A esquerda militante está com medo da onda liberal no Brasil

Um artigo de Laura carvalho, herdeira intelectual de Maria da Conceição Tavares, hoje na FSP, que aborda um eventual governo de Jair Bolsonaro, a partir de 2018, mostra que o esquerdismo militante anda bem preocupado com a onda liberal em Pindorama. É claro que a economista da USP não discute ideias ou propostas. Ela escreve […]

Um artigo de Laura carvalho, herdeira intelectual de Maria da Conceição Tavares, hoje na FSP, que aborda um eventual governo de Jair Bolsonaro, a partir de 2018, mostra que o esquerdismo militante anda bem preocupado com a onda liberal em Pindorama.

É claro que a economista da USP não discute ideias ou propostas. Ela escreve um artigo inteiro tentando demonstrar uma suposta ligação entre o liberalismo econômico e regimes totalitários. O exemplo, claro, é sempre o mesmo, já que praticamente não há outro: o governo repressor de Augusto Pinochet, no Chile, cuja política econômica foi comandada por economistas liberais chilenos, egressos da Universidade de Chicago. (Preparem-se, porque ainda vamos ouvir falar muito dele, daqui até a eleição).

Não há uma só palavra no artigo em relação ao fato de que, graças à implementação daquela política, o Chile é hoje, disparado, a nação mais rica, próspera e bem estruturada da América Latina, apesar dos esforços incessantes de sucessivos governos socialistas, após a redemocratização, para desconstruir todo o arcabouço institucional liberal daquela economia.

Tampouco a moça se refere ao fato histórico marcante de que, enquanto todos os demais países do continente – a grande maioria deles também governada por ditaduras militares – praticavam políticas econômicas desenvolvimentistas, paridas pela famigerada CEPAL e bem ao gosto de dona Laura carvalho, o Chile ia pelo caminho inverso do liberalismo econômico. E por que ela esconde esse fato? Ora, porque basta olhar os resultados de longo prazo daquelas políticas diametralmente opostas para ver quem fez a escolha correta.

Laura cita, en passant, o nome de Margaret Thatcher – outra que, em seu governo, no Reino Unido, abraçou a política econômica liberal -, mas não para dar-lhe os devidos créditos por ter retirado aquele país da estagnação econômica em que sucessivos governos de esquerda, antes dela, o haviam colocado. Sua referência é meramente retórica, sarcástica, crítica de políticas econômicas ortodoxas, “linhas duras”.

Não à toa, Laura é apologista da chamada “Nova Matriz Econômica”, praticada por Guido Mantega et caterva durante o Governo Dilma, cuja base foi muito intervencionismo regulatório, muito gasto público, muito subsídio aos escolhidos do rei (ou da rainha, no caso), muita inflação e, last but not least, nenhuma responsabilidade fiscal. Laura é daquelas que acreditam que os recursos do Estado são infinitos e que políticas de longo prazo são perniciosas, pois, afinal, “amanhã estaremos todos mortos”.

No final de seu libelo antiliberal, a moça nos brinda com uma afirmativa tão desonesta quanto bizarra: “O modelo em vista [ela fala de um eventual governo de Bolsonaro] parece ser o de um Estado forte na repressão às liberdades individuais e fraco na garantia de uma rede de proteção social e de serviços públicos de qualidade. A julgar pelas experiências que já observamos mundo afora, os mais pobres e a classe média sairiam duplamente prejudicados.”

Que experiências seriam essas, professora? Por favor, me dê apenas um exemplo de país onde a implantação de políticas econômicas liberalizantes tenha prejudicado os pobres e a classe média.

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