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O que esperar depois da vitória de Boric no Chile?

A reação inicial do mercado após a vitória de Boric mostra que o jovem presidente do Chile vai ter um problema e tanto pela frente.

O problema de Boric não será impossível de resolver. Basta lembrar o que aconteceu por aqui em 2002, quando ficou claro que Lula seria eleito, e o que aconteceu depois; mas não é um problema simples.

Não sei se Boric tem a maturidade e, talvez mais importante, a capacidade que Lula teve para frustrar as expectativas dos próprios aliados. Se não tiver, as coisas podem ficar complicadas.

Por outro lado, o Chile, apesar dos temporais, teve tempo para desenvolver uma economia mais sólida do que a do Brasil. Quando Lula foi eleito, não tínhamos nem dez anos de estabilidade de preços.

Torço pelo Chile (lembrem que eu também torço pelo Botafogo); seria uma lástima se o caso mais próximo de sucesso em nuestra América se mostrasse incapaz de resistir a um mandato presidencial, mesmo que depois de uma tempestade.

Torço também para que a oposição que defende a agenda reformista (ou o que sobrou dela) se empenhe para dificultar a vida do novo inquilino do La Monena. Não porque o vencedor é de esquerda, mas porque essa é a função da oposição em qualquer sociedade que se pretende livre.

Por fim, se tudo der errado, pelo menos vamos ter vinhos baratos… ou não.

Roberto Ellery

Roberto Ellery

Roberto Ellery, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), participa de debate sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos em longo prazo das políticas de investimento.