O que foi de verdade a nossa Monarquia? Ou: a República deu mesmo certo?

por RAFAEL HOLLANDA*

brasil_07Completaram-se 126 anos do golpe militar dado por setores positivistas das Forças Armadas que, contrariamente à vontade popular, instaurou a forma de governo republicana no nosso país, transformando a única democracia que existia na América do Sul em um estado policial onde os primeiros atos do novo governo foram:

1 – dissolver todos os partidos políticos existentes no país;

2 – colocar em um navio a família imperial e proibí-la em caráter vitalício de voltar à sua terra natal;

3 – fechar a Assembleia Geral, a Suprema Corte de Justiça e substituir suas funções por comitês das Forças Armadas e pelo ministério recém-nomeado;

4 – reprimir qualquer manifestação a favor da família real;

5 – ameaçar com prisão os donos dos jornais que se posicionassem contrários ao movimento.

A falta de noção, de compreensão dos valores nacionais do Brasil e de patriotismo imperavam na cabeça dos oficiais das armas que proclamaram a República naquele tempo. Deodoro da Fonseca chefiou o movimento por conta de uma razão passional, visto que ele perdeu para o então Senador gaúcho, Silveira Martins, o coração da Baronesa de Triunfo, uma bela fazendeira da região, enquanto era Presidente da Província do Rio Grande do Sul. Silveira Martins seria o escolhido naquela primavera de 1889 por D.Pedro II para suceder o Visconde de Ouro Preto no cargo de Primeiro-Ministro, o que enfureceu Deodoro e o fez juntar todas as suas forças, mesmo doente, para chefiar o movimento. Podemos dizer, em outras palavras, que um “rabo de saia” foi a principal motivação para que a República fosse proclamada no Brasil.

Se, como disse Aristides Lobo, “ os brasileiros não compreenderam e assistiram bestializados À Proclamação da República, pensando que era uma parada militar”, mal compreenderiam a ideologia por trás do movimento republicano, baseado em uma estranhíssima filosofia que misturava traços de ciência política com racionalismo científico e teologia: o Positivismo.

Conhecida como “ Religião da Humanidade”, pelo seu lema “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”  e querida nas nossas forças armadas da época por justamente defender a instauração de um governo forte e centralizador para a consolidação do seu projeto, o seu fundador, Auguste Comte, era figurinha marcada nos círculos intelectuais europeus por conta da sua personalidade esquisita. Comte, assim como Deodoro, tinha a sua musa inspiradora: Clotilde de Vaux.

Nos escritos positivistas, Clotilde é colocada como a “Mãe Espiritual da Religião da Humanidade”, e o próprio Comte admitia que Clotilde era a sua principal motivação para a fundação do Positivismo e para propagar as suas ideias pelo mundo.

Com diretrizes confusas, prolixas e completamente utópicas, essa filosofia foi a escolhida para representar os anseios de um povo que, até hoje, pouquíssimo ouviu falar sobre ela e o que ela exatamente defende. O encantamento com essa utopia nas Forças Armadas era tamanho que  uma abreviação do seu lema foi colocada na bandeira republicana do Brasil: “Ordem e Progresso”, retirando a esfera armilar, a cruz e os ramos de açúcar e tabaco, que de fato representavam o Brasil e tinham um profundo significado para o seu povo. Alarmados e ao mesmo tempo achando a situação tremendamente caricata, integrantes da embaixada francesa enviaram um telegrama ao Itamaraty perguntando se os republicanos haviam declarado o Positivismo como a religião oficial do País. Ninguém entendia direito o que se passava naquela semana de Novembro de 1889.

Cabe ressaltar também que a bandeira republicana era tremendamente impopular. A grande maioria dos brasileiros achou a nova bandeira feia e sem significado exato. Alguns pensavam que o Brasil havia colocado o mundo na sua bandeira e a maioria não entendeu o lema. A bandeira só atingiu aceitação popular na Semana da Pátria de 1922, quando o povo finalmente se acostumou com ela.

Falando agora dos dados estruturais mais importantes, ao final as senhoras e os senhores poderão responder com clareza a pergunta que corresponde ao título deste artigo.

O Brasil, no Século XIX, era um dos Países mais respeitados do mundo. Tinha uma diplomacia vibrante, usada para fins nacionais e não para fins políticos. O Brasil, recém-fundado, acompanhou com cautela as disputas sangrentas entre os republicanos latino-americanos e, como manda a boa tradição conservadora, manteve prudência e continuou com a Monarquia como forma de governo, sempre buscando aprimorar suas instituições ao invés de destruí-las por interesses políticos como fizeram os nossos vizinhos.

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Outro mito que é necessário desconstruir é o da questão da escravatura. Na semana do Plebiscito de 1993, o ator Milton Gonçalves, apoiador da República, foi à televisão dizer que a volta da Monarquia representaria a volta da Escravidão. Nada mais falso. A Família Imperial esteve na vanguarda na luta contra os escravocratas. D.Pedro I escreveu repetidos artigos na imprensa contra a escravidão, a Família Imperial alforriou todos os seus escravos, D.Pedro II usava o seu vencimento para comprar a libertação de escravos, além de ter enviado muitos escravos libertos para estudar no exterior e, finalmente, a Princesa Isabel sancionou a Lei Áurea, símbolo máximo da igualdade de todos perante as leis e talvez o mais importante documento que versa sobre Direitos Humanos no País.

Enquanto isso, o Partido Republicano, que teve seus direitos amplamente assegurados durante todo o Segundo Reinado, era, em caráter majoritário, favorável à escravidão e a achava um meio interessante para impulsionar a economia.

Um partido nanico, o PR ficou famoso apenas em 1888, logo após a assinatura da Lei Áurea, quando os Senhores de Engenho, revoltados com a libertação dos escravos e por perder a sua mão de obra gratuita, fizeram um gigantesco lobby de financiamento ao Partido e a clubes republicanos e buscaram influenciar a Maçonaria, o que foi fundamental, sem dúvida, na ajuda para depor o regime que libertou os escravos do Brasil. O mais irônico de tudo é que no pouco conhecido Hino da Proclamação da República, composto pelo maestro Leopoldo Miguez,  existe um verso: “nós nem cremos que escravos outrora tenham havido em tão nobre País; hoje o rubro lampejo da aurora, acha irmãos não tiranos hostis” – o que dá a impressão de que os Republicanos foram os responsáveis por libertar os escravos e que instauraram, de imediato, uma república que livrou o Brasil de uma ditadura sanguinária. Mais falso do que isso apenas uma nota de três reais.

Vale a pena trazer à tona, a desconhecida carta da Princesa Isabel ao Visconde de Santa Victória, que tratava de um projeto conjunto do Governo de Sua Majestade com o banco do Visconde para indenizar todos os antigos escravos, fato que não ocorreu por conta da proclamação da República. A carta pode ser encontrada aqui.

Outro ponto de suma importância a se tocar é o da economia. Gerida por economistas identificados com as ideias liberais, a economia do Brasil era uma das mais estáveis do mundo. O País, mesmo no período da guerra do Paraguai, não enfrentou nenhuma recessão na sua economia que tinha, naquela época, o mesmo tamanho da dos Estados Unidos. O Brasil era um exemplo de responsabilidade fiscal, tendo o Imperador D.Pedro II doado títulos da dívida brasileira. Se o Brasil tivesse mantido um crescimento vegetativo daquela época até hoje, seríamos já na segunda metade do século XX, um país de renda alta e com um elevado padrão de vida.

A inflação durante os 67 anos de Monarquia foi, em média, de 1,58% ao ano. O Brasil teve apenas 1 moeda, o Real, e o salário mínimo equivalia a 22 gramas de ouro. Os monarquistas sabiam que uma moeda é parte da historia de um país e um dos símbolos da sua identidade e, por conta disso, deve ser preservada e gerida com prudência e dinamismo, o que já não ocorreu na República.

Em 126 anos, o Brasil teve 9 moedas, algumas que não duraram nem 1 ano de existência, quebrou 4 vezes, e registrou a cifra assustadora de 1.400.000.000.000% de inflação acumulada. A burocracia atingiu níveis estratosféricos, produzir se tornou um fardo, e o Brasil tem hoje a maior carga tributaria do hemisfério sul e o pior retorno de impostos do mundo. Obviamente que o sistema não era perfeito, mas funcionava perfeitamente bem dentro da medida do possível e, com toda a certeza, teria sido aperfeiçoado caso o Império fosse mantido até os dias de hoje.

Outro fator que diferenciava o Brasil dos seus vizinhos era a estabilidade política e o respeito pela democracia. O Brasil teve, durante os 67 anos de Império, dois Imperadores e 33 Primeiros-Ministros, sempre com alternância de poder entre os Partidos Liberal e Conservador. O Parlamento nunca foi fechado e funcionava a pleno vapor, com os parlamentares trabalhando de segunda a sexta e não, como é hoje na república, apenas de terça a quinta.

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O calendário eleitoral era rigorosamente cumprido e o país nunca teve eleições adiadas ou antecipadas por conta de uma crise.

D.Pedro II apenas perdia para a Rainha Victoria em tempo de reinado. Enquanto isso, as Repúblicas recém-independentes que nos cercavam já tinham tido dezenas de Presidentes, Diretores-Supremos, Juntas Militares e Guerras Civis. Os parlamentos já haviam sido abertos e fechados diversas vezes, golpes de estado eram frequentes e os cofres estavam sempre vazios. O Império Brasileiro era tão democrático, estável e respeitoso para com os seus cidadãos que o Presidente da Venezuela em 1889, Rojas Paul, ao saber do Golpe de 1889, disse: “foi-se a única República do Hemisfério Sul.”

D.Pedro II nunca aumentou o seu salário, do qual usava parte, como já dissemos, para libertar escravos e financiar estudos de brasileiros no exterior. Fez apenas duas viagens ao ultramar e bancadas do seu próprio bolso, onde ficou na casa de amigos ou de hóspede em hotéis modestos, pois o respeito ao dinheiro do pagador de impostos era, como dizia o Imperador, fundamental. Em sua comitiva, ele levava somente a Imperatriz Consorte, três assessores e uma Dama de Companhia.  Comparem isso com a comitiva suntuosa da Presidente Dilma em Roma que, no dia da investidura do Papa Francisco, ficou no hotel mais caro com o nosso dinheiro, gastando uma cifra absurda superior a R$ 200 mil.

Um ponto em que o Brasil podia se orgulhar era no que dizia respeito ao prestígio que o governo dava à ciência e à discussão de ideias. O Brasil foi o primeiro país do mundo a ter um telefone graças à amizade de D.Pedro II com Graham Bell; foi o segundo País a usar um selo postal. D.Pedro e José Bonifácio abriram centenas de Escolas Imperiais onde os alunos aprendiam música clássica, latim, francês, inglês e religião com professores que D.Pedro II trazia do estrangeiro, além do fato de que os alunos tinham de fazer, para passar de ano, uma prova oral para treinar sua capacidade de argumentação. D.Pedro II, inúmeras vezes, era o professor que arguia os alunos nestas provas orais. Os alunos mais premiados iam para o exterior estudar.

A Imprensa do Brasil era, seguramente, a mais livre do mundo. Observadores do Reino Unido e da França ficavam impressionados com o nível de liberdade de que os jornais gozavam no Brasil. Um enviado da Inglaterra uma vez comentou que se um jornal britânico tratasse a Rainha da mesma forma por que tratavam o Imperador D.Pedro II, seriam fechados imediatamente e seus donos responderiam por traição. Algo que jamais acontecia no Brasil, onde D.Pedro II, uma vez indagado sobre essa questão de deixar os jornais falarem o que bem entendessem e no teor que entendessem sobre ele, respondeu ao jornalista: “veja meu filho, imprensa é algo muito sério, é o pilar da democracia, e ela não deve ser combatida com ações estatais, deve ser combatida com mais imprensa.”

O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a ter jornais e revistas de diferentes correntes politicas competindo entre si harmoniosamente e sem censura estatal. Existe uma história, também pouco conhecida, dando conta de que o dono de um jornal republicano, sem dinheiro para continuar a produção e para fazer um empréstimo em um banco, marcou uma audiência com o Imperador para pedir-lhe dinheiro. D.Pedro o recebeu, ouviu a historia e no final assinou um cheque dizendo: “tome isto e continue a publicar as suas ideias”.

Outro ponto importante a ser ressaltado era que as liberdades civis eram profundamente respeitadas: o Brasil, mesmo tendo a Religião Católica como oficial, assegurava constitucionalmente o direito de cada grupo religioso realizar seu culto, seja lá ele qual fosse. A monarquia gozava de alta popularidade entre os setores judaicos e entre os religiosos de matriz africana. Naquela época isto era uma inovação, visto que eram poucos os países no mundo que admitiam liberdade de culto.

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O projeto nacional que a Monarquia traçou para o Brasil era até mesmo superior ao projeto que os pais fundadores traçaram para os Estados Unidos. José Bonifácio, o pai da nossa independência, escreveu um plano para o Imperador D.Pedro I que era da seguinte maneira: o Brasil seria uma Monarquia Constitucional Parlamentar, com um Poder Moderador exercido pelo Imperador para servir de freio e contrapeso aos outros 3 poderes, teria a mais plena liberdade econômica, religiosa e de imprensa e seria totalmente livre da escravidão assim que ficasse independente. Tal projeto só não foi aplicado em sua plenitude por conta dos Senhores de Engenho que, como classe produtiva do País, ameaçavam constantemente parar de produzir caso algo ameaçasse a eles e ao seu sistema escravista. Quando finalmente o Governo de Sua Majestade interferiu para libertar os escravos, em 1888, a elite se uniu às Forças Armadas e derrubou o Império.

A Constituição de 1824, inspirada pela Constituição Francesa de 1814, trazia a inovadora figura do Poder Moderador, a partir da qual o Imperador, acima de qualquer querela partidária, interesses financeiros ou parlamentares, servia como um agente neutro de equilíbrio entre os poderes. Era função do Imperador nomear, por exemplo, os Ministros da Suprema Corte e sancionar ou vetar a indicação do Primeiro-Ministro.

Como nós vimos, a República faz-de-conta, imbuída de uma crença que o povo pouco conhecia e financiada pelo que havia de pior na época do Brasil, destruiu um país que tinha um presente em progresso e um futuro promissor, destruiu o 14º maior império do mundo e a única democracia no hemisfério sul, em favor de um regime que nos deu 6 constituições, 3 ditaduras, 9 moedas. Éramos reconhecidos no mundo inteiro pela nossa Cristandade, o apego que o nosso governo tinha pela ciência, pela nossa estabilidade e pela sabedoria do nosso Imperador; hoje somos reconhecidos internacionalmente por dois fatores montados artificialmente pelo governo Vargas: o futebol e o carnaval ( ler o livro de Leandro Narloch, Guia politicamente incorreto da historia do Brasil).

A República pariu o populismo, pariu Getúlio Vargas e o seu fascismo, os regimes socialistas de João Goulart, Lula e Dilma, os generais de 1964, os “coronéis nordestinos” e tantos outros que marcam a nossa história como um exemplo de autoritarismo e uso do poder público para fins pessoais ou partidários.

O escritor Gustavo Nogy, nos brindou no dia de hoje com esse texto, na sua magistral e elegante prosa:

“Quando Dom Pedro II foi melancolicamente deposto e a república proclamada, o que se viu não foi apenas, ou principalmente, a troca de um sistema de governo por outro. Sistemas e regimes vêm e vão ao sabor das intempéries políticas, isso nunca foi propriamente novidade. Alguma coisa mais importante se perdeu.

O que se seguiu ao fim da monarquia foi uma sucessão de golpes e contragolpes, de revoluções e reacionarismos, da ascensão vertiginosa de oportunistas famintos de poder e, a depender das necessidades, de sangue, suor e lágrimas. A Constituição de 88, muito naturalmente, culminou no irônico coroamento dessa história fraturada: teríamos então um diploma para registrar todas as virtudes que já não conhecíamos.

Mas sobretudo: o fim da monarquia representa uma cisão histórico-cultural com o que somos originariamente. Desde então estamos à procura do que não sabemos ser. Se o brasileiro cotidiano um dia encontrasse na rua outro brasileiro – autêntico, meticuloso, indesculpável brasileiro –, não seria capaz de reconhecê-lo e passaria adiante, “vagaroso, de mãos pensas”.

O irresolúvel problema da identidade brasileira começa precisamente quando rompemos com Portugal – sua literatura, sua história, seus clamorosos erros – e nos reinventamos, ex nihilo, como selvagens inclassificáveis, monstrengos civilizacionais, novidades irreconhecíveis sob a harmonia carnavalesca das esferas.”

Tendo mostrado às senhoras e aos senhores tudo isto, façam-se a seguinte pergunta: a República deu mesmo certo?

*Rafael Hollanda é estudante de direito do Ibmec-RJ.

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Comentários

  1. Temos a missão de restaurar o Império Do Brasil , pode ser difícil más não é impossível

  2. A monarquia era liberal e democrática somente de fachada. O sistema político era corrupto, o senado vitalício e indicado pelo imperador. O voto era no cabresto, somente 1% conseguia votar, pois a população não tinha renda suficiente, era analfabeta e sem propriedades – condição para ser eleitor. No Brasil quase não existiam indústrias, os poucos empresários que existiam, não tinham incentivo. Não havia livre mercado, pois para se abrir qq “firma” era necessário ter algum amigo influente nas cortes.
    O Brasil do império era uma calamidade escravagista e elitista, um verdadeiro império de faz-de-conta, uma escola de samba de mau gosto na passarela da história.

    • Deixa de falar imbelicidades! Eram mais de 13%, para a época, o segundo mais democrático. Fala sério! Estás misturando a sujeira republicana com a monarquia! Se for pelo fato dos senadores serem indicados, Canadá também é, muito ruim lá, não?! Vá estudar nossa história, compre um bom livro e aprenda! Não espalhe tamanha estupidez!

      As indústrias em 49 anos aumentaram cerca de 1200%, a receita do Brasil foi de 16 bi para 153 bi, inflação de 1,53%, cambio controlado e tudo mais. Aprende antes de falar, rapaz!

  3. TRADUZINDO: ISSO TUDO SE CHAMA *** MAÇONARIA ***

    • Pior que tem o dedo nela em várias revoluções no Brasil.

  4. Muito bom…Li o livro História do Brasil de Boris Fausto e era notável a estabilidade do segundo reinado, tudo ia bem. Veio a República e até hoje uma bagunça total. Nossa história é uma bagunça total, rodeada de interesses e politicagem barata. Hoje temos um monte de bandidos no poder, o que falta o brasileiro perceber é que eles são frágeis. Tomo como exemplo a Revolução Francesa onde o povo era muito mais mirrado frente a aristocracia e Monarquia. Quando viram as portas da Convenção (?) fechadas, rumaram a uma quadra de tênis e ali proclamaram que eles dali em diante eram o governo. Simples assim.
    Só uma guerra civil pode mudar esse país, infelizmente. Temos os ingredientes, falta o tempero. Podemos ser muito mais se eliminarmos um pessoal aí.

  5. Que a nossa República não deu certo, isso é ponto pacífico. Todos os erros apontados sobre a nossa República eu compartilho. Mas tenho que dizer que a visão do autor sobre o Império é extremamente romântica.

    Eu realmente acho que a liberdade de imprensa e o incentivo a educação de ponta foram duas virtudes de Dom Pedro II, mas paremos por aí.

    Para começar o Império não tinha uma economia estável. O Banco do Brasil foi a falência uma vez, e depois – após ser expropriado do Barão de Mauá – foi estatizado e começou a controlar a economia com créditos artificiais exatamente como hoje. Os conservadores, depois de estatizarem a emissão de crédito, oficializaram de uma vez o Capitalismo de Estado – também vigente até hoje. Antes disso, Dom João VI e Dom Pedro I rasparam todas as nossas reservas antes de deixarem o Brasil. O governo brasileiro já tomava dinheiro emprestado dos Rothschild – que cobravam juros nada moderados – justamente porque desde aquela época o nosso governo era altamente gastador. Falar que Dom Pedro II tinha respeito pelo dinheiro dos pagadores de impostos, me desculpe, mas é um acinte. Dom Pedro II buscava todas as mordomias para si, sua família, e logicamente, para seu amigos. Se houve no Império alguém que não fosse tão arrogante e esnobe, esse alguém foi Dom João VI; já os seus dois sucessores eram de uma vaidade imensa. As regalias do Império e dos amigos do rei – inclusive no perdão de dívidas – eram iguais ou piores do que as de hoje.

    Temos que entender também que a prática comercial no Brasil imperial era tida como indigna. O Barão de Mauá – o maior empreendedor que esse país já teve – foi o mais prejudicado. Dom Pedro II criou barreiras, deu calotes, fez tudo que pôde para impedir o crescimento de Mauá, e tudo isso só para mostrar que para alguém prosperar no país era necessária antes a benção do Imperador. Em que isso se difere do que é hoje?

    Além disso, se a República pariu Vargas, Jango, Lula e outros, o Império pariu Visconde de Itaboraí, Zacarias de Gois, e tantos outros também.

    Enfim, acho que a Monarquia teve suas virtudes, assim como a República tem as suas. Acho porém, que a visão de um sistema pelo outro é um tanto maniqueísta.

    O nosso problema, ao meu ver, não é o sistema político. O que precisamos na verdade é uma mudança de cultura. Ainda vemos o lucro como algo indigno, ainda vemos no Estado a solução para o progresso, ainda vemos no lobby a forma de prosperar, e ainda buscamos soluções mágicas para nossos problemas. Mudar o sistema político é uma delas. Não há solução mágica. O que devemos buscar é menos Estado, pois ainda vivemos de joelhos diante de uma elite política que nos espolia a todo momento. Isso nada se difere do Brasil imperial.

    Abraços

    • Olha, ao invés de você ficar perdendo tempo com “filminho” , leia um bom livro de história! Pois pelas besteiras que você falou, aposto que foi uma mistura de livros do MEC com aquele filme de patifes do Barão de Mauá.

      Vou corrigir algumas coisas de seu texto, o resto, você pesquise na net, ou vá em uma biblioteca, ou melhor, compre um livro.

      Primeiro, Mauá era amigo do Imperador, se ele quebrou, foi pelo fato dos Ingleses que atrapalharam e por ser muito honesto, dando sempre os bens como fiança, mesmo não sengo obrigado. Mas mesmo assim voltou a ficar rico, inclusive, a indenização para os negros e as terras para plantio, iria acontecer por um plano de Dom Pedro II e Mauá…a própria família do Mauá se exilou com a família imperial após o fatídico golpe,

      Dom Pedro gastava muito não é? Explique-me o motivo de fotos dele com menos de 30 anos, ele estar com o mesmo paletó…Existem documentos, cartas, jornais, que comprovam que para o augusto imperador usar dinheiro público…tinha que ser uma situação muito necessária mesmo! O próprio orçamento da família, negado o aumento várias vezes por Dom Pedro II, mesmo o parlamento querendo dar e o país crescendo muito.

      E outra, o Banco do Brasil…Dom João VI, após anos aqui, criou toda uma estrutura propícia para a independência, inclusive, foi ele que fundou o BB, simplesmente levou o dinheiro do Banco, que por sua vez, era o dinheiro que a corte trouxe quando veio de Portugal. Ou você iria deixar aqui, imagine, a situação oposta, tu deixaria? Poupe-me!

      Agora, dê uma pesquisada e entenda que nosso Império foi nosso período áureo, social e economicamente falando…abraço.

      • Olha Kristyan,

        eu poderia ficar somente no “Mauá era amigo do Imperador”. Só isso já mostra que você desconhece por completo a sua história e prova que deve ter sido você que deve somente ter lido livros do MEC. Sugiro a leitura de “Mauá – Empresário do Império” de Jorge Caldeira. Você verá todas as covardias feitas por Dom Pedro II a Mauá.

        Mas vamos lá. Em primeiro lugar, falar que Mauá quebrou por causa dos ingleses mostra que você buscou somente uma parte da história. Os ingleses realmente atrapalharam Mauá, mas isso não foi nada perto do que Dom Pedro II e seus paus mandados fizeram com ele. Mauá chegou a abrir uma casa de câmbio na Inglaterra para fugir das leis brasileiras, e mesmo assim, o governo brasileiro não permitiu que ele operasse. Soa familiar? Até hoje empreendedores brasileiros fazem isso indo para o Vale do Silício.

        Sim, foi Dom João VI quem fundou o Banco do Brasil, e depois levou todo o dinheiro com ele, quebrando e levando o banco a extinção. E quem disse que o dinheiro era da corte, caro amigo? Você já viu algum governo gerar riqueza? Então a coroa portuguesa nunca cobrou imposto? Vivia de que, então? Caso você não saiba, anos mais tarde, Mauá refundou o banco com o mesmo nome, e em uma operação canalha, o governo – já com Dom Pedro II – tomou dele. Vale lembrar que o banco fazia parte de todo um sistema financeiro que Mauá criou para o funcionamento de suas outras empresas, e foi aí que as coisas começaram a ruir para ele.

        O período em que o Império foi mais próspero foi justamente…na era Mauá! Quem iniciou a indústria naval no Brasil, com o estaleiro Ponta de Areia, que inclusive produziu navios para a Guerra do Paraguai? Quem fez todo o projeto para a Companhia de Iluminação a Gás, iluminando todo o Rio de Janeiro? Quem fez a Estrada de Ferro Petrópolis, criando a primeira ferrovia do Brasil? Quem criou a Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas, abrindo o país para o comércio com todas as nações? Sem contar outros empreendimentos dele, inclusive fora do Brasil. Como eu falei antes, todo esse investimento tinha como ponto central o Banco do Brasil. Por isso, quando o governo estatizou o banco, Mauá começou a ter dificuldades de financiar seus projetos, pois as leis de mercado estavam sendo todas distorcidas pela nova política bancária. Mauá perdeu, mas o Brasil perdeu muito mais.

        O Brasil prosperou muito nessa época, sim, mas não graças ao Império, foi graças a livre iniciativa de um empreendedor que via muito a frente do seu tempo. É isso que qualquer liberal defende – a livre iniciativa. E porque Mauá quebrou? Pelo de sempre. O governo ao ver o sucesso do empreendedor, quis tirar proveito. Como Mauá não se curvou, tirou dele o banco e começou a criar vários empecilhos para a sustentação de seus outros investimentos, dando preferência inclusive aos ingleses.

        Por isso, repito. O que nos trouxe prosperidade foi a livre iniciativa. Quando o governo quis substituir essa livre iniciativa iniciando o Estado empresário, deu no que deu.

        No fim meu caro, não foi Mauá quem perdeu – até porque mesmo depois de suas empresas terem falido ele ainda era muito rico. Quem perdeu foi o Brasil, como sempre – já que começou a utilizar o governo como locomotiva de progresso.

        Sinceramente, é triste ver em um site liberal, uma pessoa defendendo governos em detrimento da livre iniciativa.

        Quanto aos gastos do nobre Imperador, continuo abismado em falar que por causa de um paletó ainda se acha que ele respeitava o dinheiro dos pagadores de impostos.

        PS.: Uma dica. Não comece um debate desqualificando uma pessoa que você não conhece, achando que qualquer pessoa que argumente o contrário é porque “não lê livros”. Leio e gosto muito de ler. Só quis trazer a tona um debate. Mas pelo visto, não é só a esquerda que gosta de desqualificar os argumentos alheios com chavões.

        • Vamos lá…

          Eu não vou comentar tudo, vou resumir e deixar os links.
          Só adianto uma coisa, veja bem as fontes, veja se é bem referenciado, leia outros livros que podem ser mais completos, enfim…

          Primeiro, ele não gastava pouca apenas pelo paletó. Como eu disse, ele recusou o aumento de seu orçamento várias vezes.

          Segundo, você diz que ele era perseguido, que perseguição não? Esqueceu completamente a Tarifa Alves Branco…

          Terceiro, reconheço bem a importância de Mauá, mas ele não era Deus como você passa, recebeu muitos empréstimos e até algum monopólio, amava o Brasil, mas colocava seus interesses na frente, como visto na guerra do Paraguai e na questão Christie.

          Além disso, o Império não era sustentando apenas por ele, pois, mesmo depois da “quebra” o Império manteve-se no mesmo nível, inflação controlada, alto crescimento e muito mais.

          Alguns políticos brasileiros eram contras? Logicamente sim, mas não foi esse inferno todo, se não, ele não teria feita nem 1/4 do que fez.

          http://www.revistadehistoria.com.br/secao/retrato/maua-por-tras-do-mito

          http://www.debatesculturais.com.br/maua-o-imperador-e-o-rei/

          Desculpe-me se te ofendi, mas, ver alguns absurdos assim, constantemente, acaba mexendo comigo, mas não queria mesmo te ofender. Fique bem.

        • Barão de Mauá era abolicionista como era a família imperial. Só isso fazia vários políticos escravagista serem contra Mauá. E Mauá também abriu bancos em países republicanos da América do Sul e se deu mal porque sempre tinha varias revoluções republicanas pulverizando o dinheiro dos bancos. Mauá jamais foi republicano. Senão ele mesmo fazia a proclamação da república muitos anos antes.

    • Dom Pedro II recebia 800 contos de réis por ano para o gabinete do poder moderador por 49 anos e sem aumentos. Custeou os estudos de 409 pessoas incluindo Deodoro da Fonseca. A família do imperador alforriava seus escravos desde sempre. Também era difícil governar o Brasil; a sociedade era escravagista e a família imperial não era. A economia do país começou a crescer mais após a guerra do Paraguai. Em 67 anos de império foram inflação de 1,58% ao ano e crescimento de 6% ao ano. Tivemos 33 eleições gerais para primeiro ministro em 67 anos de império. O império não era às mil maravilhas, mas foi melhor do que qualquer período republicano. Mostre se teve algum período republicano de maior estabilidade sociopoliticoeconomico do que o período imperial. Durante a regência começos a ter instabilidade porque foi um período republicano dentro do império: foram 3 regências com 9 pessoas governando. A república também foi assim: 49 presidentes; 6 constituições que sempre são desrespeitas. A constituição imperial só foi desrespeitada dm 15/11/1889.

  6. Simplesmente fantástico! Parabenizo ao autor e ao Instituto pela oportuna iniciativa de recolocar em cena a discussão sobre o que, de fato, é o Brasil. As Escrituras Sagradas são claras quando dizem que se conhece uma árvore, conhecendo o seus frutos. Fomos, como povo, enxertados no tronco oco de um sistema político criado em laboratório. Se nossa experiência não basta, olhemos ao redor; em todo mundo os casos de sociedades bem sucedidas e estáveis são, na sua enorme maioria Monarquias Parlamentares – as estatísticas não mentem! Quando se trata de custos, não há Monarquia que se equipare aos nababescos privilégios republicanos, suas estruturas são restritas, eficientes e avessas a constantes alterações. No Brasil, nós contribuintes mantemos vitaliciamente Ex-presidentes, Ex-ministros de Tribunais, sem falar nas aposentadorias precoces de Senadores, Deputados, Governadores, Prefeitos, Vereadores e um sem-número de servidores civis e militares e seus familiares – um escândalo! Parabéns mais uma vez ao autor e ao Instituto Liberal, convidando-os a ingressar na corrente que se forma em todos os cantos do país na luta pela restauração da Monarquia Parlamentar no Brasil, conclamando os membros da Família Imperial Brasileira a reassumirem papel decisivo e crucial na história de nosso país.

  7. A República não deu certo e nem dará certo. Viva o Imperador D. Luis I do Brasil

  8. Fatos sobre a Constituição de 1824

    No dia que D. Pedro usou sua prerrogativa estabelecida pelo Parlamento de dissolver a Constituinte, ele nao dissolveu pelo fato dos Liberais e os Federalistas quiserem diminuir seu poder e o tornar uma figura meramente cerimonial, mas porque os Constituintes criaram a Anarquia.

    Todos os deputados ali presentes receberam do Chefe do Exercito o Decreto que dissolvia o Parlamento e assim saíram, para suas casas, dois foram exilados na França.

    E o Gabinete de Ministros sugeriu que os Andradas fossem exilados em Portugal, que foi recusado pelo Imperador por deslealdade.

    Dias apos o Conselho de Estado pegou um Rascunho do Projeto da Constituinte e criou ima nova, baseado no projeto deles, Imperador enviou as Câmaras Municipais para um parecer e.todas aprovaram, disse que enviaria o projeto a Nova Constituinte porem elas pediram que ja a promulgasse.

    Assim nasceu a Constituição de 1824

  9. Não deu certo a república. É tempo de repensar a opção monarquica, contanto que sem atentar à democracia.