrito como membro do Partido Trabalhista Inglês, em que perdeu devido às suas posições comunistas radicais.

Em 1978, Caldwell realizou o seu sonho de conhecer o seu ditador favorito, o cambojano Pol Pot, quando foi convidado por ele como parte de uma tentativa de propagandear o regime positivamente no ocidente. A jornalista Elizabeth Becker também foi convidada e relatou que a viagem foi uma experiência não autêntica, pois viajou pelo país notoriamente presa numa bolha. Enquanto Caldwell se deslumbrava com as mentiras contadas, Elizabeth relatou que apenas cidadãos autorizados poderiam conversar com ela e somente sobre determinados temas – entrevistar alguém fora da lista do governo era estritamente proibido.

No dia 22 de dezembro de 1978, a viagem dos sonhos de Malcolm Caldwell atingiu seu ápice, quando ele foi convocado para uma reunião privada com Pol Pot. Segundo Elizabeth Becker, Malcolm voltou da reunião em estado de euforia. Ele estaria muito animado com a conversa que teve com seu ídolo. Porém, às 23 horas do mesmo dia, Elizabeth relatou que acordou com sons de disparos no local onde se hospedava. Quando saiu do quarto, um guarda cambojano lhe apontou uma pistola, ela fechou a porta de imediato e ouviu uma sucessão de disparos. Ao final, a porta de seu quarto abriu e o guarda que a havia ameaçado noticiou que Malcolm Caldwell estava morto. Embora oficialmente não tenha sido descoberto o motivo da morte, não é difícil imaginar a razão devido às circunstâncias dadas.

Apesar de ainda hoje existirem intelectuais que defendem esse regime autoritário, como Noam Chomsky, Pol Pot perseguiu todo e qualquer sinal de intelectualidade em seu regime em níveis jamais vistos. As escolas do país foram fechadas, assim como hospitais e fábricas. Todo o sistema bancário e monetário do país sofreu intervenção. As religiões foram declaradas extintas, propriedades privadas foram abolidas e a sociedade foi forçada a retornar ao cultivo de fazendas. Até as vestimentas se tornaram matéria de jurisdição estatal e toda a população foi obrigada a usar uma túnica preta.

Mas esses exemplos são uma pequena parte da utopia do “comunismo agrícola” de Pol Pot; a “grande obra” do ditador estava ainda por ser efetuada: o genocídio de seu próprio povo, ceifando mais de 2 milhões de vidas. Ao lado dos grandes assassinos da história, Pol Pot não se destaca, seus números absolutos são “baixos”; porém, quando se projeta em proporção ao tamanho de sua população, podemos afirmar que o Khmer Vermelho foi o regime mais mortal da história. Cerca de 20% da população cambojana foi enterrada pelo sonho utópico de Pol Pot, até mesmo seu fiel fã e deslumbrado admirador Malcolm Caldwell.

Elizabeth Becker afirma que a alucinação e deslumbre de Caldwell não permitiram que ele enxergasse o perigo em que o próprio se colocou, sendo um intelectual à frente de um regime que dizimou sua população de alta formação. Pol Pot também matou pessoas míopes, pois óculos “eram características de subversivos leitores de livros”.

A lição de Caldwell é clara a todos nós: não importa o quão admirado e fascinado por um autoritário você possa ser; se precisar, ele vai te matar.

*Artigo publicado originalmente na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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