Globalismo, PL da Misoginia e a revolução feminista

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Experimente falar de algum assunto desconhecido em qualquer roda de conversa neste país e veja a mágica acontecer. Alguém com pompa e circunstância irá te olhar com o nariz empinado e proferir a sentença definitiva: eu nunca ouvi falar disso. Ou seja, a ignorância é a métrica do conhecimento válido. Só mesmo no Brasil.

É o que tanto escuto quando falo – ou vejo alguém falar – sobre globalismo. Deve ser algo esotérico, pois ninguém do show business fala do tema e a grande mídia impõe um silêncio sepulcral acerca do assunto mais importante da política mundial. Afinal, é a luta dos mais variados povos organizados em seus Estados-nações contra o monstrengo que quer dissolver qualquer vestígio de soberania nacional – especialmente a americana – em nome de uma autoridade internacional. Recomendo a leitura do livro Política, Ideologia e Conspirações – a sujeira por trás das ideias que dominam o mundo, de Larry Abraham e Gary Allen. A obra expõe a elite progressista em seus diversos tentáculos, até mesmo no Partido Republicano – lar de Nelson Rockefeller, Richard Nixon, Henry Kissinger e George H. W. Bush, que, na prática, cada um a seu modo, cooperaram para o projeto de um “globalismo progressista”.

Os próprios acólitos globalistas não escondem os seus objetivos: o livro A Conspiração Aberta, do socialista fabiano George H. Wells, é quase um clamor por uma ordem globalmente organizada. A elite progressista busca o fim das soberanias nacionais através da destruição das identidades culturais dos seus povos – caldo composto pelo idioma, pela alta cultura e pelos princípios orientados pela religião. Não por acaso o financiamento das famílias Rockfeller, Rothschild, Soros, Morgan e tutti quanti para iniciativas progressistas que visam a uma mutação completa dos códigos morais da sociedade ocidental: ateísmo, abortismo, feminismo, militância LGBT, liberação das drogas e valorização do banditismo como reação legítima ao status quo. Através de uma rede bem organizada de atuação, os profetas de um novo estado de coisas conseguem implementar essa agenda de forma eficiente sem que a maioria desconfie de algo.

Pois bem, o PL da Misoginia é o exemplo mais puro e cristalino desse quadro. A forma, o conteúdo e as implicações da sua aprovação pelo Senado Federal não deixam a menor margem para dúvida acerca da existência do Leviatã globalista.

O PL 896/2023 foi aprovado por unanimidade no Senado. De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB/MA) e relatoria de Soraya Thronicke (PSB/MS), ele equipara a misoginia ao racismo com a consequência lógica de torná-la crime inafiançável e imprescritível. Estabelece uma pena mínima de dois anos de reclusão. O que seria misoginia? Pelo PL, é o ‘’sentimento de ódio, repulsa ou aversão às mulheres’’.

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Eis o ovo da serpente. Criminalizar o discurso com base em conceitos escorregadios é trilhar o caminho da servidão. Como garantir que um homem não será enquadrado nesse dispositivo legal ao discutir normalmente com uma mulher, uma vez que o projeto de lei não estabelece regras claras e delega essa tarefa ao delegado ou juiz? Além disso, como atestar a veracidade do depoimento da suposta vítima sem testemunhas ou provas materiais acerca do possível crime? São simples questionamentos que qualquer pessoa levanta ao colocar mais de dois neurônios para funcionar – nem me perguntem quem tem menos disso, pois, a depender da resposta, o autor destas linhas pode ter um destino infeliz com a supracitada iniciativa legislativa.

É claro como o sol de Teresina que o feminismo organizado não dá a mínima para as possíveis – e prováveis – consequências dessa sandice. Como bom movimento revolucionário, ele quer a completa inversão de valores e padrões vigentes utilizando o absurdo como modus operandi para tal. Ora, qualquer concessão à insanidade representa uma vitória para a revolução a partir do momento em que o concedido vira regra e abre brecha para a realização total da plataforma. Como o nosso Congresso Nacional é composto por indivíduos capazes de quase tudo, uma solução que agrade gregos e troianos é certamente uma possibilidade – e esse desfecho já torna triunfante o sufocamento de vozes divergentes sob o pretexto de combate à violência contra a mulher.

A mutação social e moral que o feminismo propõe serve integralmente ao globalismo por vários fatores: (I) destruição do modelo tradicional da família, (II) redução da população mundial através de plataformas comportamentais como aborto, repulsa ao casamento e clima permanente de tensão com o sexo oposto e (III) aumento formidável do poder estatal para atender a todas essas demandas. Querem um exemplo cristalino? A Fundação Ford aparece como apoiadora da ULFA – Universidade Livre Feminista Antirracista – e do Coletivo Intervozes, duas entidades abertamente feministas. Ora, a família Ford compõe a nata da elite progressista juntamente com as dinastias financeiras supracitadas.

Outro aspecto importante perceptível no site da ULFA é a União Europeia figurar ao lado da Fundação Ford como parceira da instituição. Isso confirma mais uma prova da atuação globalista da elite progressista: a imposição uniforme dos novos códigos de conduta pela via parlamentar. Não é coincidência que muitos projetos de lei aprovados no Brasil venham praticamente prontos ou sejam inspirados em similares de outros países. Querem mais homogeneidade do que a própria União Europeia? O bloco é o suprassumo do globalismo justamente pelas legislações aplicadas a diversos países europeus com diferentes culturas e tradições políticas.

O PL da Misoginia foi enterrado na Câmara pelo menos até o fim desta legislatura, mas não há motivos para comemorações efusivas: o outro lado é organizado, sabe fazer pressão e conta com uma rede bilionária de apoio para tais sandices. Além disso, a tal direita ajudou a aprovar a iniciativa no Senado de forma unânime – até mesmo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República e representante do campo direitista na eleição deste ano. Mais uma tragicomédia tipicamente nacional.

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Carlos Junior

Carlos Junior

É jornalista. Colunista dos portais "Renova Mídia" e a "A Tocha". Estudioso profundo da história, da política e da formação nacional do Brasil, também escreve sobre política americana.

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