Entre o que se sabe e o que se esconde
Prossegue a esculhambação dos “recadinhos” mandados via imprensa — sem que haja o escândalo correspondente ao absurdo da ideia ventilada.
Os ministros do STF já fizeram isso várias vezes por meio de colunas. Agora é a vez de Daniel Vorcaro, o cretino que operava as fraudes bilionárias do banco Master.
Segundo coluna de Mônica Bergamo, Vorcaro “relatou a interlocutores” que não pretende atingir ministros do STF em sua delação premiada, apenas “se for inevitável”. É lógica básica que, se há a possibilidade de isso ser “inevitável”, é porque existe algo a ser “evitado”, ou seja, ele tem o que entregar sobre os togados.
Sabemos que, notadamente, a dupla dinâmica formada por Dias Toffoli e Alexandre de Moraes tem fornecido fartas razões de “suspeitas”, para dizer o mínimo. Mais nauseante é o registro da coluna de Mário Sabino, no Metrópoles, relatando que, antes da troca da equipe de defesa de Vorcaro, advogados chegaram a propor a André Mendonça, relator do caso, uma delação pela metade que atingisse um ministro do STF e poupasse o outro (!).
Cabe ao relator e à Polícia Federal deixar claro que não se trata de uma espécie de leilão e que a obrigação de Vorcaro é entregar tudo ou receber nada. Se o fizerem, têm grandes chances de garantir um nobre lugar na História — o que, a essa altura, depende apenas do cumprimento do dever, artigo raríssimo em nossas autoridades contemporâneas.



