O novo comercial da prefeitura: a hipócrita exaltação da pobreza

O comercial novo da prefeitura do Rio de Janeiro, dando enfoque a “qualidades” da área suburbana e enaltecendo-as como algo curioso e magnânimo, me deu pena. É uma ode à pobreza. Para dizer que o Rio é mais do que seus cartões postais, o vídeo substitui-os por imagens de subúrbio e churrasquinho de gato. É […]

favelaO comercial novo da prefeitura do Rio de Janeiro, dando enfoque a “qualidades” da área suburbana e enaltecendo-as como algo curioso e magnânimo, me deu pena. É uma ode à pobreza. Para dizer que o Rio é mais do que seus cartões postais, o vídeo substitui-os por imagens de subúrbio e churrasquinho de gato. É praticamente uma chamada para o programa “Esquenta” – como se a Regina Casé tivesse dirigido a peça publicitária.

Em uma propaganda onde as áreas “ricas” da cidade são escondidas, a tese é a de que o carioca suburbano e o favelado devem bater no peito e dizer que valem tanto quanto o morador da zona sul. E valem mesmo do ponto de vista humano e como cidadão. Mas se morar no subúrbio fosse tão bom quanto morar na zona sul, todos se mudariam de cá para lá e o metro quadrado de Madureira estaria parelho com o do Leblon. O discurso político pode dizer o que quiser, mas oferta e demanda serão implacáveis ao mostrar as verdadeiras preferências pessoais.

Aliás, onde será que moram os idealizadores desse tipo de propaganda? Onde será que tiram férias? Será que no sábado saem para jantar no Rubayat do Jardim Botânico ou comem o churrasquinho da tia Bené em Benfica?

Não é segredo que eu sou grande defensor da administração atual da prefeitura do Rio. Acho que o saldo do governo Eduardo Paes é inegavelmente positivo. Mas está aí a minha grande diferença pessoal para boa parte da turma que pensa a cidade. O meu Rio ideal não teria mais favelas. Não teria mais casas pobres no subúrbio. E nem churrasquinho de gato. Não há nada aí a ser exaltado. Todos esses são apenas sintomas da falta de capacidade da cidade e do país de gerar uma economia mais dinâmica para que todos pudessem produzir riquezas a ponto de morar e comer com conforto dignos da zona sul . Meu carioca modelo vive como a classe média americana de Miami e não a de Havana. Talvez por isso eu sinta que tenho cada vez menos lugar por aqui. Sinto-me um intruso na minha própria cidade.

Que construam um hotel de luxo em Irajá! Quero ver o grande sucesso que será. Eu, do meu lado, tenho constantemente a sensação de que em vez de um Trump Hotel na Barra, deveria estar construindo um puxadinho no Alemão…

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  • Josuel Carvalho

    Toda celebridade estrangeira que vem ao Brasil tem que dar uma passadinha nos morros cariocas: Obama, Angelina Jolie, Bono Vox, principe Harry entre outros como se estes lugares fossem uma maravilha. Não é. É um lixo. Deveria-se ter vergonha de mostrar estes lugares mesmo se as pessoas quisessem vê-los. A Globo, sempre ela, é responsável por isto. Como na atual novela “Babilônia” mostrando a alegria que é viver no morro. A novela anterior “Salve Jorge” também mostrou isto. Um morro limpo, sem bandidos, uma maravilha. Só os morros da Globo são assim. No Fantástico há um tempo atrás teve uma reportagem sobre as casas do morro e mostrou uma família feliz morando numa casa vertical: a sala no térreo, a cozinha no meio e o quarto no último andar. Emfim, a casa dos sonhos de qualquer um. É triste…