O desperdício de tudo

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Acusam o capitalismo de gerar desperdícios através do consumismo que incentiva. Lorota. Os desperdícios são gerados por indivíduos, não pelo sistema − um problema de prática, não de conceito.

Nos países desenvolvidos, aqueles que registram os mais altos índices de consumo, registram também os mais altos índices de reaproveitamento tanto do lixo comum quanto de equipamentos obsoletos. Materiais como aço, vidro, alumínio e plástico são quase totalmente reciclados simplesmente porque o próprio sistema capitalista enxerga que é possível ganhar dinheiro reaproveitando esses materiais. Visando o lucro, empresas tentam se qualificar no mercado oferecendo produtos em embalagens biodegradáveis. Algumas empresas se especializam em oferecer projetos e certificações de sustentabilidade em engenharia, arquitetura, no setor de serviços e industrial, enquanto outras desenvolvem tecnologias de transformação do lixo em energia.

O desperdício de comida também é uma questão de prática, a qual é aprimorada a cada dia não apenas por meio de campanhas de conscientização, mas sim pelo culto à beleza (vaidade!), que significa cuidado com a saúde, que faz cada vez mais indivíduos optarem (optarem!) por comer menos e melhor.

Comprovando que o desperdício é resultado de ações individuais, não do sistema capitalista, podemos comparar também o uso da água numa residência em relação ao uso da água numa indústria. Por razões econômicas, indústrias empenham grandes esforços tanto no racionamento do uso da água quanto no reaproveitamento ou tratamento da mesma, enquanto nas casas das pessoas os desperdícios são sistemáticos.

No outro prato da balança temos os trágicos desperdícios promovidos pelos regimes socialistas.

A União Soviética, riquíssima em petróleo e em diversos outros recursos minerais, reduziu quase toda a população à linha da pobreza por causa da planificação econômica. O gigantesco potencial industrial foi todo voltado para a produção de armas. O potencial intelectual de centenas de milhões de cidadãos foi desperdiçado para sustentar a perversão ideológica de meia dúzia de vagabundos. Sem a existência do setor terciário – a base de qualquer economia sustentável −, não houve petróleo nem minérios suficientes para cobrir os custos do Estado Soviético. O povo pagou a conta do desperdício estatal. Três gerações perdidas.

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Em 2008, Raul Castro assumiu a liderança do governo cubano fazendo uma promessa: oferecer pelo menos um copo de leite aos cubanos todos os dias. Não cumpriu. Depois de mais de cinco décadas desde a revolução socialista, a população ainda tem um cotidiano alimentar regrado pelo racionamento imposto pelo governo. Leite, carne e frutas além das cotas miseráveis impostas pelo Estado são artigos de luxo, que se tornaram produtos disputados no mercado negro controlado, vejam só… por funcionários do próprio governo! Yoani Sáchez, em seu livro De Cuba Com Carinho, faz um trágico-cômico relato do “tráfico de sanduiches” protagonizado pelos guardas de alguns edifícios do governo, que negociam informalmente os pães com queijo que recebem como lanche.

Por trás dos manipulados índices de educação (doutrinação) em Cuba, escondem-se números vergonhosos, como o baixíssimo índice de ingestão de proteínas. Sim, Cuba é um país de desnutridos. A ingestão de proteínas poderia ser coberta também pela exploração dos recursos naturais do litoral da ilha, mas nem isso as “boas intenções” socialistas conseguem viabilizar. Culpa do embargo dos Estados Unidos? Não, porque na prática esse embargo não existe, considerando as diversas brechas na lei que permite o comércio de Cuba não apenas com os Estados Unidos, mas com todo o mundo. O único embargo econômico que existe em Cuba é do governo local contra seus próprios cidadãos, estes, proibidos de empreender negócios além de pousadas e restaurantes, com números de quartos e de mesas limitados pelo governo. Resumindo: Os caprichos socialistas privam a sociedade de gerar capital próprio para importar os produtos e as máquinas que necessitam. A única liberdade que o povo cubano tem é a de aplaudir quantas vezes desejar seu “Comandante”.

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A verdade: Cuba, o paraíso socialista, tem um dos piores índices nutricionais da América Latina porque o governo que controla todos os meios de produção não consegue sequer manter uma agricultura de subsistência, nem granjas, nem rebanhos. A produção de açúcar em Cuba caiu de mais de 8 milhões de toneladas no começo da década de 1990 para menos de 2 milhões de toneladas hoje. Quem iria se arriscar a pescar em alto mar sabendo que não terá o direito de usufruir do fruto de seu trabalho, já que tudo o que é pescado deve ser enviado ao governo central para que ele, do alto de sua “sabedoria”, decida seu destino? Ninguém.

Muitas empresas estrangeiras adorariam comercializar com Cuba, porém, seriam pagas com que dinheiro? A mesma verdade: Cuba é um país falido desde a revolução. O regime cubano sobrevive das esmolas internacionais, dos empréstimos que nunca são pagos, do dinheiro dos turistas, do dinheiro que seus dissidentes mandam para parentes e das ajudas humanitárias, principalmente dos Estados Unidos, seu principal fornecedor de carne. Este regime, tão defendido por muitos inteligentinhos brasileiros, já desperdiçou duas gerações de uma sociedade.

A Venezuela nos oferece outro absurdo exemplo de desperdício de recursos: Por conta de sua gigantesca reserva de petróleo, o país da revolução bolivariana cobra o equivalente a dois reais para se encher o tanque de um automóvel. Não foi erro de digitação. O venezuelano paga para encher um tanque de gasolina de um carro pouco mais da metade do valor que pagamos, no Brasil, por uma coxinha. Mais: Este mesmo país, 5° maior produtor mundial de petróleo, precisa importar parte da gasolina que consome, o que, pelo preço cobrado da população, gera enormes prejuízos ao Estado e, em consequência disso, prejuízos à população. E as refinarias? Foram corroídas pelas “boas intenções” socialistas. Todo este absurdo faz parte do projeto sustentado por discursos do tipo… “o petróleo é do povo”, enquanto o povo sofre com a crescente escassez de produtos básicos por conta das massivas intervenções estatais na economia. Mesmo o petróleo custando hoje mais de dez vezes o valor que custava quando Hugo Chaves chegou ao poder, a qualidade de vida e o poder aquisitivo do venezuelano despencaram.

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Analisando também diversos outros países que desperdiçam despudoradamente seus recursos naturais, especialmente na África e na América Latina, chegaremos a uma conclusão: O Estado é o principal vetor de desperdício; e esse desperdício é diretamente proporcional ao tamanho de cada Estado e seu nível de influência na economia.

O Estado desperdiça potencial econômico ao tentar controlar recursos naturais e meios de produção. Desperdiça potencial intelectual ao tentar controlar as liberdades individuais. O Estado desperdiça dinheiro público apenas pelo fato de existir, pois só para se manter já nos rouba o fruto de alguns meses de trabalho.

Enquanto no capitalismo pessoas desperdiçam coisas, no socialismo o Estado desperdiça o futuro.

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