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O que é privilégio?

Está rodando nas redes sociais uma tabela que quantifica um tal “privilégio social”:

privilegio

Mas o que é privilégio? De acordo com o dicionário comum, é “vantagem (ou direito) atribuída a uma pessoa e/ou grupo de pessoas em detrimento dos demais”. Essa definição vaga é particularmente complicada, pois um fato natural só pode ser considerado uma vantagem na medida que ela seja causa necessária para um determinado fim.

Vou dar um exemplo concreto para melhor explicar: se eu quero ser modelo fotográfico, ser alto não é uma vantagem tão relevante quanto ser bonito, mas se eu quero ser modelo de passarela, ser alto já é uma vantagem quase tão importante quanto ser bonito, isso tudo dentro de uma mesma profissão, que é a de modelo. Fatos naturais (beleza e altura) só são vantagens na medida em que eu busco uma finalidade (ser modelo) facilitada por eles.

Isto posto, nenhum fato natural é uma vantagem, e portanto um privilégio, sem que se saiba qual o fim pretendido pelo indivíduo. Falar que um homem alto tem privilégio sobre um homem baixo faz sentido na hora de se jogar basquete, mas não faz o menor sentido na hora de sentar em um banco de avião da Gol, por exemplo.

Falar em privilégios objetivos, como os indicados acima, além de não fazer muito sentido, demonstra uma tentativa de vender uma visão de realidade distorcida de divisão social em classes, típica de movimentos de esquerda.

É importante ressaltar que os movimentos de direita, sejam liberais ou conservadores, têm grande problema em mostrar essa realidade, e mais do que isso, trabalhar com essas categorias de pseudo-privilégio. Como a própria “tabela dos privilégios” mostra, são raros os cidadãos que podem ser considerados objetivamente desprivilegiados em todos os quesitos, e basta mostrar o quanto essa divisão pode sempre prejudicar mais do que ajudar, que é o argumento utilitário, para quebrar a base consequencialista da ação política em defesa de ações afirmativas de “correção de privilégios”. Isso sem contar a própria imoralidade deontológica de se distinguir pessoas por características pessoais.

O que todo esse discurso tenta, na verdade, é criar um sistema de privilégios legais, onde o grupo minoritário mais bem organizado impõe sua agenda de benefícios através de um discurso vitimista. Se a finalidade é se locupletar às custas de toda a sociedade, fazer leis já é o próprio privilégio, e a categorização de pessoas para fins de beneficiamento é apenas a consequência lógica desse processo de ruína sócio-econômica.

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.