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Para perdedores que adoram o poder, nenhum sistema é confiável

Se é urna eletrônica, pode ser hackeada. Se é voto na urna, ela pode ser violada ou descartada. Se é voto pelos correios, ele pode ser falsificado.

O sistema americano funciona há séculos e tem garantido que o processo democrático de escolha dos delegados nunca tenha sido contestado, porque há nele uma série de mecanismos automáticos para evitar fraude ou erros involuntários.

Entre esses mecanismos há o da recontagem dos votos quando a diferença entre os candidatos é inferior a um determinado percentual. É óbvio que, ao fim da votação, o candidato que se declarar vencedor ou for apontado como tal por seu rival só irá ser formalmente declarado eleito quando todo o processo for considerado encerrado. Inclusive, o vencedor só se torna presidente após fazer o juramento de defender a Constituição e os EUA, perante o representante da Suprema Corte.

Até a posse, muita coisa pode acontecer, mas tem sido tradição, finda a votação, que o candidato com o maior número de delegados no colégio eleitoral, conforme se vê sendo noticiado, seja considerado vencedor. O que não impede que o candidato que se considerar vítima de fraude possa reclamar.

Para os conservadores empedernidos, como os que costumam existir onde o conservadorismo nunca foi entendido, como aqui no Brasil, parece que tradição e prudência precisam ser relativizados para dar suporte aos reclames pueris.

Fraudes devem ser apuradas e corrigidas, mas tudo isso pode ser feito, mesmo o perdedor cumprimentando o vencedor pelo que parece ter sido o resultado apurado até aquele momento. Esse gesto, antes de ser o reconhecimento de uma eventual derrota, é um voto de confiança no sistema democrático que, por sinal, no caso do Trump, entregou-lhe o poder para exercer seu primeiro mandato.

Parece que esse tipo de conservador é na realidade um pragmático. Alguém sem princípios que só quer seguir tradições quando elas são convenientes.

Bem, Trump não é conservador, não é liberal como entendemos aqui no Brasil. Trump é um reacionário e pragmático que quer manter o poder a qualquer custo.

Se houve fraude, se isso for comprovado, já saberemos que tipo de vencedor assumirá para um novo mandato. Minha opinião sobre Trump não inocenta Biden e os democratas das críticas ainda mais ferozes que faço.

Democratas e republicanos são diferentes, mas têm a cada dia se tornado mais parecidos. Coletivismo e estatismo já enterraram o espírito individualista e liberal nos Estados Unidos há muito tempo.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.