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Estado, fé, razão e ceticismo

Fé é o recurso epistemológico das religiões; razão é o recurso epistemológico da ciência.

Na religião ou na ciência, admite-se o ceticismo. Você duvida, dá de ombros, vira as costas e segue o seu caminho. Nem religiosos nem cientistas se preocuparão com isso. Mas não existem apenas duas categorias lidando com nossos seres.

Além da religião e da ciência, que disputam nossas mentes epistemologicamente, há uma terceira instituição que pretende atrair nossa atenção incondicionalmente; esta é o estado.

O estado, através do governo, não está preocupado com a religião nem com a ciência, muito menos com o nosso ceticismo.

O estado pode apelar à nossa fé, pode apelar à nossa razão, mas se seguirmos céticos às suas razões, via de regra arbitrárias, o estado, através do governo, recorrerá ao mais doloroso dos argumentos: o uso da coerção, o uso da força.

A igreja usa a fé, o mercado usa a razão; o governo, por sua natureza e finalidade, usa a coerção impiedosamente, e não há quem tenha poder suficiente para contrariá-lo.

Contra a vontade arbitrária do estado, não adianta rezar, não adiantam evidências ou lógica; quando o governo decide usar a força para impor suas razões arbitrariamente elaboradas, estamos condenados à obediência, ou à revolta – se não nos importamos com as consequências.

É claro que há aqueles que são poupados da fúria irracional do estado; estes são os que chamamos de privilegiados.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.