Livres acerta ao se tornar uma organização suprapartidária

Com a divulgação da ida do deputado federal Jair Bolsonaro para o PSL, o Livres, iniciativa de renovação daquele partido, abandonou o projeto. Duas semanas se passaram e muito se especulou a respeito do destino da organização: Novo, Rede, PPS e o Podemos foram apontados como possibilidades. O grupo se reuniu ainda com outros partidários nacionais, como o presidente do PSDB, Geraldo Alckmin. A despeito disso, decidiu tornar-se uma organização suprapartidária – a melhor decisão que poderia.

Isso porque o projeto do Livres no PSL possuía uma matriz de risco bastante considerável. Caso o partido não conseguisse superar a cláusula de barreira, não teria acesso ao fundo partidário, eventualmente inviabilizando seu funcionamento no próximo ciclo eleitoral.

A nova estratégia do Livres interrompe a “guerra civil” que existia internamente no PSL, entre a organização e os partidários fisiológicos anteriores, a organização não precisará mais se preocupar com cláusula de barreira, seus membros poderão ter acesso a fundo partidário para utilizarem em suas campanhas (similar ao modus operandi anterior) e poderá influenciar diversos partidos. Em outras palavras, a viabilidade do novo projeto do Livres possui riscos menores, não havendo chance deles serem novamente expulsos de um partido por cacique.

Por agora, o Livres se organizará como grupo político, criando uma associação que funcionará como um Do-tank – a partir de projetos pilotos de políticas públicas aplicadas. A organização se financiará tanto de doações no setor privado quanto de pessoas físicas e terá sede em São Paulo. Projetos bem sucedidos serão um portfólio para que seus políticos eleitos possam colocá-los em prática. Ademais, eles poderão causar impacto no debate público. Com a recente polêmica envolvendo a ida de Jair Bolsonaro e a saída dos liberais do partido, o grupo ganhou maior projeção nos veículos de comunicação. No anúncio realizado, por exemplo, havia jornalistas de diversos jornais. É evidente que essa atenção precisa se tornar sustentável, o que demanda boas práticas e resultados expressivos.  

Para isso, os políticos do Livres precisarão de maturidade política para realizar negociações entre vários partidos e os escolher de acordo com a autonomia que eles terão e com a viabilidade política de cada estado.

Uma consequência dos novos rumos do Livres é o fortalecimento do Novo, haja vista que ao menos três dos diretórios estaduais da organização já decidiram por participar do processo seletivo do partido para lançar seus candidatos em 2018. Nas próximas semanas saberemos quais outros partidos receberão o projeto do Livres em seus estados.

A expectativa é que, já possuindo catorze membros na Fundação Renova, o Livres lance candidatos em todos os estados do país. Até porque, o novo formato possibilita que liberais que estavam desenvolvendo seus projetos políticos em outros partidos – por considerá-los mais viáveis que o desenvolvido até então no PSL – ingressem no Livres.

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Paradoxalmente, a ida de Jair Bolsonaro para o PSL e a saída do partido pode ter dado sobrevida ao promissor projeto do Livres. As ideias da liberdade agradecem.

 

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