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As contradições no gesto de FHC

Por conta de mais um comentário estulto do blogueiro Felipe Neto, lembrei do impagável Manual do Perfeito Idiota Latino-americano, que conta um pouco da história do atraso do nosso continente e destaca a desgraça que as políticas socializantes e estatizantes nos trouxeram.

Fernando Henrique Cardoso é citado no livro por ser um dos autores do panfleto Dependência e Desenvolvimento na América Latina, que está na relação das dez obras que fizeram a cabeça dos idiotas latino-americanos. Quando li o livro, há vinte anos, fiquei com a impressão de que a presença de FHC como um dos arautos da idiotia latino-americana era injusta, afinal, ainda estavam frescos na minha memória o Plano Real e as privatizações da Vale e do sistema de telefonia. A meu juízo, portanto, os governos de FHC foram governos pragmáticos – e não ideológicos, como se esperaria de um perfeito idiota latino-americano.

Porém, ao olhar para a recente fotografia de um FHC sorridente, ao lado de um pulha como Lula, minha decepção me trouxe a certeza de que a sua inclusão no livro dos idiotas não foi por acaso. Afinal, como rememora J. R. Guzzo, “Durante anos a fio Lula acusou Fernando Henrique, aos gritos e pelo mundo inteiro, de ter lhe deixado uma “herança maldita”… Até pouco tempo atrás tratava FHC como uma das maiores, ou a maior, desgraça que o Brasil já teve; era o grande satanás da “direita”, das “elites”, etc., etc. Agora, candidato para governar o país pela terceira vez, Lula vira amigo de infância de quem acusava, cinco minutos atrás, de ser o retrato acabado do mal – e o inimigo engole tudo sem dar um pio”.

É compreensível que FHC queira ver Bolsonaro bem longe de um segundo mandato, mas os fins não justificam quaisquer meios. Pelo menos para quem não coloca a ideologia à frente da razão e da ética mais elementares…

Shame on you, FHC!

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.