Alckmin precisa revelar se vendeu o financiamento sindical ao “Centrão”

Mais do que o apoio do governo em si, os prognósticos políticos do país ficam em compasso de espera pela escolha do “Centrão” – um bloco variável de partidos que se articulam para apontar um mesmo caminho, capazes de sustentar um governo ou complicar bastante a sua vida. A notícia que movimentou a imprensa nas editorias de política nesta quinta-feira (19) foi a de que, embora o anúncio oficial tenha sido deixado para semana que vem, depois da notificação aos diretórios, o “Centrão” fechará em 2018 com o tucano Geraldo Alckmin.

A primeira reação esperável é a do “menos mal”; afinal, foi aventada uma forte possibilidade de o “Centrão” enlouquecer em definitivo e se unir ao pedetista Ciro Gomes, esquerdista tresloucado que vê bastante reduzida a sua força nesse cenário. Antes o social democrata “picolé de chuchu” ao nefasto insurgente que receberia Moro à bala, teria uma atitude internacional de condenação à oposição “nazista” (sic) da Venezuela e deixou no ar uma ameaça à promotora que abriu inquérito contra ele por injúria racial.

Alckmin é o presidente dos nossos sonhos? Não; mas em uma comparação restrita a esses dois, e precisamos sempre considerar todos os cenários possíveis e avaliar os nomes em campo, seria um mal menor.

Ainda assim, há um detalhe para que muitos não irão atentar. O “Centrão” é tão importante devido às disfuncionalidades do nosso sistema político, combinando a multiplicação de legendas sem “cara”, alma ou coerência de princípios – transformando o Congresso e a briga por apoio nos pleitos a cada quatro anos  em insípidos e destrutivos balcões de negócios – com o controle das máquinas políticas pelos mandões regionais, que, se não é o mesmo da rural República Oligárquica do fim do século retrasado e começo do passado, não é lá tão fundamentalmente distinto hoje em dia.

Para conseguir esse apoio conjunto e robusto, que pode ajudar muito em suas pretensões algo desacreditadas de atingir o Planalto, Alckmin certamente não usou apenas o seu “lindo sorriso”. Negociações são necessárias, envolvendo ofertas de cargos e compromisso com agendas acordadas entre os partidos cujo apoio se está “comprando”. A pergunta que fica é: o que Alckmin “vendeu” para conseguir esse apoio?

Em mais de um veículo jornalístico, encontramos a menção a um detalhe tenebroso da reunião responsável por selar o apoio que precisa ser alardeado aos quatro cantos e sobre o qual o senhor Geraldo Alckmin precisa oferecer uma resposta peremptória à sociedade. Tomemos o exemplo do jornal O Globo:

“Um dos itens apresentados na reunião foi uma condição de Paulinho da Força (SD-SP): o compromisso de um novo modelo de financiamento de sindicatos. Com o fim do imposto sindical, que obrigava os trabalhadores a contribuir com as associações, a fonte de dinheiro de seus colegas começou a secar. Paulinho, o principal dirigente da legenda, é oriundo da Força Sindical e defende o interesse dos grupos organizados. Segundo um dos participantes, Alckmin aceitou discutir o assunto”.

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Vejam só: o “Centrão”, por conta do SD, deseja que o Estado repense o financiamento de sindicatos, estabelecendo um novo modelo, depois de obtida a histórica conquista do fim do nefasto imposto sindical. Uma das realizações positivas no período do governo Temer, provavelmente a mais memorável devido a este imposto ser uma chaga que pesa sobre o Brasil desde a ditadura Vargas nos anos 40, essa vitória foi aprovada pela maioria da Câmara dos Deputados.

O mesmo Congresso que está “chutando” o equacionamento da crise econômica, abrindo a perspectiva de mais R$ 100 bilhões de prejuízo ao aprovar a “pauta-bomba”, agora quer “chutar” para escanteio também uma reforma que golpeou duramente os maiores parasitas da pátria. Os parlamentares vendidos e fisiológicos estão fazendo muito esforço para jogar tudo na vala comum e mostrar que não servem para muita coisa além de trampolim para os radicais vermelhos terem a quem culpar pelas desgraças do Brasil. Estão fazendo muito esforço para enterrar tudo de positivo que a equipe econômica do governo Temer e o respiro oferecido pelo colapso do lulopetismo acabaram de permitir.

Muita gente lutou por décadas para que o Brasil se livrasse do poder do peleguismo. Renunciar a essa conquista para garantir apoio eleitoral é uma velhacaria das mais imundas. O Brasil precisa deixar para trás o projeto da República Sindicalista. Se o governo se investir do poder de financiar sindicatos, das duas uma: ou, deixando-os independentes, fará com que permaneçam feudos de partidos esquerdistas e vagabundos sustentando suas vidas nababescas enquanto alimentam PT e cia. com exércitos de agitadores, ou, gastando uma boa parcela do nosso dinheiro, terá a completa tutela sobre eles, matando qualquer chance de associações livres de trabalhadores, mantidas pelo interesse de quem as financia, tornando-se apenas marionetes do presidente em exercício.

Essa precisa ser uma exigência ao candidato tucano, mesmo para quem não pretenda votar nele. A natureza das peças do jogo precisa ficar totalmente clara, até para quem cogitar dar uma nova chance aos tucanos em um eventual segundo turno em que eles cheguem contra um candidato mais indesejável. O PSDB em geral teve o bom senso de apoiar o fim do imposto sindical. Alckmin mandou isso às favas e decidiu vender esse presentinho aos novos aliados? Terá cometido tamanha traição ao país?

É preciso que revele. Se for evasivo ou se mantiver calado, não nos poderá culpar por presumir o pior.  

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