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Olhar de um liberal sobre o enredo do Brasil contemporâneo

Eu tenho escrito e lutado na tentativa de expor ideias e pensamentos fundamentais para que o Brasil não perca a oportunidade de perder mais uma oportunidade de ingressar no firme e comprovado caminho do desenvolvimento econômico e social (tenho sido criticado pela direita, pela esquerda, pelo centro, e até mesmo por auto denominados “liberais”).

Tais ideias “progressistas” vêm do período iluminista, no qual surgiram teorias políticas e econômicas que colocavam o foco no indivíduo e nas suas liberdades individual e econômica. E o Estado? O Estado “necessário” – moderno e eficiente – tem a função precípua de garantir a manutenção da ordem e da lei, preservando os direitos fundamentais à vida, à liberdade e à propriedade.

Um dos grandes pais do liberalismo, Adam Smith, defendia o livre mercado, aquele sem a intervenção estatal na economia, opondo-se tanto aos monopólios estatais quanto aos privados. Como liberal, acreditava na capacidade da simpatia humana (sem entrar na natureza da questão), da preocupação com os outros e, ao mesmo tempo, na visão de que, se cada indivíduo buscasse o seu próprio interesse, estaria factualmente produzindo os melhores resultados – através de trocas benéficas e voluntárias – para toda uma comunidade.

Basicamente a visão liberal preza pelas liberdades, por uma justiça que imponha leis justas que se apliquem igualmente a todos, garantindo o cumprimento dos contratos privados, celebrados por meio de relações colaborativas e voluntárias entre os indivíduos, e a igualdade de oportunidades para todos cidadãos.

Liberais, de fato, não acreditam na capacidade superior – cognitiva e moral – de burocratas estatais de centralizarem decisões que definam os planos e os destinos de pessoas em um contexto social, indivíduos esses com características, habilidades, competências, necessidades e desejos bastante heterogêneos entre si. Objetivamente, as pessoas são naturalmente diferentes e têm aspirações muito distintas em todas as esferas de suas vidas. Inexiste pragmaticamente a possibilidade de um órgão centralizador e planificador conhecer e controlar o emaranhado de visões e desejos de indivíduos e de suas respectivas relações econômicas e sociais que são estabelecidas no tecido econômico e social de um determinado ambiente.

Liberais, diferentemente daqueles que querem fazer crer no contrário, preocupam-se com a vida dos descamisados, ou seja, com programas sociais inteligentes, com a possibilidade de uma justa renda mínima, com uma educação de qualidade para todos, com a universalização do saneamento básico, entre outras demandas cruciais e urgentes nesta República das Bananas. Há séculos as elites se deleitam com as formosas, e para a plebe… ah, sobram as cascas!

Liberais buscam justamente colocar o indivíduo como protagonista na sociedade, ao invés do abstrato Estado, controlado por políticos e agentes estatais que procuram se beneficiar de privilégios e benesses exclusivas, por meio de direitos adquiridos e de acordos nada republicanos com a elite do empresariado (com “e“ minúsculo). Claro que eles querem controlar os comuns!

No bizarro país do capitalismo de estado, do compadrio e do clientelismo, são exatamente esses “empresários” que não desejam empresariar, que se mancomunam com tais atores estatais, a fim de se imunizarem contra a livre concorrência e ganharem as custas da ineficiência e da penalização de cidadãos e trabalhadores comuns, obrigados a consumir produtos tecnologicamente defasados, de pior qualidade e com maiores preços.

Bem, o que todos nós brasileiros estamos agora presenciando a olhos nus, embora muitos não enxerguem, é a incessante luta das oligarquias, estatais e do setor privado, especialmente reforçada pelo partido da mídia marrom absolutamente parcial, visando a derrubar um presidente eleito democraticamente, que tem como um dos pilares de seu governo alterar a agenda econômica nacional por meio de reformas estruturantes e liberais na economia.

Posto de forma singela: a guerra é travada entre os arautos do velho estatismo, da manutenção dos eternos privilégios para poucos, das castas estatais e empresariais, e entre os defensores da economia de mercado, em que busca-se privilegiar o todo social, pondo o centro nas relações entre indivíduos e empresas, estas tendo que competir livremente, o que implica a necessidade sistemática de inovar e de se descobrirem novas formas de entregar valor e melhores soluções para os problemas funcionais, emocionais e sociais dos cidadãos consumidores.

O liberalismo efetivamente nunca deu os ares por terras verde-amarelas. Faz quase 150 anos que as oligarquias nacionais se locupletam às custas do povo brasileiro. Não acredito na perfeição humana, tampouco na existência de salvadores da pátria. Evidente que o governo atual tem grandes problemas e desafios. Claro que o presidente fala – e ataca – pelos cotovelos, mas não nos deixamos enganar pela pecha ilusionista de fascista, esta que especialmente a mídia putrefata e os tradicionais e “bondosos” encarnados querem colocar no presidente e até nas iniciativas governamentais.

É fundamental lembrar que as instituições foram e ainda estão aparelhadas por pessoas que desejam a volta do velho sistema e que não arredam um milímetro de suas posições, a fim de manterem ou reconquistarem seus privilégios abissais e imorais. Salta aos olhos de qualquer observador razoável a intransigente briga de togados e seus “ativismos” no STF, a desigual cultura coletivista enraizada no seio das universidades, de políticos corporativistas e fisiológicos no congresso e do partido da mídia desinformante, pelo retorno ao quente ninho do estatismo e do corolário clube privê!

Em meio à pandemia viral, a guerra política não cessou! A Covid-19 é real, no entanto, deveria ser atacada de maneira sensata, embasada pelos fatos e em evidências regionais, localizadas. Só cegos (ou até eles enxergam e/ou escutam) não veem que o isolamento social drástico e irrestrito implantado por governadores e prefeitos, com a anuência do STF, mesmo em regiões com nenhuma ou quase zero infecções e zero fatalidades paralisou como nunca as atividades econômicas nas cadeias de suprimentos e tinha como triste objetivo ajudar a destruir milhões de empregos.

A heurística da disponibilidade impacta e a nefasta narrativa midiática do medo continua a entoar melancolicamente que o desligamento econômico era (ou é) vital, ignorando completamente as vidas econômicas e a carnificina humana que teremos pela depressão e pelo gigantesco desemprego.

Como inexiste “vida integral” sem alguma espécie de risco, o sistema golpista destruiu grande parte da economia em nome da “redução de risco”. O pior, do ponto de vista liberal, foram as arbitrárias e autoritárias restrições sem precedentes às liberdades pessoal e econômica, justificadas por alusões à “ciência” (estudos estáticos, não evidências comprovadas), que de científico mesmo só há interesses políticos e eleitoreiros.

De encontro à lógica liberal, do pensamento mágico de burocratas estatais, definiram-se setores “essenciais” versus não essenciais, paralisando micro, pequenos, médios – e até alguns grandes – empreendedores, enquanto grandes varejos supermercadistas e prestigiosos empresários de negócios digitais levavam a égua!

Agora, a receita golpista é incentivar os movimentos “antifascistas” (basta visualizar o ex-presidiário e seus asseclas orientando tais lideranças criminosas) para lutarem em defesa da “democracia” e do “Estado de Direito”, prejudicando, destruindo e causando toda espécie de distúrbios, mais uma vez trazendo insegurança e retardando o início intensivo das atividades econômicas.

Eu não luto por políticos, não tenho interesses neste governo, tampouco burocratas de estimação. A minha batalha pessoal é pelas ideias, pelas iluminadoras ideias liberais! Apesar de todos os pesares, tinha esperança de que esse sofrido povo pudesse ter a oportunidade de experimentar os resultados pragmáticos de políticas liberais na economia, geradoras de mais empregos, renda, bem-estar, riqueza e mais prosperidade para todos.

Espero estar enganado, mas os movimentos visando a derrubar o presidente e, portanto, a agenda modernizante e liberal na economia, além de serem sistemáticos e nefastos, parecem estar se intensificando. A força dos estatistas, das oligarquias e dos parasitas de plantão, buscando retornar – e/ou conservar – ao amplo e confortável capitalismo de Estado é enorme! Continuarei brigando pelos ideais das liberdades individuais e econômicas, pelo progresso ao invés das utopias e do retrocesso ao protagonismo estatal e aos privilégios das tradicionais castas tupiniquins. Veremos…

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.