O messianismo político e seus males

 

messianismoA política latino-americana vive um dos seus maiores dilemas, apesar da ascensão de políticos liberais-conservadores nesses países. Como evitar que o messianismo político, tão explorado por populistas e socialistas, possa atrapalhar os novos governos?

O messianismo político na América Latina nasce da cultura monárquica vinda de Portugal e Espanha que tinham como políticas reais uma “descentralização centralizada”, uma medida que fazia com que o rei virasse uma espécie de “salvador da pátria” para evitar que danos maiores acontecessem. Um exemplo prático disso no nosso país foi a campanha da maioridade que pedia que Dom Pedro II tivesse a sua maioridade antecipada tentando conter o caos gerado pelo governo regencial de Diogo Feijó, período marcado por algumas insurreições populares, como a Revolução Farroupilha, a Balaiagem e a Sabinada.

A figura de um “messias político” ficou no imaginário da população como um homem bom, abnegado, que poderia fazer tudo pelo bem comum, unindo o país em torno de um objetivo comum. Aproveitando-se dessa cultura, políticos populistas e socialistas transformaram o continente americano em um laboratório de políticas de cunho estritamente eleitoreiro usando sempre a imagem de salvador da nação. Porém, com essas políticas, apenas geraram atraso tecnológico-industrial e níveis de pobreza assustadores.

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O filósofo inglês Roger Scruton, em recente entrevista para a revista Época Negócios, alertou ao fato de que o messianismo político na América Latina se desenvolva de maneira muito fácil e que esses países deveriam cultuar o governo das leis, em vez de se cultuar ideologias, pessoas ou famílias. Outro pensador, o americano Russell Kirk diz em sua obra “A Política da Prudência” que o conservadorismo e o liberalismo eram a negação da existência das ideologias políticas, afirmando que as ideologias favoreceriam apenas a demagogia e o populismo.

O tempo que viveremos em nosso país, a partir da saída de fato da presidente Dilma Rousseff, será crucial para o epilogo do messianismo político. Além da guerra cultural que deverá ser combatida nas artes e na educação, no campo político deve-se expor os tradicionais políticos populistas que nesse momento de degradação política, econômica e moral tentarão se vender como os salvadores da pátria para não largarem os seus postos políticos. Eles apresentarão soluções tão ruins quanto os problemas já vividos em si. Políticos como o ex-governador do Ceará, ex-ministro da Fazenda e Integração Nacional, Ciro Gomes (PDT), a ex-senadora do Acre e ex-ministra do meio ambiente Marina Silva (REDE) são os dois casos mais cruciais de políticos que querem embarcar em uma onda de oportunismo. Para a manutenção da triste situação atual, usarão o discurso polido para enganar a população.

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Para evitar que a atual situação de populismo político e fiscal volte ao continente, se faz bastante necessário que se mapeie as velhas caras da política nacional e a resposta a velha demagogia venha nas urnas. Não se deve dar qualquer voto as figuras já carimbadas pela demagogia e pelo populismo, renovando o quadro humano e intelectual das lideranças políticas brasileiras. Ou então, aguardaremos até a próxima operação Lava Jato – ou similar – para, quem sabe, encerrar a carreira de um ou outro político que faz das estruturas de governo sua casa e suja a atividade política.

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Jefferson Viana

Jefferson Viana

Jefferson Viana é estudante de História da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, coordenador local da rede Estudantes Pela Liberdade, presidente da juventude do Partido Social Cristão na cidade de Niterói-RJ e membro-fundador do Movimento Universidade Livre.