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O que explica a diferença salarial entre homens e mulheres?

Nesse dia internacional da mulher, resolvi escrever sobre um assunto espinhoso: a diferença salarial entre os sexos. É fato que mulheres tendem a ganhar menos que homens em quase todas as sociedades em qualquer momento da história – e isso não é necessariamente um problema. Homens e mulheres são diferentes e pessoas diferentes tomam decisões de carreira diferentes, o que torna praticamente impossível que o resultado final seja o mesmo.

Há algumas explicações para isso, como, por exemplo, a diferente criação que as famílias dão para meninos e meninas. Até os anos 60, as famílias coreanas simplesmente não se preocupavam em educar suas filhas e o analfabetismo feminino era o padrão. Porém, isso no Brasil não se sustenta desde 1991 – naquele ano, a escolaridade média das mulheres ultrapassou a dos homens. Hoje, 18% dos homens brasileiros de 25 a 34 anos têm ensino superior. Essa porcentagem sobe para 25% entre as mulheres da mesma faixa etária.

Apesar de terem maior presença no ensino superior, isso não necessariamente se reflete nos seus salários. Em 2019, homens com formação universitária ganhavam R$ 3.946 e, mulheres, R$ 2.680 – diferença de 47,24%. E qual é a explicação para isso?

Acertou quem disse: “diferenças de escolhas na carreira”. De acordo com a OCDE, se por um lado as mulheres estão significativamente hiper-representadas nos campos de educação e ciências sociais, jornalismo e informação, os homens são hiper-representados em campos como tecnologia da informação, engenharia e construção. Em resumo, homens escolhem profissões que pagam mais.

Isso não acontece só no Brasil. Dados do U.S. Census Bureau mostram que as mulheres representam 74% do que o órgão chama de “trabalhadores de escritórios e assemelhados” e menos de 5% de “operadores de equipamento de transporte”. Elas também representam menos de 4% dos trabalhadores de “construção, extração e manutenção”. Na área de tecnologia de informação (TI), elas são apenas 25% da força de trabalho.

Outro fator importante na explicação da diferença salarial são a gravidez e amamentação – fardos que, por razões biológicas, recaem sobre o sexo feminino. Thomas Sowell explica que, ao se afastar do mercado de trabalho para cuidar das crianças, as mulheres acabam por ter menos experiência que os homens, o que dificulta promoções. Nos EUA, mulheres sem filhos tendem a ganhar mais do que seus pares com herdeiros em situações semelhantes.

As responsabilidades domésticas também estão entre as explicações. Se em tese elas deveriam ser divididas igualmente entre homens e mulheres, na prática, isso não acontece. De acordo com a revista The Economist, 80% das decisões dos consumidores são feitas por mulheres – do plano de saúde familiar à casa e móveis. Ao aliviar o marido de tais responsabilidades, isso auxilia que eles foquem exclusivamente no trabalho: homens casados ganham mais que homens solteiros na mesma faixa etária e mesmo nível de escolaridade. Já com as mulheres ocorre o efeito inverso: nos EUA, mulheres solteiras tendem a ganhar mais do que as casadas.

Então financeiramente para as mulheres não compensa se casar?

A princípio sim, mas essa é uma afirmação complicada de se fazer, pois, em várias sociedades – a japonesa talvez seja o melhor exemplo -, os homens simplesmente repassam seus ganhos às suas esposas e recebem uma “mesada” delas. No Japão, tal “mesada” se chama “okozukai”. Outro fator importante nesta equação é que os filhos costumam ajudar seus pais na velhice.

Agora vamos ao fator mais espinhoso: a discriminação por parte do empregador. Não vou negar sua existência, mas negarei seu nível de importância. De acordo com um levantamento feito por Steve Horwitz, do Foundation for Economic Education, o consenso da literatura econômica diz que este fator não representa nem 5% da explicação da diferença. Em outras palavras, mais de 95% da diferença salarial entre homens e mulheres não ocorre por discriminação.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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