Lula e a erosão do prestígio internacional
Somente neste mandato, Lula defendeu o regime ditatorial da Venezuela com o argumento de que seria uma “democracia relativa”; defendeu também o regime cubano; fez desfilarem lamentos por Maduro e agora pelo aiatolado iraniano; provocou uma crise praticamente sem precedentes com os EUA por — entre outras fanfarronices — viver a se pavonear da revolução que os BRICS poderiam promover (ainda que tenha remediado a tensão vendendo sabe-se lá o quê a Trump em troca de trégua); tornou-se persona non grata em Israel ao comparar o país ao regime nazista.
Na campanha eleitoral, uniu-se a Alckmin em uma posição de respeito à Internacional Socialista. No entanto, tive que ler no Twitter (atual X) que ele seria o presidente ideal para um momento geopolítico tão conturbado por ser pragmático e equilibrado, evitando dizer a primeira coisa que lhe vem à telha (??).
Felizmente, celebra, segundo o infeliz autor, não temos Bolsonaro no Executivo; caso contrário, teríamos um mandatário com declarações muito ideológicas, colocando-se em rota de colisão com as potências e nos prejudicando junto a parceiros importantes.
É difícil responder educadamente a tal ilação. O estrago do comportamento de Lula no cenário internacional só não é maior porque fizemos, ao longo de décadas, um trabalho profissional de redução da nossa própria importância; consequentemente, as manifestações lulistas, formuladas para colher aplausos automáticos de plateias ideologicamente alinhadas, repercutem menos gravemente do que poderiam.
O PT de Lula teve grande papel nessa mediocrização, mostrando a que veio desde o primeiro mandato, quando, em seu primeiro encontro representando o Brasil com o então presidente George Bush, nosso mandatário carregou o símbolo de seu partido na lapela — ao que Bush reagiu com surpresa, pois não seria comum que um líder dos EUA o fizesse ao atuar na condição de chefe de Estado de todos os cidadãos de seu país. No Brasil, esse é o menor dos aturdimentos.



