Capitalismo “responsável”? Responsabilidade de quem?

Que homem brilhante e visionário foi o filósofo e economista britânico nascido na Escócia, Adam Smith! Claro, foi um pensador e fazedor, trabalhando no balcão da realidade.


Quase tudo que precisamos saber – e que muitas vezes não nos contam e não exigem nos bancos escolares – está lá. Primeiro em 1759, em Teoria dos Sentimentos Morais, e após, em 1776, transformado em ciência econômica no seminal A Riqueza das Nações.

Como dita a moda, agora querem “reinventar a roda econômica”, com roupas teóricas mais florais, plastificadas e com amarrações… “inovadoras”…


Surgem “novas” teorias, novos nomes, neologismos e verdadeiras farsas na tentativa de explicar o fenômeno econômico e, na atualidade, os motivos da desigualdade.

Penso que seria muito mais produtivo e benéfico tentar elucidar as razões da geração de riqueza.

Foi o que fez árdua e proficuamente Smith. Para ele, é a liberdade no mercado aquela que propicia maior cooperação social, consentida entre indivíduos buscando seus próprios interesses. A história das civilizações demonstra que quanto maior liberdade de iniciativa de empresas privadas e pessoas, maior é a prosperidade.

Crescimento econômico e social provém da maior cooperação entre estranhos, alcançada pela máxima divisão do trabalho e respectivas especializações. É a liberdade para descobrir novas soluções para consumidores, ancorada na perspectiva do lucro, que estimula a atividade empresarial e beneficia a todos. A inovação é função específica da função empresarial.

Uma turma de intelectuais bondosos, políticos populistas e economistas marxistas, no momento atual, toma as revoltas na América do Sul como a simbologia de uma “contrarreação ao neoliberalismo extremo e o impulso aos máximos lucros”, deixando por trás de si “uma sensação de falta de justiça social”.

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A fim de combater as desigualdades, bradam que é necessário abrir a era do “capitalismo responsável”.

Fico me perguntando se os consumidores, por meio do sistema de preços, da oferta e da demanda, não são aqueles que sempre determinam o “pacote competitivo” que prosperará e se manterá no mercado? Isso não acontecerá até o momento em que, por um processo de destruição criativa motivado pelo alcance de lucratividade superior, surgirá um outro empresário que desbancará uma oferta menos competitiva e inovadora? O que será que mudou?

Mesmo com a ascendente pegada de respeito ao meio ambiente e as comunidades locais, não são os consumidores que, expressando suas preferências, avaliam e discriminam aqueles que devem vencer a batalha competitiva nos mercados?

Em Teoria dos Sentimentos Morais, Smith explica que indivíduos perseguindo seus próprios interesses geram empregos e renda e, assim, parte considerável da riqueza é naturalmente distribuída pela mão invisível no mercado ao restante da população, resultando num certo equilíbrio econômico.

Smith foi crítico voraz das externalidades em que empresários (incompetentes) se unem para formarem monopólios e oligopólios, distorcendo absolutamente a lógica do equilíbrio nas negociações por oferta e demanda. Do mesmo modo, o intervencionismo estatal e o compadrio privilegiam poucos grupos empresariais e de interesses, bloqueando o livre mercado, concorrencial. Para ele, uma regulação adequada e justa seria necessária para conter o “egoísmo ruim”.

Evidente que o liberalismo econômico não é um sistema perfeito, mesmo porque é o Estado que tem o poder de regular os mercados. Na medida em que se alcança a desejável limitação do poder do Estado, consegue-se preservar de fato a maior liberdade possível aos indivíduos e aos grupos sociais.

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Não, claro que não é a retórica falaciosa acusadora do liberalismo econômico (o que é neoliberalismo?!) o que impede a justiça social. Pelo contrário, é a escassez de liberdade econômica e individual que a faz emergir!

Factualmente, a liberdade econômica é a geradora de empregos, renda e riqueza e responsável pela maior criação de laços sociais saudáveis entre as pessoas.

Quanto desserviço e inutilidade perniciosa de intelectuais dos livros e de economistas idealistas e utópicos que ainda não se deram conta (ou não querem!) de que quem manda realmente são o desejo e a ação dos consumidores, elegendo democraticamente nos mercados ofertas que melhor resolvam seus diversos e distintos problemas! Esse é o mundo real!

Por favor, é preciso parar de confundir filosofias, desejos quiméricos com o que acontece no mundo da realidade econômica nos mercados!

Nunca haverá fantasiosa igualdade. A diversidade de talentos, necessidades e objetivos de vida na sociedade é por si só geradora de uma natural desigualdade econômica.

O que se necessita então é de mercados realmente livres para que haja maiores estímulos para a potencialização de oportunidades para todos. Objetivamente, a economia de mercado conduz ao progresso material e à maior prosperidade, que só se realiza num contexto de maior liberdade individual.

Aparenta-me trivial que aquelas organizações que não se comportarem eticamente de forma responsável, social e ambientalmente, não terão a preferência de consumidores – em especial dos mais jovens – que se preocupam com tais questões. É o julgamento popular dos consumidores que faz com que empresas alcancem – ou não – o tão necessário lucro para o reinvestimento em tais causas “mais nobres”.

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Mas é fundamental não esquecer que quem gera valor útil, empregos, renda e riqueza são os bons empresários que operam nos mercados para continuamente criar, via destruição criativa, novas soluções para melhorar a vida de todos. Evidentemente contando com o salutar estímulo do lucro. A riqueza provém do conhecimento, da criatividade e da inovação, e sim, dos lucros!

Não, senhores, não é a expansão contínua do controle estatal que oportunizará mais justiça social, mas é a maior liberdade nos mercados pela redução do intervencionismo, do compadrio, de burocracias, de regras e de regulamentações inibidoras da criatividade do empreendedor que o fará.

Precisamos realmente de menos burocratas, intelectuais, papas economistas e marxistas devotos e de mais liberdade impulsionadora de maior conhecimento e de mais inovações que resultam num crescimento econômico dinâmico, realizado e alcançado por meio de indivíduos livres nos livres mercados.

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Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.