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O impeachment da Presidente parece ser questão de tempo

Dillma-caretaA Operação Lava-Jato, feita pela Polícia Federal, cada vez mais se parece com a Operação Mãos Limpas, feita na Itália na década de 90 contra a máfia lá instalada, que resultou em uma profunda reforma política e a extinção de vários grandes partidos italianos. Vários pequenos operadores da Petrobras já chegaram a acordos de delação premiada que resultarão na devolução de quase meio bilhão de reais aos cofres públicos. Além deles, outros dois ex-funcionários já fizeram acordos parecidos. Paulo Roberto Costa devolverá 70 milhões de reais e Pedro Barusco inacreditáveis 250 milhões de reais. Já está provada a implicação de mais de 100 políticos no esquema, dentre três partidos da base governista: PT, PP e PMDB. A maior parte desses negócios foi feita sob a tutela da Presidente Dilma Rousseff, seja no próprio cargo executivo máximo da república, seja como Presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Com o fim das investigações e sua publicização, restará evidente que o impeachment da Presidente Dilma não será uma questão de “se”, mas de “quando”. E o “quando”, adianto, não será agora. O colunista do Globo, Merval Pereira, escreveu no Globo que tem essa mesma sensação, e que as manifestações pelo impeachment não são um golpismo, e sim apenas um movimento deslocado no tempo. Daqui a três ou seis meses essas passeatas realmente terão significado, especialmente quando soubermos a extensão da implicação do Palácio do Planalto nas operações.

Com a Presidente afastada e o Vice-Presidente Michel Temer assumindo, fica a seguinte pergunta: e daí, o que muda de fato?

Essa é uma pergunta pertinente, pois ainda não sabemos que tipo de força política vai emergir dessa ruptura política. Na Itália, ascendeu ao poder um representante pervertido e estatista do empresariado, Silvio Berlusconi. Quem vai assumir a dianteira do processo político?

Se liberais e conservadores tomarem posse dessa liderança e estabelecerem a agenda política brasileira com redução do aparelho estatal, desburocratização, responsabilidade fiscal e redução da carga tributária, haverá uma real mudança. Mas tanto o movimento liberal quanto o conservador são bastante restritos no campo político ainda, embora estejam crescendo com vigor. O movimento psolista também cresce a olhos vistos, mas não tem presença política nacional relevante.

Por isso, a ordem natural do processo político será a substituição de um grupo político autoritário e patrimonialista por outro com mesma identidade ideológica e sem compromisso com reais mudanças institucionais no país. É bem possível que, neste momento, a direita que está indo às ruas para ser humilhada por jornalistas venais estejam, na verdade, fazendo o jogo de pessoas sem compromisso com um Brasil sustentável e livre. Mas isso não pode nos impedir de continuar a lutar pelo que é certo. O impeachment será muito bom quando for atingido, mas a verdadeira revolução está no dia-a-dia dos movimentos pela liberdade, seja no próprio campo político, como no acadêmico e no econômico.

E 2018 já é logo ali.

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.

5 comentários em “O impeachment da Presidente parece ser questão de tempo

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    22/11/2014 em 10:13 am
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    Dilma vai ser impichada em 1 de janeiro de 2019, vc vive em q mundo, colega?

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    21/11/2014 em 5:45 pm
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    três partidos da base governista: PT, PP e PMDB. Não esqueceu o PSDB? Que imparcialidade a sua hein?

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    20/11/2014 em 7:05 am
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    Quando se quer democracia perde-se a vontade de ter Liberdade.
    Enquanto se luta por democracia, esquece-se de lutar por Liberdade. Para isso foi propagandeada a ideia da democracia: para que o totalitarismo estatal fosse aprovado democraticamente.

    Democracia nada tem com Liberdade, mas sim com eleições dos senhores.
    Democracia é um método para escolher administradores, mas não é um método para escolher entre o certo e o errado, entre o justo e o injusto, entre liberdade e servidão.

    Os eleitos, na democracia, arbitram sobre o que será o certo e o errado, o justo e o injusto amparados exclusivamente no Poder que adquirem ao serem eleitos.
    Na Venezuela Chaves foi eleito democraticamente e colocou seus amigos no comando do Poder. Ele democraticamente aprovou leis, formou o supremo tribunal, não renovou concessões de radios e TVs, alterou a constituição, expropriou empresas, tabelou preços, distribuiu benesses a seus simpatizantes e tudo mais fez contra o Direito Natural dos indivíduos através da democracia. Não adianta berrar que aquilo não é democracia porque é. Houve eleições e Chaves foi eleito democraticamente para reduzir a liberdade.

    Os eleitores de Chaves o elegeram democraticamente para que suprimisse a liberdade. Não há como negar isso.
    Se foram enganados ou se são uma maioria de canalhas interessados apenas em usufruirem da servidão alheia, não há como negar que tudo ocorreu dentro das regras democraticas.

    A democracia não implica em liberdade, mas em eleições de senhores sobre uma sociedade servil.

    – As regras para as eleições são estabelecidas pelos já eleitos que imporão regras democraticas.
    – A única exigência da democracia é que haja PERMISSÃO para propaganda política regulamentada, que partidos se estabeleçam segundo as regras arbitradas pelos já eleitos. Bem como que existam eleições regulares. Somente isso é exigidop pela democracia.
    – A democracia, através dos eleitos, pode IMPOR que o errado seja o certo e vice versa, que o injusto seja justo e vice versa, ou até mesmo que a servidão seja chamada de liberdade.

    Democracia não muda o certo nem o errado, nem o justo e o injusto, nem mesmo muda o DEFICIT para transforma-lo em SUPERAVIT, mas ela assim estabelece através da votação majoritária dos eleitos se assim lhes INTERESSAR.

    Eis a democracia em pleno confronto com a realidade e mesmo com a Liberdade.
    Enquanto a democracia for TABÚ e critica-la uma BLASFEMIA e HERESIA, o rebanho humano será pastoreado e feito servil em nome de uma liberdade democrática contrária a Liberdade, da mesma forma que uma justiça social pode se opor à Justiça.

    Pavonear-se com a honrosa defesa da democracia, tal qual tantos ostentam sua adesão a ideologias farisaicas como ostentação de valor moral, pode produzir uma indignificante servidão aos eleitos.

    Defender a eleiçãos dos próprios senhores não é o mesmo que defender a Liberdade, embora os senhores e os interessados assim façam parecer apelando a a vaidade que cega a razão.

    Por mais que pareça lindo e motivo de orgulho a escolha dos próprios senhores através de votações onde a maioria impõe senhores a minoria, isso é só aparência. Possuir senhores que exploram e deliberam sobre a vida de todos é algo indignificante, não é motivo de orgulho e muito menos Liberdade.

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    20/11/2014 em 1:48 am
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    “O impeachment será muito bom quando for atingido, mas a verdadeira revolução está no dia-a-dia dos movimentos pela liberdade, seja no próprio campo político, como no acadêmico e no econômico.”

    Lutar contra a ditadura sem ter uma alternativa democrática não adianta.

    O que acontece quando saem os ratos velhos saírem ? Virão ratos novos.

    Se não tiver um movimento organizado e sólido de direita, vamos ser reféns dessa ideologia perversa do socialismo petista.

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    19/11/2014 em 10:56 am
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    Ok

Fechado para comentários.