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O Problema do Mundo

Carolina de Vasconcellos*

No Globo (em 30 de novembro de 2014):

“Num plebiscito neste domingo, cidadãos suíços se posicionaram contra a proposta de reduzir drasticamente a imigração no país, sob o argumento de proteger seus recursos naturais. Pelo menos 74% votaram no “não” para a iniciativa, que, se tivesse sido aprovada, reduziria 80 mil para 16 mil por ano a entrada de estrangeiros, que ficariam reduzidos a 0,2% da população.

Sob o sistema de democracia direta, os cidadão suíços podem sugerir um referendo se conseguirem reunir assinaturas suficientes de apoio. Dessa forma, a votação deste domingo foi encabeçada pelo Ecopop, um grupo formado há 40 anos por ambientalistas de esquerda que alega que o país está sendo “enterrado sob o concreto” devido ao crescente afluxo de estrangeiros.

Segundo eles, com a taxa de imigração crescendo de 1,1% a 1,4% anualmente, a população atingiria os 12 milhões em 2050, o que aumentaria a demanda por infraestrutura urbana. A proposta também incluía o controle da superpopulação no exterior, dedicando 10% dos investimentos de ajuda externa da Suíça para o planejamento familiar de países em desenvolvimento”.

superpopulacao_2.1-193x300Pelo visto, em pleno século XXI, o malthusianismo ainda encontra seus adeptos.

Felizmente, eles são menos de 30% da população suíça.

Thomas Malthus, economista inglês, defendeu no final do século XVIII que, enquanto a produção de alimentos cresce no máximo em progressão aritmética, a população tende a crescer em progressão geométrica. Isso significa dizer, portanto, que se a população continuasse a aumentardescontroladamente, a fome seria seu invariável destino. A solução “moral” de Malthus para o problema era a protelação do casamento para pessoas que não podiam arcar com os custos de seus descendentes.

No entanto, mais de dois séculos e seis bilhões de pessoas não foram suficientes para confirmar a catástrofe malthusiana.

O professor Julian Simon, em seus inúmeros artigos e livros, mostrou-nos uma imagem bastante otimista: não estamos ficando sem recursos naturais. Pelo contrário. Temos mais acesso a eles, a produção de alimentos cresceu além do “suficiente” e nossa qualidade e expectativa de vida aumentaram consideravelmente. Para Simon, “seres humanos não são somente bocas para alimentar, mas mentes produtivas e inventivas que ajudam a encontrar soluções criativas para os problemas do homem”. Através das informações obtida pelo sistema de preços, a escassez impulsiona o ser humano a buscar alternativas, como novas fontes, reciclagem, substitutos e melhor aproveitamento dos recursos físicos. Por isso, nosso principal recurso é nossa mente.

Não somos capazes de prever o futuro. Entretanto, é impressionante como uma teoria tão contestada como a de Thomas Malthus adquire status de certeza científica quando o assunto é a restrição das liberdades individuais, através de controle de natalidade, proibições à livre circulação de pessoas e realocação de recursos conforme interesses políticos.

A matéria publicada pelo Globo ilustra bem este pensamento. Grupos de esquerda, direita, ambientalistas, xenófobos, alarmistas e eugenistas tentam o tempo todo golpear a liberdade do indivíduo através do estado, em nome de uma suposta proteção. Devemos sempre questionar seus objetivos, suas teorias superficiais e enviesadas, e a que custo querem nos “poupar” dos perigos reais e imaginários que apresentam.

(Nota: a Ecopop, organização que defende a proposta da reportagem, também advoga por outra causa: destinar fundos federais para programas de controle de natalidade em países do hemisfério sul. Malthusianismo bancado pelos pagadores de impostos, claro).

Mal poderiam imaginar nossos governantes que nós mesmos, como indivíduos e de forma espontânea, seríamos os responsáveis pela refutação empírica à lógica pessimista de Malthus. Nossos avanços tecnológicos e econômicos, graças à genialidade dos seres humanos e suas trocas comerciais e culturais, aumentaram nossa produtividade e levaram-nos a diminuir (ao contrário do que ocorre em outras espécies em situações de prosperidade) as taxas de natalidade. Produzimos mais porque queremos. Procriamos menos porque queremos.

“O problema do mundo não é ter gente demais, mas ter liberdade política e econômica de menos”. Sim, Julian Simon.

*Médica Libertária. Escritora amadora e amante de economia e ciência política nas horas vagas.

Roberto Barricelli

Roberto Barricelli

Assessor de Imprensa do Instituto Liberal e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça. Roberto Lacerda Barricelli é autor de blogs, jornalista, poeta e escritor. Paulistano, assumidamente Liberal, é voluntário na resistência às doutrinas coletivistas e autoritárias.

Um comentário em “O Problema do Mundo

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    24/12/2014 em 6:06 pm
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    se a dra Julian acha legal morar num galinheiro superlotado, dá para ver o tipo de lixo ideológico que mora na cabeça dela…aposto que ela não tem filhos…não é à toa que a China instaurou a lei do filho único, e com isso evitou o nascimento de cerca de 500.000.000 de futuros infelizes indigentes…dentro de 20 a 30 anos a China será um país de gente de classe média, evoluida e instruida…ao contrario da India , oriente médio e Africa em geral, onde a demografia ensandecida bota a perder os avanços que se conseguem eventualmente…FIAT LUX pra cabeça dessa médica libertária…

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